14 março 2009

s vigilantes da parede
Poder-lhes-ia chamar os watchmen da parede mas eles não têm armas para além da poderosa fala, mentes ginasticadas e olhares aguçados; além do mais, eu não vi o filme (devo ser uma das duas pessoas que ainda o não viram, mas a verdade é que o meu tempo, ao contrário de mim, não se tem esticado o suficiente).
O mesmo não posso dizer dos empregados da pastelaria que, colocados em pontos estratégicos atrás do balcão e na mira da televisão, sabem sempre tudo o que acontece dentro da loja e fora do país. Foram esses vigilantes que ontem me retiveram para me falar da sua revolta pelos factos reais: um rapazinho contava-me, indignado, com vontade de fazer justiça pelas próprias mãos de que, na Inglaterra, um jovem terá entrado na escola onde andara e disparara tiros indiscriminadamente sobre quem estava vivo; depois, chegava junto da vítima, via que mexia, e dava-lhe mais tiros até a matar. Isto tudo porque pertencia a uma família das mais ricas lá de França e o pai tinha armas em casa. Lá, em Espanha, todos podem usar armas. Fiquei seriamente confusa, até porque cria que aquilo tinha acontecido na Alemanha. O rapaz atreveu-se a concluir que isso é tudo consequência da falta de educação. Alertada pelo tema, a vizinha de balcão introduziu a sua própria revolta contra os velhos gananciosos, que quando entram no autocarro dão encontrões a toda a gente para conseguirem lugar sentado. A sua revolta era tanta que chamara muitos nomes feios a uma velhinha que deu com a mala na cabeça da sua filha de cinco anos para a impedir de entrar antes dela.
Fora da pastelaria, aliviada por me safar daqueles dois, passeava o meu animal de oito patas e cruzei-me com uma "daquelas velhinhas" atrelada a um cãozinho. É um dado adquirido que os cães são elementos importantes na socialização das pessoas - graças a isso, já conheço mais vizinhos que de outro modo nunca chegaria sequer a cumprimentar. Pois essa senhora chegou-se-me, dizendo que eu devia comprar no Ikea um rolo com saquinhos pretos de plástico para os cocós de cão; que são maiores do que os que a câmara coloca nos dispensadores. Agradeci o conselho que ão tinha pedido e ela afastou-se. Enquanto isso, o Kiko fazia um grande cocó na relva do jardim. Subitamente, a velhinha está de novo ao pé de mim e diz: "Então? Não apanha isso?".
Ai se eu trabalhasse na Lua-de-Mel...

Sem comentários: