arafusos desapertadosNão deve haver tanto desaparafusado por metro quadrado como no lugar onde moro. Aviso os incautos do perigo que é circular distraído pelo centro da Parede. Não falo de maltrapilhos nem pedintes. Falo de pessoas bem arreadas, com aspecto à primeira vista normal, mas que denunciam loucura quanto mais não seja quando começam a falar.
Estava uma senhora a tomar o seu cafezinho em pé quando se aproxima um rapaz com nítida mania das limpezas. Passava a mão repetidamente no vidro do balcão até não ficar uma migalhinha mas apenas a gordura das suas delicadas mãos. Pediu um café e virou-se para a senhora: "Já não a via há muito tempo", "Ah...", "Já pr'aí desde que dava os marretas na televisão... já vão pr'aí uns vinte anos ou mais!... lembra-se do sapo Cocas?".
Outra coisa que pode acontecer é levar um encontrarão por outro género de tolinho que dispara a correr sem avisar. Conheço, pelo menos dois: uma velhinha, de sapatilhas, com cabelo grisalho e de braço eternamente ao peito, mas que corre desenfreadamente sem destino e sem mais nem menos; um rapaz muito vaidoso que se olha nos espelhos das lojas e que habitualmente usa uns grandes óculos escuros apenas com uma lente.
E há uma senhora muito elegante mas com poucos dentes, com barrete de lã faça chuva ou faça sol, que guarda um jornal atrás das caixas de electricidade e que agacha para arrancar pedras da calçada.
Estranho passatempo, não o de recolher pedras, mas este de apreciar maluquinhos, heim?
2 comentários:
Um amigo meu apanhou uma pressão de ar que eu tinha comprado e, logo ali no escritório, fez uma demonstração de ombro arma e outras coisas que aprendera na tropa. Depois aponta para o fim do corredor onde estava um velhote de calções a apanhar umas caixas e grita: Pum! Em cheio na nuca! Aquele já era! Eh Eh! E devolveu-me a carabina.
Mora na Parede.
Ah!Ah!Ah!
Afinal alguém já tinha constatado isto antes.
Será contagioso?
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