29 junho 2009

que é que dá hoje?

Michael Jackson morreu e o meu cão não sabe. Deve ser dos poucos seres que não sabem, embora não se fale doutra coisa na televisão. O meu cão tem um gosto selectivo, não vê qualquer coisa. O Sócrates é-lhe indiferente e não sei se gosta das tardes da Júlia porque não estou cá para ver mas, não raro, estão os dois (Kiko&Lolita) em frente à televisão quando chego a casa. Não sei se é porque o sofá está virado para a tv ou e se é porque o comando costuma estar em cima do sofá...

Diversas são as opiniões acerca da questão, mas os factos são incontornáveis. Os cães vêm a cores e têm capacidade para ver televisão, embora o faça de modo diferente do nosso. Na sua versão reduzida do espectro visível de cores pelos humanos, havia de retirar-se verde, vermelho e amarelo, que são cinza para eles. Além disso, a visão do cão não tem a capacidade cinemática da humana (seria preciso que a imagem passasse mais lentamente para que a apreendessem como tal).
Porém, os cães não estão preocupados com a significação, tanto lhes faz distinguir contornos e formas; nenhum dos meus dois cães reparou que eu cortei extremamente o cabelo e não querem saber se as cores de que me visto jogam bem. A eles interessa o movimento, principalmente o movimento de me dirigir às trelas, mas esse movimento torna-se mais importante se estiver associado a um som: Ai o som das chaves!

O Kiko era fanático do extinto "Tinoni e Companhia". Bastava aumentar ligeiramente o som da televisão para que ele galgasse dois andares e se atirasse ao ecrã. Esse programa era patrocinado por uma companhia de seguros e ele conseguia reconhecer essa música noutro contexto.
Outro género seu favorito é a programação do National Geographic, como pode comprovar-se na imagem junta, principalmente felinos, mas também cavalos, javalis, suricatas...

ladrão ataca de novo

Onde pára o ladrão que para além de me roubar os sapatos me roubou a inspiração? Onde diabo se meteu o tempo? O ânimo e a vontade de fazer coisas que estão para lá dos obrigações? Já agora, alguém viu o sol por estes dias?

18 junho 2009

oces amargos

Já não tenho pachorra para a falta de imaginação patente nas listas de sobremesas da maior parte dos restaurantes nacionais. Pensando bem, não se trata de não ter imaginação; trata-se de cortar atalho, de seguir o caminho mais fácil e rápido talvez para cumprir as regras da asae. Embalagens de plástico e de falso barro, com mousses de manga ou de chocolate; tiramisú, doce da neta e da coitadinha da avó, o irritante doce da avó! Já não há pachorra para o doce da avó! Já não há doces que sem natas nem bolos cortados às fatias; já não há bolo de maçã, daquele que se pode mandar aquecer um bocadinho e cobrir com gelado; já não há mousse de chocolate caseira, mas há chantilly com fartura.
Que isto revela uma enorme e irritante falta de brio, lá isso revela.

15 junho 2009

ão há bela sem senão

Fósforos que poupam árvores mas que dão erros.
Com "concelhos" destes, mais vale manter a caixa afastada das crianças, mesmo.

14 junho 2009

m gosto
que eu teria na vida seria o de ver o Siza Vieira sentar-se num destes banquinhos de pedra que ele próprio concebeu; mas haviam de fazer 35º graus e estar sol.
Era só para ele sentir (no sítio certo) a incongruência do seu projecto de requalificação de uma praça em Viseu. Ainda estou para descobrir (eu e talvez a cidade inteira) para que serve este sítio árido no centro da cidade.
úmero um
Aprendem-se algumas coisas durante as horas que dura uma viagem de trezentos e picos quilómetros. Hoje aprendi que existe um top de bandas sonoras de filmes, um dos meus géneros preferidos. Agora que abandonei a minha pequena colecção de bandas sonoras, gostei de saber que tal votação existe e mais ainda, que ganhou a espectacular música do Pulp Fition.

13 junho 2009

istracções
Há problemas que deixamos arrastar simplesmente porque não nos detivemos o tempo suficiente para reparar que a solução estava mesmo ali.

12 junho 2009

visitações

Sabe bem ver que os anos passam e algumas coisas de mantêm vivas para além de nós.


08 junho 2009

ssim devera eu ser


Minuciosa formiga
não tem que se lhe diga:
leva a sua palhinha
asinha, asinha.

Assim devera eu ser
e não esta cigarra
que se põe a cantar
e me deita a perder.

Assim devera eu ser:
de patinhas no chão,
formiguinha ao trabalho
e ao tostão.

Assim devera eu ser
se não fora
não querer

07 junho 2009

ou
otar
mas antes, descobrir onde é que voto. Se o meu voto valesse para impedir a vergonha de ter aquele senhor de cabelo branco e ar e discurso de merceeiro a representar-me na Europa...
fa!
Havia muitos dias que este trabalho se arrastava. Deu-me muito prazer fazê-lo, mas as condições não eram favoráveis. Depois de longo serão de actividade repetitiva e à beira da tendinite, as trezentas e cinquenta caixas ficaram em pé. Não se trata de pirataria informática, não são dvds "policopiados", são somente convites para uma megalómana festa de anos.
mplie-se!
Porque assim prova-se que isto não está a caminho de su, é mesmo real :)

06 junho 2009

esitações

Acontece-me muita vez não saber como agir perante pessoas que conheço mal. Uma noite destas estacionei o carro ao lado de um outro que tinha a luz interior acesa e que reconheci como sendo de um vizinho. Tive vontade de o avisar de que corria o risco de na manhã seguinte não ter bateria, mas hesitei. Devo avisar, de acordo com a minha consciência? Calo o bico? - soou-me ridículo bater à porta a avisar. O que pensariam eles? Que sou intrometida? Que usei aquilo como pretexto para os conhecer? Diriam nas minhas costas: esta ainda agora aqui chegou e já sabe onde moramos; ou pior, o que tem ela a ver com isso? Por outro lado, imaginava-me a ver a cena no outro dia, capô aberto e ele de rabo alçado, a ligar cabos; talvez sentisse uma pontinha de remorso. Debati-me com a questão durante uma viagem de elevador e decidi não avisar. Mais tarde, porém, cruzei-me com o referido senhor e não resisti a falar do facto. Claro que se desfez em agradecimentos mas nem por isso deixei de me sentir imbecil. Mas porque raio não consigo deixar que estas cenas me passem ao lado?!

05 junho 2009

rovavelmente
este é o melhor tampo de mesa jamais inventado. Fruto do vandalismo (o termo vandalismo é forte, quando aplicado a um simplório tampo de fórmica, não?), este desenho cadeira deve ter feito em cadavre exquis, por um e por outro aluno, numa aula de física, numa aula de filosofia, numa aula de português...(mas nunca numa de geometria!).