29 março 2009

n the heat of the night

há certas e determinadas coisas que pensamos que as pessoas mais velhas sabem melhor de que nós. Nas raras vezes em que (des)organizo encontros com mais de duas pessoas, tento pensar sempre o modo como se vão deslocar e se há lugar fácil para pôr o carro (reconheço que grande parte das vezes se há é fruto do acaso, mas pelo menos preocupei-me...). Há porém, quem não pense nisso.
Na sexta feira recebi um convite que me lisonjeou por ter sido feito por um dos amigos mais antigos do meu falecido pai; era a primeira vez que ia jantar sozinha com eles. Explicado o percurso e marcada a hora, fiz-me à estrada rumo ao Rossio, tendo já planeado que o melhor sítio para estacionar seria num parque público para facilitar o evacuação em hora tardia. Não estava no meu plano ter que contornar o acesso proibido pelo Terreiro do Paço, pelo que me vi obrigada a subir pelas traseiras do Marim Moniz já de noite. Portas trancadas contra o meu hábito mas recordando a sensatez da CN, acelarei sem ver os dentes brancos que luziam no beco... Estacionei perto da guarita do guarda nocturno e fiz-me anunciar ao amigo do meu pai, que aguardava a minha chegada; segundo ele, o restaurante era mesmo ali ao lado..., que esperasse um bocadinho. E eis-me numa qualquer esquina da Praça da Figueira, às nove da noite, aperaltada, de ramo de flores em riste, sozinha, aguardando um homem que tardava a chegar. Senti-me tentada a perguntar às mulheres encostadas às paredes, de perna dobrada, onde era o Poço do Borratém mas o nome soava-me mais ridículo do que a figura que eu estava a fazer. Por fim, ele chegou e subimos as cerca de cem escadas que nos levavam colina acima a um restaurante que conheciam havia anos, que tinha uma cozinha de estalo... Um jantar de anos rodeada de pessoas que, naturalmente, me conhecem muito mal e eu a elas mas com quem consegui manter uma conversa que pelo menos a mim me pareceu normal. (...)
Era quase meia-noite, dali a pouco tempo haveria de voltar àquele sítio e tinha saudades do meu animal de oito patas. Ainda tinha que levá-lo à rua, mas antes teria de inverter o assustador percurso; despedi-me, agradecendo, com muita pena de ir, mortinha por me pôr a andar.
Inverti o percurso, descendo as íngremes escadinhas calmamente nervosa; as mulheres tinham desaparecido quase todas e viam-se magotes de gente estranha e mal cheirosa. As entradas do parque estavam fechadas embora se pudesse ler "aberto 24 horas"; um polícia refastelado no banco do carro indicou-me um elevador envidraçado mas que me depositou na entrada do metro. Dirigi-me ao guarda da estação que me respondeu "Ainda agora esse polícia mandou quatro pessoas ao engano". Volto à superfície para queixar-me ao polícia - pediu muita desculpa e aponta-me como solução a rampa de acesso ao parque. Três euros e dez depois, estou a caminho de casa. Mais contente que eu? 8 patitas aos pulos.

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