agora?!Habitualmente gostamos de regressar aos locais que nos são aprazíveis, onde fomos felizes, que nos fazem sentir bem. As idas ao dentista devem ser as que piores recordações trazem e as que são usadas como exemplo de local onde menos gostamos de voltar - um regresso associado a uma dor de dentes, a um tratamento doloroso, a uma posição incómoda, a um dentista pouco importado com o sofrimento alheio...
Se me perguntassem em que local senti mais dores durante um tratamento (quão longínquos vão as horas de sofrimento na cadeira de dentista!) eu afirmaria, sem hesitar, que foi na mesa da fisioterapeuta.
Aquela sala de tratamentos era o espelho da minha recuperação. Acordar muito cedo, viajar com os bombeiros, equipar-me demoradamente - nada disso me custava. Era um espaço aonde eu regressava para ter dores, sempre dores, mas de onde saía com a convicção de que teria melhorado um bocadinho mais. E assim era.
A alta não se confirma em pleno; aos hematomas quase desaparecidos segue-se o tratamento de uma tendinite da pata de ganso que é tratada com laser - coisa que não ocupa por muito tempo a terapeuta nem a cama em que trabalha! É óbvio que esta minha alta é forçada pelas férias que se aproximam e pela redução de doentes a que obriga a gestão hospitalar. O profissionalismo das pessoas que tive a sorte de conhecer permite-me fazer bicicleta e passadeira; corrigem-me a marcha enquanto não saio de vez. se assim não fosse, ainda não tinha percebido porque é que caminho como um sino...
Seguem-se consultas, relatórios, exames; a necessidade de passar em três crivos: o meu ortopedista, o ortopedista da seguradora que me deve querer ver pelas costas e uma possível junta médica (que espero não seja uma junta das verdadeiras).
Quanto à recuperação da mobilidade... dizem que a terapia do calendário é meio caminho andado.
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