star alertaO olhar zigzagueando como o Kitt do fabuloso Michael Knight é com o que me pareço e me sinto quando conduzo. Embora não tenha visão nocturna, este modo traz-me alguns dissabores e apenas uma alegria: é que e difícil que me escape qualquer veículo que esteja no meu raio de alcance.
Os dissabores, porém, são aquilo que escusava de ver, as coisas que me desgostam e perturbam - um cão ou cadela que vagueia à beira da estrada, um saco de lixo, garrafas de litro de cerveja, um cartão enrolado, um gato, coelho ou esquilo esmagado. Viver com isto é estar sempre em sobressalto, é estar sempre em modo de alerta, é nunca baixar as armas. É levar comigo sempre alguma coisa que me entristece em vez de me distrair. Outrora um passeio de automóvel era relaxante; hoje pode ser um pesadelo. Confesso que luto contra isto, mas não consigo deixar de ver, de olhar.
Isto leva-me amiúde a outra questão, que é semelhante a uma que vivi e que me magoou muito: perder um cão. É activar impensadamente o modo Kitt e reconhecer o cão de alguém que o procura porque se perdeu; ficar contente porque o reconhece e depois... não conseguir fazer nada!
Foi porque não pude reter um cão perdido que me muni de três cartazes e fui colá-los nas estações de Oeiras, Carcavelos e Parede quando já estava escuro. A estação de Oeiras estava repleta de malta que se escoou num ápice, ficando apenas um homem preto, bem parecido, de chapéu e mochila às costas. Dirigiu-se a mim e foi dizendo:
-I'm an american black man - e esfregava o braço para eu ver bem - How can I go to Trajouce? I'm american, you see?
-You have a taxi here...
-You have wonderful teeth. And your legs are beautifull ...
Deixei o homem grande e escuro a falar sozinho enquanto via a minha mãe cada vez mais pálida dentro do carro.
Corri a colar os cartazes e quando voltei a casa, em modo Kitt, lá estava o homem escuro a tocar informações com um jovem. E sinal de cão, nem um.
1 comentário:
hey lady
I said wontherfull teets! not teeth
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