angria desatadaHá dias em que nada faz prever o que vai acontecer e que, talvez porque o biorritmo se calhar até influi na forma física, se adivinha um dia penoso. Assim fui: aaarrastando-me até à escola. As aulas até nem correram mal, embora os meus alunos crescidos se continuem a revelar umas verdadeiras crianças e por isso, cansam...
Dia de intensa e diversa actividade na escola: feira de ciências exactas e das outras, com bancas de vendas de objectos realizados com pedras exactas e das outras; bancas de medir colesterois, açúcares, pressões sanguíneas e de outras. A sala de professores dividida ao meio, sendo que metade era onde decorria uma sessão de recolha de sangue para o INS - não resisti a tomar a atitude exacta e tanta vez adiada: dar sangue.
A sala de directores de turma dividida em duas por meio de um biombo pouco exacto, mas que escondia uma tosca secretária com o médico mais escuro que algum dia vi. O senhor ostentava uns óculos tão escuros que não garanto que atrás deles estivessem olhos. Do conjunto sobressaía não a bata branca, mas a gravata amarela aos quadrados sobre uma camisa de xadrez azul e amarelo, perfeito. Após exame médico sumário e pouco exacto, dar foi fácil, dizem e confirmo.
A esta hora, pelo menos um leitor estará a pensar: "fizeste asneira" ao que eu respondo: "deixa lá, só se vive uma vez.
Fuck it".
Meia hora de espera pelo empadão da dona Alice; meia hora para fazer o balanço da campanha recolha de ração e outros, que ajudei a desenvolver. O resultado foi sofrível: cerca de cem quilos de ração (que dará para apenas três dias) e cerca de 290 euros em dinheiro que será aplicado em tratamentos médicos veterinários. As pessoas dizem que gostam "muuuuito de animais", "ai, que querido!" mas quando que chega a hora de dar (15 quilos de ração custavam 8 euros!), tá quieto. Tá quieto, ó preto.
Havia que transportar os cem quilos até à UZ; meti o carro no recinto da escola e tive uma surpresa: percorrer um espaço a pé não é exactamente o mesmo que fazê-lo de carro. Ao fim de uma estranha volta ao recinto de jogos, deparo com cinco funcionários que me aguardavam fazendo sinais: "por ali, por ali" e eu na mesma, que o meu carro não desce escadas; os caminhos largos, pareciam encolher-se. Desisti - o senhor Pedro fez o resto.
Rumo à UZ para recordar sensações que fazem o coração pequenino... Se ao menos as pessoas lá fossem e conhecessem os que os outros fazem aos animais...
Adiante. Rumo à escola; formação na plataforma que dizem ter os dias contados. Ainda bem que a formação também tem: faltam exactamente duas sessões.