05 agosto 2014

31 julho 2014

última visita?

a última visita.

eviver
apenas alguns momentos do passado? Não é possível pois nenhuma das condições está nas nossas mãoes reacender. Tentei ver um pouco dos amigos que adoro e dos quais me afastei uns poucos de anos naquelas pessoas com quem hoje partilhei um gelado.
Está lá a voz, num timbre desafinado e agudo. O mortiço do olhar, a lentidão dos gestos, a conversa que pausa abruptamente e que não se consegue recuperar.
Chico descreve-me uma queda que deu na escada e que justifica uma cinta elástica para protejer a coluna: - A luz era fraca, não vi o degrau e caí para trás.
Alice: - Eu também.
Chico: Agora passamos pouco tempo em casa. Ela está num centro de dia, faz-lhe bem, ajuda as pessoas lá.
Alice: Ah... pois, eu já te tinha dito...
É muito difícil assistir a isto!


30 julho 2014

uantas questões

Existe uma ténue linha que separa a genuinidade de algumas manifestações artísticas de outras que, pela sua extravagância, poder pareê-lo mas na verdade não passam de embustes, aproveitamentos de determinadas circunstâncias. Não havendo modo de descrutinar a verdade, fica-se naquele limbo, de sorriso amarelo, desconfiado, de mão na arma pronta a disparar.
Durante algum tempo incomodou-me manifestar-me perante a dúvida. Hoje prefiro a sinceridade mesmo que correndo o risco da injustiça.
Por estes dias vejo Viseu transformada em palco de inúmeras expressões de teor artístico, performativo, interventivo, (sei lá o que mais) e interrogo-me acerca de grande parte delas...

A verificar no local:
http://saltofportugal.wordpress.com/2014/07/29/viseu-turned-upside-down/
http://www.jardinsefemeros.pt/


28 julho 2014

A metáfora é batida.
No entanto, apraz-me salientar a extrema importância das, chamo-lhes revelações, trazidas aos meus dias desde o início deste ano.
Não vou elencá-las, pelo menos por agora. Apenas dizer que existem mudanças que me simplificam muito a vida!

25 julho 2014

Nem sempre a máquina é aquela máquina. E descobrimos do pior modo que faltava alguma coisa na bagageira...


24 julho 2014

escoberta

Elejo o retiro onde estive na semana passada como uma das mais importantes descobertas da minha vida. Meio século depois de andar neste mundo, foi preciso que Silves me revelasse um segredo quase escondido.
Pela primeira vez conheci aqueles com quem contactei durante quase dois anos. A surpresa foi gigante. Afinal, éramos quase como aqueles bons amigos que se reencontram numa festa de divórcio de um casamento de anos.
Nervoso miudinho à parte, por causa da avaliação, todas as atividades foram de uma envolvência extrema, coroada pelo cortejo do último dia, não previsto, dedicado ao feminino. Personificado na forma da Raínha, esta reunião de almas num apelo uno, emocionou pela força que sentimos circular entre nós. Esta força estranha, espiritual, não é habitual nos homens da ciência, muito menos (pensava eu) nos académicos votados ao digital.
Porém, ela está entre nós. E fez-me muito bem!




22 julho 2014

 audade

 Quase um mês após a ausência do meu adorado companheiro de mais de quinze anos, permanece uma saudade imensa. Dizem que a falta pêlo de cão se cura com outro cão mas estou longe de acreditar nisso. Outro pêlo chegará em breve mas não irá substituir o Kiko.
Este estará no céu dos cães, embora não tenha sido um ser perfeito. O Kiko padecia de um grave problema: era-me totalmente dedicado, adorava-me. Isso fazia com que se tornasse intolerante com aproximações de outros. Uma abraço mais prolongado fazia-o saltar entre os dois a ponto de me morder as costas; uma tangente na rua fê-lo, por diversas vezes morder os calcanhares a alguém.
Pregaste-me alguns susts, Kiko. estiveste quase a fazer um voo directo ao mar em pleno paredão da praia da Barra porque mordeste uma perna varicosa.
Eu adoro-te e estará sempre comigo para onde quer que vá, até nos reencontrarmos de novo.






09 julho 2014


típico

Tempos houve em que um salto da cama me empurrava para um passeio na praia, bem cedo, enquanto todos dormiam. 
Agora o salto dá-se ainda mais cedo mas para longe do mar...


04 maio 2014

ecidir 
tirar a vida a um animal doente de doença irrecuperável é poupá-lo ao sofrimento.
Porém, quando o animal em causa é quem me dedicou a sua vida in condicional e devotadamente, a decisão é atroz.
Melhor do que vê-lo morrer aos bocadinhos.



20 fevereiro 2014

esilusão, noites sem dormir, angústia.


A habitual vítima de agressão foi, mais uma vez vítima de agressão. Não sei se física se apenas emocional.
Uma semana depois, a cadelita é devolvida. Não, não é que tivesse defeito.
Apenas foi.
Isto é: as pessoas levam um cão para casa como quem leva um peluche que deita fora quando se farta; não lhes interessam os sentimentos do animal, que depositou naquela besta toda a confiança de que foi capaz.
Pelo menos esta não foi parar ao lixo, teve mais sorte que tantos outros.
Lucky, um dia terás o teu cantinho, prometo.

15 fevereiro 2014

ocorrer um animal que está a ser vítima de agressão deixa em mim uma sensação enorme de conforto e alegria, pouco comparável a outra coisa qualquer.
A sua gratidão será para sempre; não a procuro mas os cães sabem demonstrá-la.
A haver sensação melhor, perante os animais, só acontece só quando se encontra para ele um dono à altura, capaz de o merecer.
Não existe no ser humano tal façanha, tal devoção. Um cão é-nos fiel toda a vida, acompanhar-nos-á sempre, incondicionalmente.
Olhar nos olhos de um cão e perceber toda a entrega e dedicação de que só eles são capazes, faz encher os meus olhos de lágrimas; pena que nem todas as pessoas sejam capazes de o ver.
Quem não percebe isto não sabe o que perde. Porque tamanho amor não se encontra em mais lado nenhum.



A Lucky é um exemplo do que acabo de escrever. Encontrou o dono da sua vida? Ela acha que sim e eu também. Espero que nenhuma de nós se desiluda.
ores d´alma





12 fevereiro 2014

Quando me meti na aventura que se arrasta há um ano, contava comigo, com um horário escolar que tenho de cumprir escrupulosamente e com os tempos livres que estão mais presentes ao fim de semana.
O conselho dos professores era: dedicar uma hora e meia por dia ao doutoramento.
Esqueci-me de que a tendência seria sempre para piorar: todos os dias sou confrontada com um crescente número de pedidos de ajuda para qualquer coisa. Ajuda quer dizer muita coisa e pode ser uma simples longa conversa telefonica. Nestes meus dias há cães, cadelas e gatos; leilões; cartazes e logotipos; manualidades, bricolage; reuniões; adopções; consultas médicas; computadores; anúncios e emails; telefonemas; uma mãe super carente de atenção; telefonemas; os próprios cães velhos e doentes e uma laringite que não é mais que um somatório disto tudo.
As solicitações chegam de pessoas próximas, tão próximas que são minhas amigas, tão amigas que são as melhores amigas. E no entanto, cada uma não percebe que eu estou num ponto em que...

02 fevereiro 2014

orções
A senhora Maria não gosta de caniches porque é preciso estoquiá-los.
O Dinis não acha bem fazer caricaturas porque não gosta de estorcer fotos.

31 janeiro 2014


izia eu ao meu vizinho esquizofrénico, quando subíamos os quatro no elevador, que o problema do meu cão era que não estava muito bem da cabeça.