30 maio 2009

adosss
Assistir a um espectáculo de fados é uma experiência que quase todas as pessoas já viveram. Mas aposto que poucas tenham assistido a uma noite de fados em sombra chinesa.
rocuro o ladrão
que me roubou os sapatos castanhos! Os sapatos castanhos estavam dentro de um saco de papel, que estava dentro da bagageira do meu carro. Dentro do mesmo saco, estava uma ècharpe vermelha. Dentro do auto rádio estava um cd e o auto rádio estava dentro da consola. O carro estava estacionado dentro duma linha amarela, que limitava um espaço e que dizia PSP. Cuidado: nem no parque da polícia os carros ficam seguros!

26 maio 2009

desafio

Keké tem vinte e dois anos, voltou à escola e a escola deu-lhe uma nova e derradeira oportunidade. O ano lectivo está no fim e ele sabe tanto como há oito meses, como há três ou dez anos. Não falta nem chega atrasado; está sempre a fila da frente, grande demais, enorme para o lugar. As riscas do penteado devem demorar tanto tempo a fazer como as lentas passadas que o levam à sala de aula. Resiste aos nervos que provoca, às descompusturas de que é vitima, às brincadeiras dos colegas que, em vez de terem piedade, lhe acham graça e aos grunhidos que emite. Apesar da indolência irritante, é muito simpático. É incapaz, porém, de fazer aquilo que a escola está lá para lhe dar: aprender.
Hoje pediu-me ajuda encarecidamente, levantando as mãos no ar, que não percebia nada. A folha limpinha, de papel cavalinho tinha meia dúzia de traços delicados, feitos tão ao acaso que quase batiam certo. Estava tudo errado, afinal. Havia que partir do zero. Disse-lhe que não ia deixar de ensinar os colegas e parar a aula por causa dele; que estudasse, que eu estaria ali depois, para o que precisasse. Foi então que me respondeu, com um olhar desafiador e um sorriso trocista:
- Esse é o desafio: conseguir que eu estude!
E ando eu a perder tempo a corrigir testes que não passam de 5.

24 maio 2009






















Uma tarde de domingo e eu desfruto do caderno de exercícios de geometria; de um portátil em vias de formatação; de um convite comprometido (e que tem de sair hoje das minhas mãos); de um irs por submeter, consciencializando o (quase extreme) makeover que infligi a mim própria. Lá fora está fora um dia de sol mas há males piores.
porque não?

23 maio 2009

eatlemania, de novo?

O que se passa é que numa mesma semana vejo o regresso aos Beatles de forma surpreendente. Os meus alunos adolescentes usam tshirts muito giras, de uma marca à qual não me apetece fazer publicidade, com estampagens muito boas. Oiço, num interessante programa de rádio, uma entrevista em que se fala das suas influências em jovens músicos; a esse respeito, o entrevistado (um qualquer músico e bem novinho) salientava a notória tendência nortenha para gostar dos Beatles. Muito me contam; nasci acima do Mondego, incluo-me nessa estirpe, era (e sou) fã dos Beatles e só me falta vestir uma camisola dessas. Oiçamos então uma das minhas preferidas.

22 maio 2009

onversa encaracolada

Sobre o balcão, um expositor com creme facial à base de caracóis (de novo).
- Leve, é muito bom!
- Mas é feito de caracóis...
- E então? Não os comemos? Toda a gente os come.
- Eu não! Que nojo!
- Mas eles não os matam ... eles ... cozem-nos ... não os matam ... e depois... .... depois matam-nos.
isões de uma Lisboa oculta

Raramente recebo mensagens por correio electrónico que mereçam especial atenção. Há excepções, felizmente. De tal modo que lhe dou aqui o devido destaque. Vejamos:

As Galerias Romanas da Rua da Prata, a Sé de Lisboa, o Aqueduto das Aguas Livres, o Bairro Estrela D'Ouro, o Teatro Romano, o Reservatório da Patriarcal, o Convento de Corpus Christi, o Aqueduto das Aguas Livres, o Núcleo Arqueológico da Rua dos Correeiros, o
Pelourinho do Chão Salgado, a Muralha Fernandina, os Moinhos de Vento...

21 maio 2009

cúmulo da burrice
é uma amiga dizer-me que está tão cansada que já não segura o livro que tenta ler e vou eu e passo-lhe para as mãos a trela do cão mais tresloucado que há...

20 maio 2009

angria desatada

Há dias em que nada faz prever o que vai acontecer e que, talvez porque o biorritmo se calhar até influi na forma física, se adivinha um dia penoso. Assim fui: aaarrastando-me até à escola. As aulas até nem correram mal, embora os meus alunos crescidos se continuem a revelar umas verdadeiras crianças e por isso, cansam...
Dia de intensa e diversa actividade na escola: feira de ciências exactas e das outras, com bancas de vendas de objectos realizados com pedras exactas e das outras; bancas de medir colesterois, açúcares, pressões sanguíneas e de outras. A sala de professores dividida ao meio, sendo que metade era onde decorria uma sessão de recolha de sangue para o INS - não resisti a tomar a atitude exacta e tanta vez adiada: dar sangue.
A sala de directores de turma dividida em duas por meio de um biombo pouco exacto, mas que escondia uma tosca secretária com o médico mais escuro que algum dia vi. O senhor ostentava uns óculos tão escuros que não garanto que atrás deles estivessem olhos. Do conjunto sobressaía não a bata branca, mas a gravata amarela aos quadrados sobre uma camisa de xadrez azul e amarelo, perfeito. Após exame médico sumário e pouco exacto, dar foi fácil, dizem e confirmo.
A esta hora, pelo menos um leitor estará a pensar: "fizeste asneira" ao que eu respondo: "deixa lá, só se vive uma vez. Fuck it".
Meia hora de espera pelo empadão da dona Alice; meia hora para fazer o balanço da campanha recolha de ração e outros, que ajudei a desenvolver. O resultado foi sofrível: cerca de cem quilos de ração (que dará para apenas três dias) e cerca de 290 euros em dinheiro que será aplicado em tratamentos médicos veterinários. As pessoas dizem que gostam "muuuuito de animais", "ai, que querido!" mas quando que chega a hora de dar (15 quilos de ração custavam 8 euros!), tá quieto. Tá quieto, ó preto.
Havia que transportar os cem quilos até à UZ; meti o carro no recinto da escola e tive uma surpresa: percorrer um espaço a pé não é exactamente o mesmo que fazê-lo de carro. Ao fim de uma estranha volta ao recinto de jogos, deparo com cinco funcionários que me aguardavam fazendo sinais: "por ali, por ali" e eu na mesma, que o meu carro não desce escadas; os caminhos largos, pareciam encolher-se. Desisti - o senhor Pedro fez o resto.
Rumo à UZ para recordar sensações que fazem o coração pequenino... Se ao menos as pessoas lá fossem e conhecessem os que os outros fazem aos animais...
Adiante. Rumo à escola; formação na plataforma que dizem ter os dias contados. Ainda bem que a formação também tem: faltam exactamente duas sessões.
nde está o animal de oito patas?

19 maio 2009

emédio para as dores
O estado de espírito não era famoso mas isso não me impediu de rir a bom rir com este episódio dos contemporâneos. Para mim, estão na linha da frente.

16 maio 2009

ue se lixe
Um dos vícios que tenho é o de ler enquanto estou a comer sozinha - jornais, revistas e as bulas de medicamentos que são postas de lado até ao pequeno-almoço. Calhou ler a apresentação de um livro (aposto que só) de nome chamativo :"Fuck it".
A proposta é a de uma mudança de atitude perante aquilo que mais nos condiciona. Defendo isso, sim, defendo que se faça, mas que se mande lixar uma coisa de cada vez. Que se lixe o dinheiro; que se lixe a boa educação; que se lixe a hora de dormir; que se lixe a rotina; que se lixe a aula de amanhã? Pois sim, inventemos quaquer coisa para fazer. "Fuck it" terá sido, porventura, aquilo que eu própria disse não há muito tempo. Tão pouco que ainda ando a apanhar as canas. Mas às vezes viro-me para o Kiko e pergunto-lhe: "Que axas? Fizemos bem?".
E não é que o sacana não me responde?

15 maio 2009

njos e demónios
revelou-se aos meus olhos essencialmente um roteiro artístico de Roma. Muito mais do que um corrupio de saias vermelhas, ferros em brasa, explosões e perseguições, o filme mostra e muito bem, a monumental escultura de Bernini e a arquitectura romana. Pondo ênfase no barroco italiano, Ron Howard supera qualquer programa turístico da cidade - não fosse o facto de não se ter chegado a ver Santa Teresa em êxtase, de todos os anjos terem setas e as apontarem na direcção do alvo (oh miserável coincidência!) e por isso mesmo reforçarem a sensação que se mantém ao longo do filme: a de que desvendar o mistério é demasiado fácil e que o expedito Langdom faz aquilo com uma perna às costas.
Inverdades e incorrecções históricas à parte, é devida uma vénia à fabulosa reconstituição dos interiores (capela sistina, biblioteca do vaticano), dos exteriores da praça de S.Pedro e irreprensível guarda-roupa. A própria explosão com que quase termina é, de facto, de uma concepção cénica primorosa. Melhor, só os céus de El Greco.

02 maio 2009

ico feliz
por saber que não estou só nesta causa.
Ou melhor, que nesta causa não estou só.