09 outubro 2010

riangulações


1.
O polémico livro do Manuel Maria foi apresentado no El Corte Inglés. E o que é que me fez acorrer ao google hoje? A sua capa. Repare-se no cuidado gráfico da composição. Na letra, na cor, no desenho, na estrutura simples.
No entanto, a forma verde da bandeira terá sido inocentemente desenhada ou as óbvias alusões à famosa marca comercial terão sido obra do acaso? E agora? Marketing disfarçado ou sou eu que tenho mau feitio?












2. Tendo como pano de fundo a república, foi lançado este semana Entrevista com a República, de António Simões do Paço.
Não me interessa senão, igualmente, abordar a capa.
Sobre um fundo liso verde claro destaca-se a altaneira figura feminina da república estrategicamente encostada à esquerda, de modo a garantir o equilíbrio visual do conjunto que aqui tem sua âncora.
A mancha gráfica à direita não tem alinhamento particular mas ajusta-se ao contorno da dita senhora de perfil angular que poderia ter sido acentuado...
Se estes dois elementos (figura e texto) têm presença justificada e incontornável, digo eu, já em relação ao elemento à direita sobejam-me motivos de crítica. E se quem desenhou a capa não tivesse lido o livro? Nem sequer suspeitasse de que não se trata de uma tradicional entrevista? É isso possível? Foi.
A repetição do significante (palavra e imagem) conduz a um redundância perfeitamente evitável. Em termos de composição formal, em nada veio beneficiar sendo que a forma usada no desenho não é sequer esteticamente agradável. Recordam-me as composições imberbes que procuram ocupar todos os espaço disponíveis na folha de papel. Os microfones, que não tiveram culpa nenhuma, eu, eliminava-os.
A prova? está aqui:














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