09 abril 2009

pontamentos pascais - 1


















Tempo de páscoa é tempo de padrinhos se lembrarem que têm afilhados e eu tenho oficialmente três. Quando pensei escrever umas palavritas aos meus afilhados, sinal de que me lembrei que os tenho e minorando o problema de os não ter ao pé, fixei-me num repetitivo registo piroso, apesar dos esforços para o afastar. Isto é tão verdade quanto a confissão que agora faço: vinham-me à lembrança apenas estas letras e a respectiva música - to all the girls I've loved before, who travelled in and out my door, I'm glad they came along, I dedicate this song, to all the girls I've loved before. Numa penada, o Júlio resolveu os seus inúmeros problemas, aparentemente tantos quantas mulheres lhe passaram pelo bico. Afastado finalmente, o refrão esvaziou-me a mente de tal modo que não sei o que dizer a cada um dos três.

Como toda a gente sabe (era assim que o meu afilhado F começava todas as suas histórias), os afilhados não se escolhem - os escolhidos são os padrinhos e as mardinhas (tal como F dizia em pequeno). Adivinho os motivos pelos quais me ofereceram a tripla incumbência, mas não sei se tenho cumprido o papel que me estava destinado. Como não estou perto, os folares vão esperar porque a mim, e a dois deles também, a vida mudou.

Se o F, o único menor, foi forçado a mudar de vida, PJ mudou por opção. PJ é um duplo afilhado - não um duplo de afilhado, que não planeei cenas perigosas para esta aventura, mas afilhado de baptismo e de casamento, já que uma desgraça nunca vem só. Germânico de nascimento mas filho de pais beirões, surpreendeu-me recentemente porque fez uma mudança radical no rumo da sua vida. Trocou um emprego corrediço, na medida em que andava sempre na estrada, por uma actividade musical: anima festas. Transformou-se portanto, num afilhado dos sete instrumentos e uma voz, a quem ainda não ouvi cantar.
Este triângulo escaleno não fica completo sem o vértice T, transalpino de nascença, o único do meu sangue e curiosamente o que está mais longe. T já tem idade bastante para que não lhe dê um livrinho que facilite o português e as amêndoas (da Provir...) dificilmente chegariam ao destino - a falha tectónica poderia engoli-las. Resta-me, portanto, registar publicamente, o meu apreço janota por ele.

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