agora?Agora que a brincadeira acabou, vou-me consciencializando que estou quase a entrar em férias. Acabaram as idas regulares ao hospital e resta-me uma semana de consultas. Delas sairá o veredicto: férias ou prolongamento da baixa. Mantém-se o trabalho duro de recuperação de força.
As caminhadas são-me recomendadas, intervaladas com momentos de repouso e gelo. Por isso:
1 - Aproveitei uma das caminhadas para ver uma exposição de tapeçaria de Portalegre, que decorre em Cascais.

As obras têm como ponto de partida pinturas originais. Graça Morais (também a ver em Algés) e Nadir Afonso (exposto no Museu do Chiado) e Tom Philips são três nomes que destaco.
Os tapetes, de grande dimensão, são executados com um ponto muito pequeno, que requer uma minúcia fantástica na transposição da pintura para o esquema reticulado que lhe serve de base e grande desvelo na grelha cromática.
2 - Custa-me dizer o nome à primeira; sai-me Mirita Casimiro, Carmen Dolores e só depois, muito a custo, Carmen Miranda - sempre assim foi.

Falo dela a propósito da exposição que a tem como alvo. A sua vida não tem nada de extraordinário, muito menos o facto de ter nascido em Portugal (oh como isso é importante para nós!). É verdade que a sua exuberância só podia ser valorizada num mundo distante do país cinzento onde nasceu. Esse vigor deve ser reconhecido: a invulgar atitude, a alegria, o metro e meio de altura que comportava uma originalidade anormal; um guarda-roupa por si costurado e inventado, complementado por coloridos acessórios.
E porque é que eu gostei da exposição? Porque é bonita de ver. Porque cartazes e fotografias
vintage forram os tectos e as paredes, num evidente contraste de dimensão e cor. Porque toda a estética carmen mirandense é actual.