31 agosto 2010

uase

Aproxima-se o fim do mês e o fim de um ciclo azarado - digo eu, que não tenho poderes adivinhadores.
Aos poucos concluo ciclos e fecho círculos; fecho envelopes que despacho pelo correio com assuntos pendentes. Não creio que isto seja condicionado pelo vislumbre do fim do verão (que teoricamente está perto mas distante a ver pela temperatura) e muito menos com a volta da lua, já que também não sou lunática.
Este estado de espírito é essencialmente pautado pela data - amanhã inicio oficialmente férias se a junta médica que visitarei à tarde m'o permitir. Férias polvilhadas por sessões de fisioterapia e hidroginástica não prometem ser grande coisa. Mas se por férias entendermos que é um período ainda sem trabalhar, está correcto.
Começo hoje mesmo a trabalhar em casa, dia 31, último dia de baixa. Último dia para pensar no enguiço que me tem acompanhado.

24 agosto 2010

lutu

Continua (há mais de um ano que falo disto, bem sei!) a fazer-me espécie o blutu em vez do bluetooth.
Apetece-me dizer a verdade: Blue 2 é uma Gillette!

21 agosto 2010

he expendables

Imagine-se um grupo de amigos que se divertiam a protagonizar aventuras. Um dia, já bem maduros, escolhem fazer um filme para se divertirem mais um pouco muito mais e todos juntos.
Fazem deles próprios e de tudo aquilo que os vimos fazer.
Divertem-nos na sua durabilidade mesmo que forçada. Apesar das plásticas e dos quilos, mantêm-se inquebráveis e resistentes a qualquer arma mortífera. Vale a pena ver.

19 agosto 2010

- Um chá e uma torrada com um cheirinho de manteiga
- Como?
- Um chá
- Sim
- E uma torrada com pouca manteiga
- Um pão com manteiga?

12 agosto 2010

rrrrreec

- Só tem velcro preto? Preciso velcro branco...
- Velclo blanco não tem, só tem velclo pleto.

11 agosto 2010

lerta laranja

Quando eu era jovem e os dias eram muito quentes e as noites mais quentes ainda, não existiam alertas - o verde, amarelo e vermelho serviam apenas para regular o trânsito.
À noite, depois de jantar, a cidade ia para a rua. As pessoas sentavam-se nos bancos de jardim, as senhoras elegantes passeavam de braço dado com os maridos.
Depois as noites quentes desapareceram.
Que bom que é sair para passear os meus cães pelo meu pé (ambos os pés), e ver as pessoas sentadas nos muros, nas soleiras das portas, nos bancos de jardim outra vez.
Apesar de tudo andar por aí a arder...

09 agosto 2010

casamento do meu melhor marido

Já vão muitos anos desde o tempo em que eu não perdia um programa destes. Falabella como Caco Antíbes fazia-me rir como poucos actores brasileiros.

ue bafo!

Ao marasmo abafado dos dias presentes chegam agitações pelo correio sob a forma de papel, pelo telemóvel na voz de número desconhecido e uma alegria no talão do multibanco.
A primeira remete para uma vida passada, leia-se presente mas consumida, que eu pensava encerrada. O fisco, malvado fisco, vem recordar-me que em tempos fui casada e que, portanto, contas tenho a prestar.
A segunda diz-me que o meu médico decidiu abruptamente ir de férias e que, portanto, em vez de amanhã, só me atenderá em Setembro. É surpreendente a facilidade com que uma pessoa que tem nas mãos a vida de outras, vai assim de férias!

Não tenho por hábito guardar muito tempo na memória aquilo que me é desagradável; é necessário que um acontecimento puxe o fio das lembranças. Não fora uma cicatriz e algumas dores e já nem pensaria que um dia um carro desgovernado me passou por cima...
A propósito da desmarcação da consulta, recordei-me: todo o processo de convalescença e recuperação foi assim - um cirurgião que se reforma e me manda para outro, o outro que não quer assumir a responsabilidade, que não tem safa, mas que me deixa penar dois meses a fio; esse, que agora vai descansar. Uma fisiatra que no dia da segunda consulta me manda para outra porque mudara de hospital. Essa outra em breve foi de férias, deixando-me com uma terseira fisiatra que me deixou o joelho às pintinhas dolorosas; também essa desistiu de mim e me manda de volta para a segunda. Uma fisioterapeuta com quem encontrei estabilidade e confiança que me é retirada porque me obrigam a ter alta. A actual terapeuta aconselha-me entretanto a consultar um osteopata porque não consegue perceber a origem da dor... Bolas, que canseira.

Ah, falta-me a alegria: sim, a seguradora pagou-me 1/4 do que me deve...
E férias? Posso ter ferias?

08 agosto 2010

hiu!


Apreciar o silêncio,
o silêncio da manhã, que é diferente de todos os outros.
O silêncio da manhã de domingo
que é mais calmo e silencioso de todos os silêncios.
Os latidos dos cães são os únicos sons que se ouvem.
Os que fazem barulho dormem
ou fazem barulho nos seus quartos,
deixando a rua toda para mim.
É deixá-los lá estar por mais muitas horas.

03 agosto 2010

final havia outro!

No dia em que faz 4 meses sobre o maior absurdo que já me aconteceu, acredito ter-se descoberto a causa de umas das dores que mais me impedia de caminhar: o síndroma do piriforme! Este pequenito músculo que integra o glúteo, dividiu as opiniões que vacilavam entre uma lesão do nervo ciático e um bloqueamento da sacro-ilíaca.
Tratá-lo dói. Mas o que é isso a mais do que o que tem sido?
agora?

Agora que a brincadeira acabou, vou-me consciencializando que estou quase a entrar em férias. Acabaram as idas regulares ao hospital e resta-me uma semana de consultas. Delas sairá o veredicto: férias ou prolongamento da baixa. Mantém-se o trabalho duro de recuperação de força.
As caminhadas são-me recomendadas, intervaladas com momentos de repouso e gelo. Por isso:

1 - Aproveitei uma das caminhadas para ver uma exposição de tapeçaria de Portalegre, que decorre em Cascais. As obras têm como ponto de partida pinturas originais. Graça Morais (também a ver em Algés) e Nadir Afonso (exposto no Museu do Chiado) e Tom Philips são três nomes que destaco.
Os tapetes, de grande dimensão, são executados com um ponto muito pequeno, que requer uma minúcia fantástica na transposição da pintura para o esquema reticulado que lhe serve de base e grande desvelo na grelha cromática.




2
- Custa-me dizer o nome à primeira; sai-me Mirita Casimiro, Carmen Dolores e só depois, muito a custo, Carmen Miranda - sempre assim foi.
Falo dela a propósito da exposição que a tem como alvo. A sua vida não tem nada de extraordinário, muito menos o facto de ter nascido em Portugal (oh como isso é importante para nós!). É verdade que a sua exuberância só podia ser valorizada num mundo distante do país cinzento onde nasceu. Esse vigor deve ser reconhecido: a invulgar atitude, a alegria, o metro e meio de altura que comportava uma originalidade anormal; um guarda-roupa por si costurado e inventado, complementado por coloridos acessórios.
E porque é que eu gostei da exposição? Porque é bonita de ver. Porque cartazes e fotografias vintage forram os tectos e as paredes, num evidente contraste de dimensão e cor. Porque toda a estética carmen mirandense é actual.