ue bafo!Ao marasmo abafado dos dias presentes chegam agitações pelo correio sob a forma de papel, pelo telemóvel na voz de número desconhecido e uma alegria no talão do multibanco.
A primeira remete para uma vida passada, leia-se presente mas consumida, que eu pensava encerrada. O fisco, malvado fisco, vem recordar-me que em tempos fui casada e que, portanto, contas tenho a prestar.
A segunda diz-me que o meu médico decidiu abruptamente ir de férias e que, portanto, em vez de amanhã, só me atenderá em Setembro. É surpreendente a facilidade com que uma pessoa que tem nas mãos a vida de outras, vai assim de férias!
Não tenho por hábito guardar muito tempo na memória aquilo que me é desagradável; é necessário que um acontecimento puxe o fio das lembranças. Não fora uma cicatriz e algumas dores e já nem pensaria que um dia um carro desgovernado me passou por cima...
A propósito da desmarcação da consulta, recordei-me: todo o processo de convalescença e recuperação foi assim - um cirurgião que se reforma e me manda para outro, o outro que não quer assumir a responsabilidade, que não tem safa, mas que me deixa penar dois meses a fio; esse, que agora vai descansar. Uma fisiatra que no dia da segunda consulta me manda para outra porque mudara de hospital. Essa outra em breve foi de férias, deixando-me com uma terseira fisiatra que me deixou o joelho às pintinhas dolorosas; também essa desistiu de mim e me manda de volta para a segunda. Uma fisioterapeuta com quem encontrei estabilidade e confiança que me é retirada porque me obrigam a ter alta. A actual terapeuta aconselha-me entretanto a consultar um osteopata porque não consegue perceber a origem da dor... Bolas, que canseira.
Ah, falta-me a alegria: sim, a seguradora pagou-me 1/4 do que me deve...
E férias? Posso ter ferias?
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