22 dezembro 2008

Traída pelo coração - Parte I

raída pelo coração - Parte I

(novela, ou lá o que é, inspirada pela vida real e contada ao jeito do Corin Tellado)

Sissi anda triste e são vésperas de natal: uma directiva da mãe proíbe-a de sair de casa sozinha.
Lembra-me o tempo em que eu mesma me zangava com a minha mãe porque ela não me deixava cumprir as combinações que fizera de véspera com as minhas amigas. Eram dias de sofrida angústia, parecia que acabava o mundo. Não havia, a meu ver, nada que o justificasse e a minha mãe nunca foi pessoa para explicar as suas razões.
Sissi angustia, pede ajuda mas ninguém lhe pode valer, ordem de mãe é para cumprir. O problema reside na nova paixão, por quem ela tem uma grande inclinação: ao rapaz faltam-lhe uns bons centímetros à altura e não cumpre outros requisitos exigidos para o cargo. O preconceito leva à rejeição de treinadores de futebol ou de outro desporto por muito elitista que seja e este tem a sorte de ser um desses. Sissi está, portanto, em maus lençóis, até porque tinha preferido manter o segredo, pois já adivinhava os conflitos. Um dia, desconfiada, a mãe apareceu-lhe ao caminho e desde então acabou-se o sossego naquela casa. A falta de transparência paga-se caro e Sissi vive atormentada entre o seu querer e o querer da mãe, que espera pelo Natal para discutir a questão com a G. Há mães assim, que não conseguem tomar decisões sem o conluio de outros e filhas que não têm como ir contra elas. G está furiosa, porque havendo tanto rapaz disponível, não havia necessidade de haver tamanha inclinação. E que tem G a ver com isto? Ora G é uma pessoa com um coração do tamanho da conta bancária, que preenche com muito e árduo trabalho, e que tem estado sempre presente nos momentos difíceis. Sente-se portanto, com o direito de opinar e intervir sobre tudo aquilo que se passa com Sissi, principalmente no que diz respeito à sua vida sentimental - aquela vertente da vida capaz de mais vezes hipotecar o futuro de certas raparigas.
Sissi aproveitava os bocadinhos sozinha para comunicar com o namorado e os momentos mais agradáveis quem lhos proporcionava era o Bobby, o seu melhor, único e confidente amigo, que a acompanhava para toda a parte e que tinha o seu relógio intestinal programado para tarde, depois de jantar. Sissi punha a sua vida em dia na companhia do cão, que se revelava ser extremamente compenetrado no papel que lhe coubera – nunca contou nada a ninguém. Agora é a mãe que o passeia e se Sissi quer ir, ela acompanha-a; o telemóvel devidamente resguardado no bolso das calças.
Ser jovem é uma chatice redobrada quando há perfis traçados pelos outros. Sissi terá em breve que fazer opções. Prevejo-lhe um natal estranho, difícil e uma passagem de ano pouco divertida, já que se foram por água abaixo os seus planos para começar o novo ano com os afectos bem-aventurados do namorado, que a trata como a uma princesa.

(continua para o ano)

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