30 novembro 2010

minha casinha

Por estes dias, tenho a sensação de morar num pardieiro. Desculpem quem me lê, se me lê, e me repito. A minha casa continua num sexto andar, não se moveu nem um centímetro, nem sequer foi solidária. Encontro os meus vizinhos na escada, onde paramos para conversar enquanto retomamos fôlego. É aliás, graças a esses momentos, que noto que mora cá mais alguém além de mim. Já não se ouve o sobe e desce do pesado elevador, já não se batem portas porque se anda cansado demais para tamanha ousadia.
Aproveitam-se as saídas para se levar tudo o que é necessário para o dia; isso obriga a repensar a rotina e com os inerentes resultados positivos.
Recentemente instalou-se um sistema económico/lógico (sim, isso tudo) de iluminação na escada que liga apenas quando é necessário. O sistema que todos elogiámos, deixa-nos agora poucas alternativas: ou se desce e sobe rápido ou se fica às escuras. Além de tudo o que carregamos, inserimos nos bolsos mais um objecto: uma lanterninha.
Dói-me a perna ex-partida e aparafusada; fico grata pelo exercício grátis que não faria no ginásio. Nenhuma aula de step sortiria este efeito de chegar cá acima e continuar para o sétimo porque se tem fôlego.
Quer isto dizer que estou no bom caminho na estrada da minha recuperação a nível muscular? Talvez. PT, é verdade?

29 novembro 2010

28 novembro 2010

sam* revisited
























Fiz umas centenas de quilómetros para reencontrar alguns cromos da minha juventude. Pretendia-se bater um record que ficou aquém por um punhado de lambões que não quiseram apanhar frio. Talvez a divulgação não tenha atingido o seu alvo; talvez grande parte dos antigos alunos estão fora, tão longe que não puderam marcar presença, talvez o objectivo mais importante nem fosse figurar no Guiness. A ideia foi fantástica, houve sorrisos e abraços por todo o lado, mas alguma timidez em cumprimentar velhotes, gordos e carecas, pessoas em que se transformaram os jovens com quem partilhamos tantas aventuras. Reencontrar a melhor amiga, o primeiro namorado e brincar com isso; ser reconhecida pelos amigos do meu irmão para quem sempre fui uma criança, fazer adivinhas para recordar nomes. Comer um rancho enquanto se regelava...
*Escola Secundária Alves Martins
eada genuína


23 novembro 2010

omo pode
um pardal cantar sem cessar.
Se é noite, chove, faz frio, dizem que faz fome e penúria e que mais ninguém tem vontade de cantar.

22 novembro 2010

levada ironia



Morar com vista de mar tem as suas contrariedades. Quando os elevadores avariam, ou melhor, quando os dois elevadores avariam, para apreciar a vista há que subir seis andares a pé, coisa que não é favorável à minha actual condição física.
Acabaram-se as desculpas; não há dor, não há cansaço. E é se quero vir dormir a casa.

19 novembro 2010

nsónia


Já estou mais ou menos habituada a acordar a meio da noite com os gritos da cadela Lolita, acorrer a acordá-la do sono. Não sabia que viria a acordar com os gritos de um vizinho. Um misto de dó e receio invadiu-me quando me estremunhou. Medo do desconhecido; dó porque calculo quão pesado deve ser o fardo de ter um filho diferente, vê-lo crescer e ver-se impotente para recuperá-lo. Envelhecer e perceber que ninguém tomará as rédeas da sua vida.

18 novembro 2010

onversas de mulheres

Havia dias que estava marcado: o almoço seria num sítio perto e não poderia durar mais de que uma hora. Éramos 6 e todas tinham muito que fazer. Compromisso inadiáveis. Horas marcadas. Impossível ficar mais.
Chegámos tarde e a conta-gotas, barafustando, descarregando lamurias nas empregadas que não reservaram mesa e se atrapalhavam a cada pedido. Com a retirada de outros comensais, ficou o espaço propício à conversa. Afinal não era nada que não pudesse esperar...

15 novembro 2010

omantismo

Já não bastava ler pelas paredes da Parede "Elias, o cantor mais romântico do Brasil", chega-me agora um pedido de amizade de um tal" Léo Junior Cantor Romântico"...
enfica


Sara estava tristonha e todos a olhavam com curiosidade. Corria a notícia de que chorara mas ninguém sabia porquê nem o que tinha acontecido. Quando lhe deram a palavra, explicou que se tinha sentido muito mal porque tinha sido o Benfica. Que não sabia como era possível ter chegado àquele ponto e que chegou até a chorar (pôs a mão no peito mostrando quanto lhe doeu na alma); que se fosse outro qualquer, não lhe custaria tanto. Alguns pormenores não captei porque precisei perguntar qual tinha sido o resultado ao fim do jogo.
Eu estava estupefacta - não a sabia uma adepta fervorosa embora a conhecesse mal.
Benfica era um cão.

13 novembro 2010

ambada de anormais


A vizinha rasca que mora no rés do chão é a minha bitola em relação aos que dizem que adoram! animais. Tem um passarinho amarelo sozinho numa gaiola onde não voa e deixa-o na varanda noite e dia. Tenho dito.

11 novembro 2010

emórias incoerentes


Recentemente e por razões da presença prolongada da minha mãe em minha casa, descobri a RTP Memória. Lamento não saber de quando datam a maioria dos programas sem serem os jogos de futebol. O pior é que a publicidade me confunde por ser actual. Seria bem bom relembrar propaganda e ser coerente nas antiguidades.

ma eflicidade nunca vem só


"EFLISMENTE UMA DAS CADELAS QUE O MEU VEZINHO TEM TEVE CRIAS ELE CRIA OS MATAR MAS EU NAO DEICHEI TEM UM SEMANA PERSIZO DE DONOS HORGENTE COSEGUI COVENSELO A FICAR COM ELES ATE TEREM UM MES ASIM QUE TENHA FOTOS DOS BEBES PONHO VAO FICAR DO TAMANHO MEDIO EM PRENCIPIO SAO 8 MAS NAO TEMOS A SERTEZA POK A MAE N DEICHA ME CHEGAR LA PA VER.. AGRADESO AJUDA DE TODOS VOSES BG.."

É assim que a malta escreve. What else?

07 novembro 2010

evolução?


Ando preocupada. Não ando preocupada comigo mas com quem gere a minha vida a nível superior e fez uma grande borrada. Tenho, porém, muita esperança de que a crise de que todos falam até já não se poder ouvir falar dela, tenha efeitos muito positivos: que traga uma nova consciência sobre o consumo.
Que acabem os carros de supermercado carregados de minis e bolachas e sem "espaço" para um saquinho de ração para cão (oh, como odeio estes exageros); que se extingam os excessos de carne que levam à morte desnecessária de milhões de animais (abomino os corredores de carne nos supermercados, evito-os, fujo deles, agoniam-me); que acabem os excessos de binquedos, de lixo, de roupas, de quinquilharias, de inutilidades.
Não acredito numa revolução na publicidade; parece-me até que as estratégias de marketing tenderão a ser mais agressivas. Mas irão os consumidores pensar duas vezes? Espero que sim. Caminharemos graças à crise para uma sociedade de menos consumo e mais justa? Olharão deste modo as pessoas mais para si? Mais para dentro do que para fora? Tenho que ter fé nisso.

02 novembro 2010