19 outubro 2009

hora da horta

Atravesso diversas fases de cultivo - cultivo arduamente o interesse dos nossos alunos pelos meus interesses, cultivo o gosto pela leitura, pelas artes, pela tecnologia, cultivo bons gosto (seja lá o que isso possa ser), cultivo-me também o prazer de fazer coisas de que gosto. Cultivo terreno para obter boas colheitas; fico-me pelas virtuais mas há quem se esteja a dedicar à verdadeira agricultura e eu aplaudo isso. Como se diz no outro sítio, eu gosto disto.
Nessa tal horta virtual, gosto dos gráficos, que, apesar de um certo cariz pueril, representam a vida na quinta com bastante fidelidade. A hortaliça com mais rigor que os animais. As abóboras melhor que os ananases. Lamento que os gráficos não possam ser apreciados com mais pormenor. Lamento não poder usá-los para mostrar aos meus alunos modos de representar aquilo que casualmente os levei a desenhar - precisamente hortaliças.
Nesta encruzilhada de coincidências hortísticas, há uma falta fatal! Nem Farmville, nem aula de desenho, têm nada que substitua o cheiro. O cheiro da terra, o cheiro do estrume da vaca, o cheiro das couves e das frutas.
Mas já agora, que atravesso uma fase em que me é permitido o uso da total capacidade do nariz, descobri o aroma da Lantana, planta abusadora que cresce em todo o lado mas que só se deixa cheirar eficazmente quando é podada. Descobri esse cheiro enquanto os meus cães produziam um outro a dois passos...
Lamento não poder partilhá-lo.

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