31 dezembro 2007
espiral
30 dezembro 2007
Eyes Wide Shut
oisas que valem a penaNestes últimos dias do ano, o TVC1 ofereceu-me um brinde: permitiu rever "Eyes Wide Shut", de Stanley Kubrick! O filme prende até ao (inusitado mas coerente) fim por inúmeras razões, mas o cenário pormenorizadamente bem pensado obriga o olhar a percorrer todo o espaço visual do ecrã, porque nada de nada foi deixado ao acaso. Muito menos a banda sonora, de Jocelyn Pook. (A cena das máscaras, cuja escolha criteriosa em função das expressões, das cores, das texturas, a precisão da rotação das cabeças conjugada com a música, é impressionante). Genial.
29 dezembro 2007
meu presépio
meu presépioComo já não bastava o incómodo que é o natal, com as infinitas perturbações habituais, fui presenteada com uma febre estúpida que me deixou mazelas que resistem à expulsão (penso até que a existência deste post se deve à debilidade que me acomete. Paciência, foi natal).
Não terá sido o pai natal que a trouxe, que eu sou pouco dada a esse modernismo. Para mim, quem traz as prendas, ainda é o menino jesus e é por isso que não desisto do presépio.
O meu presépio é barroco, do género Machado de Castro, cheios de anjinhos e figuras ondulantes, carregadas de histórinhas para contar. Nada que se compare com o que tenho e muito menos com os presépios que fazia com o meu irmão, quando, no início de dezembro íamos ao Fontelo apanhar musgo; e depois fazíamos declives com caixas empilhadas que simulavam meia dúzia de montes; num deles havia um moinho e um moleiro montado no seu burrito; e havia um lago feito com papel de prata, povoado com patinhos; uma ponte e muitas ovelhinhas ao pé do pastor e um castelo no ponto mais alto. Não se sabe bem porquê, neste povoado tipicamente beirão, apareciam três camelos que se dirigiam a uma gruta, feita de casca de árvore, onde metíamos uma luzinha sempre acesa. Isso sim, era um presépio. E não havia problemas do género: na tua casa, ou na minha?
24 dezembro 2007
21 dezembro 2007
esesperos

esesperos
As compras de natal, isto é, toda e qualquer compra que tenha que ser feita nos dias que antecedem o natal, desespera-me. A maior parte do tempo é gasta não a fazer escolhas, mas simplesmente a desviar-me das famílias que se arrastam pelos corredores, em bando, apenas porque não têm mais nada que fazer. Mas o pior é quando, no fim deste doloroso processo, tenho que aguardar pa-ci-en-te-men-te que um inapropriado empregado, digo, colaborador, como é bem dizer agora, se despache a fazer o embrulhinho. Esse sim, é o meu momento de desespero. Por isso, antecipo-me e vou pedindo o papel, que depois embrulho isso em casa. Eu quero é ver-me livre daquilo tudo depressa, mas nunca consigo! E quando finalmente me vejo embrenhada numa longa fila de carros para sair do estacionamento, de regresso a casa, recebo um telefonema da loja de onde tinha acabado de sair, avisando-me de que lá tinha deixado um saquinho azul. Tremi! Tenho que voltar aí? Guarda-mo? Posso voltar outro dia? É que isso não me faz falta hoje! Sim, prefiro voltar depois, assim como assim, aposto que me esqueci de mais outra pilha de coisas.
Tudo isto aconteceu depois de ter aderido a uma geringonça que nos faz fazer o trabalho que era suposto alguém fazer para nós. Refiro-me às pistolas que substituem as caixas nos supermercados. Do ponto de vista humano, é obviamente uma questão delicada, mas atendendo às filas intermináveis para fazer pagamentos, não hesitei. Janota, cumpridora das instruções, diriji-me a um painel onde tinha que passar o cartão. Tlim! Acendeu-se uma luz e não era por ser natal, era para eu saber que era aquela pistola que iria usar. Em três tempos fiz todas as compras emergentes, que encheram os três sacos que me ofereceram por ter aderido àquela modalidade; é curioso, comprar as coisas disparando sobre elas. Não, não consegui fazê-las desaparecer. Sei que foi rápido, eficiente e calculo que poupei muito tempo. Mas como não há bela sem senão, amanhã terei de voltar lá par ir buscar o tal saquinho azul...
20 dezembro 2007
a propósito de gostos musicais ecléticos
propósito de gostos musicais ecléticos * (mesmo correndo o risco de algumas pessoas ficarem desiludidas comigo)Há meia dúzia de anos tinha um vizinho adolescente que ouvia música em altos berros (não era só a música que que aquela família nos fazia ouvir em altos berros, era também as "conversas" dos pais e dos irmãos e de todos entre si!).
Não é que a música naquele volume me desagradasse; o bom som, alto, é até uma terapia que recomendo vivamente. O que era mesmo muito mau, é que o rapaz, mal os pais saiam de casa, tocava vezes sem fim os "Morangos do Nordeste", música que fazia parte da banda sonora de uma telenovela em voga na altura. Aquilo era insuportável e foi assim dias, semanas a fio, até o próprio se fartar da música, o que terá acontecido muito tempo depois de os velhinhos do lado verem agravados os seus problemas de parkinson e os mais novos terem adquirido problemas auditivos permanentes. Eu própria achava que nunca mais na vida iria conseguir ouvir aquele desastre. Mas não. Pouco tempo depois, e porque era verão e o verão é condescendente e no verão tudo se torna mais leve, os morangos do nordeste acompanhavam-me para todo o lugar, não que os levasse comigo, mas porque aquilo tocava em todo o posto de rádio, em todo o lugar de compras, em toda a romaria. E passaram a fazer parte das músicas que têm aquela capacidade de alterarem o meu estado de espírito, que vacila entre o alegre e o sentir verdadeiramente imbecil por ter prazer em ouvir tal coisa.
Hoje senti algum conforto enquanto ouvia o Markl pela manhã; contava ele, a propósito do Gato Fedorento e da (in)capacidade que cada um tem para dançar, que um dia tinha surpreendido o Zé Diogo Quintela a dançar (parece que ele é o único capaz de o fazer, conforme o demonstrou já publicamente), sozinho no gabinete e muito satisfeito, os morangos do nordeste. Ora foi aí que eu me senti menos imbecil porque afinal parece que não sou a única a quem sabe bem "ouvir" isto. De vez em quando, mas muito muito de vez em quando, raramente, uma vez por ano, uma vez de dois em dois anos, nem que seja porque na verdade, desperta a vontade de mexer a anca ou as pernas ou mais ainda e isso é bom.
19 dezembro 2007

rritações
Uma coisa que me irrita é a mania que alguns autores (leia-se cantores)
têm de fazer seus os êxitos de outros. Refiro-me em particular ao insistente David Fonseca, que com um certo trejeito psedo-moderno repisa Rocket Man, do Elton Jonh. Pior ainda é o facto de não ter melhorado em nada; a música já não era grande coisa, mas ele conseguiu estragar mais um pouco. Essa mania já tinha começado com A Little Respect, quando ninguém acreditava que aquilo já tinha sido um sucesso dos Erasure. Começa a ser demasiado irritante. Mudo de posto.
18 dezembro 2007
16 dezembro 2007
há coisas que queria não saber fazer
há coisas que queria não saber fazer
É preciso coser um botãozinho e dar um jeitinho numa bainhínha. Coisinhas rápidas, penso eu, faço isso num instante. Vai-se a ver e anda para aí um outro botão perdido, e mais outro, de onde será?
E estas calças que estão descosidas aqui...deixo para depois...não, já agora...que estou com a agulha na mão...é só mais um... Tic. tic, tic, faço isto com a máquina, é mais rápido e fica melhor. Vou buscá-la num instante. Mas já agora, que a tenho aqui, coso mais esta saia que está a precisar, tic, tic, tic, já está. E estas bolsas que gosto de fazer? Só uma, que ainda é cedo, ainda dá tempo... (Há dias, alguém que muito prezo, escrevia qualquer coisa do género, com uma outra vertente...) Enquanto me embrenho nos panos, tenho liberdade para pensar, o que é uma coisa que também gosto de fazer; vou planeando o resto que tenho que fazer hoje, amanhã, por estes dias e começo a achar que o tempo não chega para fazer tudo, principalmente para o que quero fazer, quando o dever fica para segundo plano. O dia devia ter 36 horas, se perdemos tantas a dormir e outras tantas a cumprir deveres. Não censuro a minha mãe por me ter ensinado a fazer coisas; ela ensinou, mas (pior para mim) aprendi a tirar prazer disso. Ela terá feito apenas aquilo que a sua própria educação lhe tinha ditado, que uma mulher deve ter que saber fazer de tudo em casa. Mas ela não sabia que há mulheres não precisam, só por o serem, se desdobrarem em tantas e que não é só em casa que precisam saber fazer. Já agora, vou ali à cozinha fazer o almoço, que se faz tarde.
É preciso coser um botãozinho e dar um jeitinho numa bainhínha. Coisinhas rápidas, penso eu, faço isso num instante. Vai-se a ver e anda para aí um outro botão perdido, e mais outro, de onde será?
E estas calças que estão descosidas aqui...deixo para depois...não, já agora...que estou com a agulha na mão...é só mais um... Tic. tic, tic, faço isto com a máquina, é mais rápido e fica melhor. Vou buscá-la num instante. Mas já agora, que a tenho aqui, coso mais esta saia que está a precisar, tic, tic, tic, já está. E estas bolsas que gosto de fazer? Só uma, que ainda é cedo, ainda dá tempo... (Há dias, alguém que muito prezo, escrevia qualquer coisa do género, com uma outra vertente...) Enquanto me embrenho nos panos, tenho liberdade para pensar, o que é uma coisa que também gosto de fazer; vou planeando o resto que tenho que fazer hoje, amanhã, por estes dias e começo a achar que o tempo não chega para fazer tudo, principalmente para o que quero fazer, quando o dever fica para segundo plano. O dia devia ter 36 horas, se perdemos tantas a dormir e outras tantas a cumprir deveres. Não censuro a minha mãe por me ter ensinado a fazer coisas; ela ensinou, mas (pior para mim) aprendi a tirar prazer disso. Ela terá feito apenas aquilo que a sua própria educação lhe tinha ditado, que uma mulher deve ter que saber fazer de tudo em casa. Mas ela não sabia que há mulheres não precisam, só por o serem, se desdobrarem em tantas e que não é só em casa que precisam saber fazer. Já agora, vou ali à cozinha fazer o almoço, que se faz tarde.
14 dezembro 2007
que me veio parar às mãos
que me veio parar às mãosHá músicas que têm um efeito extraordinário. Redescobri recentemente os Blur e músicas que nem me lembrava que são eles que as tocam. Gosto em particular desta - The Universal - que tem uns pozinhos de Moody Blues, dos Oasis, entre os ingredientes necessários para me deixar bem disposta. Não é que a letra me diga alguma coisa mas a título informativo, aqui fica.
This is the next century
Where the universal's free
You can find it anywhere
Yes, the future has been sold
Every night we're gone
And to karaoke songs
How we like to sing a long
Although the words are wrong
No one here is alone, satellites in every home
Yes the universal's here, here for everyone
Every paper that you read
Says tomorrow is your lucky day
Well, here's your lucky day
Well, it really, really, really could happen
Yes, it really, really, really could happen
When the days they seem to fall through you, well just let them go
Just let them go
11 dezembro 2007
aviso
aviso
Parece que é de bom ter começar um blogue com uma nota de boas vindas. Não é que as questões de boa educação me preocupem, mas já agora, advirto os incautos que assim já sabem ao que vêem.
A ideia de recolher as mil e uma coisas que faço já vem amadurecendo há algum tempo. Esperar que esta ideia amadureça é um equívoco porque na verdade, poucas coisas em mim amadurecem – o tempo passa e elas mantém-se na mesma; diferença é que um dia elas aparecem, mas tal e qual como no dia em que surgiram na minha cabeça. Está assim justificado o facto de muitas das tralhas que (estou mesmo a ver) vão preencher este espaço possam não ser actuais; garantia aqui há só uma, a da genuinidade do que por mim vai saindo (ou reconstruindo). Ok, genuinidade, aqui, não remete para a mínima presunção, apenas para uma questão fundamental para mim, que é a de querer ser rigorosa em relação às fontes que me inspiram (presumir que há inspiração sim, isto sim, é presunção!).Colocar coisas neste espaço é, possivelmente, fazê-las perdurar por mais algum tempo do que arrumá-las numa pasta que mais tarde ou mais cedo vai parar ao caixote do lixo mas, quem sabe, talvez o próprio espaço virtual não esteja muito longe disso.
A ideia de recolher as mil e uma coisas que faço já vem amadurecendo há algum tempo. Esperar que esta ideia amadureça é um equívoco porque na verdade, poucas coisas em mim amadurecem – o tempo passa e elas mantém-se na mesma; diferença é que um dia elas aparecem, mas tal e qual como no dia em que surgiram na minha cabeça. Está assim justificado o facto de muitas das tralhas que (estou mesmo a ver) vão preencher este espaço possam não ser actuais; garantia aqui há só uma, a da genuinidade do que por mim vai saindo (ou reconstruindo). Ok, genuinidade, aqui, não remete para a mínima presunção, apenas para uma questão fundamental para mim, que é a de querer ser rigorosa em relação às fontes que me inspiram (presumir que há inspiração sim, isto sim, é presunção!).Colocar coisas neste espaço é, possivelmente, fazê-las perdurar por mais algum tempo do que arrumá-las numa pasta que mais tarde ou mais cedo vai parar ao caixote do lixo mas, quem sabe, talvez o próprio espaço virtual não esteja muito longe disso.
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