erro-velhoSou desde há anos aficionada de velharias e coisas usadas. Gosto de espreitar antiquários mas a ganância faz-me urticária, tal como o cheiro a mofo de alguns sítios. Como evito respirar enquanto lá estou, as minhas visitas são rápidas.
Aprendi a distinguir a quinquilharia do que tem valor e por isso fiquei, esta semana, contente com umas rifas que comprei: em quatro, calharam-me duas coisas jeitosas.
No meu tempo de belas-artes era frequentadora assídua da feira da ladra e fiz lá compras que ainda guardo. Aí comprei o meu melhor serviço de talher, que vinha numas caixinhas de cartão de florzinhas cor de rosa que guardo no sotão. Custou-me 6 contos, o que era o mesmo que dizer que foi dado. Calculo que colaborei num crime, comprando a um ladrão; ou que terá sido subtraído a uma colecção duma mãe desesperada por ver o filho na droga, mas isto sou eu fazer o filme. Comprei até um biombo arte-nova que um vizinho tomou como sendo seu.
Canetas
rotring, escantilhões, diverso material de desenho e um livro de capa verde que me foi fundamental para fazer os dois anos de Geometria Descritiva do curso. De toda essa tralha que guardo, perdi o livro nas sucessivas mudanças de casa ou simplesmente porque o emprestei. Emprestar livros é o que dá - desaparecem porque muita gente não lhes tem apreço. Assim aconteceu à minha mãe, que emprestou um livro que a entristece não reaver. A alegria do meu dia foi que consegui encontrá-lo... numa feira de usados. É o destino. Não tarda estarei nas antiguidades eu própria.