26 abril 2010

meu musical bus...

Andam por aí algumas amigas entusiasmadas com a proximidade de uma festa (à qual eu tanto lamento não ir) e para a qual se podem deslocar num musical bus, designação e utilização exclusiva.
Também eu tenho o meu. Passa à minha porta dia sim, dia não e sou eu quem o chama. Tem vários lugares sentados sendo dois deles especiais: duas cadeiras de rodas. Já me aconteceu apanhá-lo cheia de dores e ser levada em passeio quase turístico à Malveira, a Janes, a Alcoitão, sempre buscar outros deficientes passageiros como eu. Os destinos são, invariavelmente, o hospital e o regresso a casa. Os bus são, na sua maioria, velhotes, abanam e têm o rádio sintonizado da rádio renascença. As dores são ampliadas pela trepidação e os meus braços ressentem-se do esforço para levar o rabo no ar...
Hoje houve algumas nuances: os bombeiros atrasaram-se uma hora e conduziram-nos pela marginal. Vi finalmente a rebentação das ondas do mar que vejo da janela e gostei. Os passageiros eram duas senhoras menos trôpegas que eu e três meninos, deficientes mentais. Um deles foi todo o caminho a fazer "Piiiiiiiiiii" e outro virava-se de quando em quando para me mirar de cima a baixo. Chegámos à fisioterapia de tal modo atrasados que a minha sessão foi encurtada. Não sofri tanto, mas por outro lado, não tirei benefício dela. Sim, parece que a melhoria é directamente proporcional à dor que tenho que aguentar. Pelo menos até quarta-feira e à consulta do médico.

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