óòhnóòsCresci a pensar que havia muitas pessoas corajosas, daquelas que são capazes de romper tradições, ignorar futuros que outros lhe traçaram e adoptar estilos de vida alternativos. Isso parecia-me óbvio no caso de figuras públicas com poses originais e corrosivas, tão mais óbvio quanto a sua capacidade de alterar e influenciar pessoas e multidões. Mas também pensava isso acerca de comuns mortais desiguais que pululavam à minha volta; julgava os outros de acordo com visões que criava deles e inventava-lhes vidas.
Essa visão sonhadora foi-se desboroando conforme cresci e todos os dias se desfaz mais um bocadinho.
Afinal todos vivemos no mesmo mundo e partilhamos igual condição humana. Os outros não têm mais do que vidas normais, com os mesmos grilhões e condionalismos. Têm carradas de filhos que também berram como os demais, têm dívidas ao banco, contas luz para pagar, caixotes com lixo que enchem para despejar. James Hetfield está a construir uma casa com energia solar porque se preocupa com o ambiente. Fernando Ribeiro emociona-se a cantar Amália. E até o preto/branco que devia pensar que era imortal, morreu.
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