29 janeiro 2008

Women In Art

omen in Art

Earthlings


onvido-vos a dedicarem alguns minutos do vosso tempo a ver este excelente documentário. Narrado por Joaquin Phoenix e banda sonora de Moby.
A qualidade é excelente, como garantem as nomeações obtidas.
É necessário algum distanciamento -o suficiente para que não incomode demasiado, vou avisando. No limite, poderá fazer mudar algumas vidas. Para já, gostava de ter coragem para mudar a minha.

28 janeiro 2008

descobertas


escobertas

Na realidade, e de um modo geral, os concertos de música clássica provocam um conflito de sentidos: para ouvir a música solene é preciso manter-se de boca calada se não se quer ser corrido da sala com mau olhado e umas tantas pragas. Só que, quando se junta meia dúzia (nem é preciso tanto) de mulheres, as coisas complicam-se…
Longe vai o tempo da moda dos Hooked on Classics, que surgiu nos anos 80 - uma fórmula criada para aligeirar e massificar a música clássica, no que foi uma experiência comercialmente bem sucedida, mas que nos maltratou os ouvidos. Massacre pior era moda da Ana Faria (Brincando aos Clássicos) com “o luís o luís já foi a paris!”…

Hoje, felizmente, existe o André Rieu, que descobri não há muito tempo, e que tem o dom de transformar um espectáculo supostamente sério num divertimento ímpar, com uma alegria contagiante que envolve toda a orquestra e põe o público a cantar e a dançar. Se as velhinhas do museu dos coches, também elas verdadeiros museus pouco vivos o ouvissem, amaldiçoavam-no.

clássico qb


lássico qb


Os concertos de música clássica são, de um modo geral uma estopada. Porque são longos, porque a solenidade nos compele a manter o bico fechado por demasiado tempo, porque decorrem em ambientes demasiado formais, porque na assistência predomina um ligeiro aroma a naftalina... Há casos, porém, em que isso não é bem assim; tive oportunidade de assistir a um concerto interessante; não foi longo, não se tornou enfadonho; decorreu num ambiente extremamente acolhedor, num espaço soberbo, a sala neoclássica do museu dos coches. Grande parte do espaço era ocupado pelos coches, que nem se dignaram encolher a sua exuberância para caber mais gente. Sorte a deles, que se deliciam todos os últimos domingos do mês com uma sessão destas. Quem lhes quiser fazer companhia, não paga entrada. E tem chocolates e cafezinho grátis no intervalo, ainda por cima!

27 janeiro 2008

22 janeiro 2008

A propósito de caratazes

A propósito de cartazes e do meu post sobre o assunto, não posso deixar de aconselhar uma visita a este outro post. Para os interessados no tema, recomendo esta análise do cartaz do KillBill, deveras curiosa.

20 janeiro 2008

menino jesus

No mesmo dia tropeçamos até em várias coisas diferentes, como esta, uma exposição no Palácio de Belém, com entrada pelo Museu da Presidência: O Menino Jesus.
Um bocadinho fora de época, mas igualmente belo; os meninos e o espaço.

Render da Guarda


Há dias assim, em que tropeçamos em coisas diferentes.

19 janeiro 2008

Brossa


Uma das coisas mais interessantes que vi recentemente foi o trabalho de Juan Brossa, um catalão com uma obra diversa mas com uma vertente gráfica que muito aprecio. Poemas visuais, poemas objecto, soluções aparentemente simples mas de forte impacto visual. Lamento não poder reproduzir uma instalação espantosa que se desenvolvia ao longo de uma parede, povoada por baratas. Este é um trabalho verdadeiramente interessante (aconselho - Entrar a pantalla completa).

intermedi












contos, 1986

Poema de J.Brossa: (original catalão)
EL TEMPS

Aquest vers és el present.
El vers que heu llegit ja és el passat
—ja ha quedat enrera després de la lectura—.
La resta del poema és el futur,
que existeix fora de la vostra
percepció.

Els mots
són aquí, tant si els llegiu
com no. I cap poder terrestre
no ho pot modificar.

(em tradução castelhana)
EL TIEMPO

Este verso es el presente.
El verso que habéis leído ya es el pasado,
ya ha quedado atrás después de la lectura.
El resto del poema es el futuro,
que existe fuera de vuestra
percepción.

Las palabras
están aquí, tanto si las leéis
como si no. Y ningún poder terrestre
puede modificarlo.

De: BROSSA, J. Poemes de Joan Brossa (antologia). Trad. de A.S. Robayna y M. Mur. Madrid: Ediciones Libertarias, 1983, p.34a-34b
Mais do Brossa AQUI

here comes the sun



ere comes the sun



As tarefas domésticas, por muito que automatizadas quando desempenhadas por mim própria, permitem liberdade ao pensamento (repito-me bem sei, mas que posso fazer?), que vagueia por onde apetece, sem se cingir à colher de pau, à varinha mágica ou à ponta da faca (distanciamento esse que pode levar que ocorram certos acidentes). A música é a minha companhia obrigatória (não só, repetindo-me mais uma vez, o fantasminha de quatro patas que me persegue se é presença obrigatória junto a mim é lá com ele, não sou eu que lhe ligo o botão).
Isto tudo para introduzir a referência a uma música que me fez acender muitas memórias e estabelecer outras tantas ligações: "Here comes the sun", na versão Jewel & Rob Thomas. Apesar de bem diferente do original do George Harrison, manteve-se igualmente deliciosa; conseguiram manter a suave delicadeza da música com vozes tão doces quanto a da primeira versão.
Devo ao meu irmão o vício na música dos Beatles, vício que durou loooongos anos. Compramos todos os discos deles, em vinil, claro, e os que não eram editados cá conseguiu ele as edições espanholas, para nosso deleite. Devorei tudo o que era deles, mesmo depois da separação, apesar dos caminhos dispares que os quatro levaram. Também devo a eles curiosidade que ainda hoje mantenho de perceber tintim por tintim o que diz cada cantiga que oiço, tarefa hoje facilitada pelos sítios que publicam as letras das músicas (não, desta vez não faço hiperligação para onde tal título era suposto levar). Não concebo gostar de uma música sem compreender o conteúdo. Isso não quer dizer que não possa gostar de música japonesa, para ir bem longe na questão, mas se falarem qualquer língua que eu conheça, eu agradeço.
Estava eu a deleitar-me com "Here comes the sun" quanto o prazer é estragado com "I drove all night", que me fez arrepiar... Celine Dion não!!! Tudo, tudo, menos isso. Mas não, era a admirável Cindy Lauper! Há anos que não a ouvia.

botões

vista

A room with a view, 18/1/2008

16 janeiro 2008

cartazes

que é que os cartazes destas campanhas têm em comum?


As campanhas das marcas anunciadas (juro que não ganho nada com estas referências!) são deste ano; encontramo-las actualmente em cada esquina e uma delas hoje pela primeira vez.
Embora as campanhas tenham muitos suportes, refiro aqui os cartazes de cada uma delas (à excepção da Fábrica da Felicidade da Coca-cola, da qual consegui apenas duas imagens do trailler). O que é que me espanta neles?
Espantam-me por utilizarem uma estrutura semelhante, simétrica, com foco na figura principal, para onde as linhas de força conduzem o olhar - sobretudo, uma organização simples e banal; que talvez até se pudesse dizer fora de moda. (Ora, mas quem faz afinal a moda!?) Esta estrutura simples (mas eficaz, saliente-se) funciona como sempre funcionou.
Os fundos, fotográficos dão destaque à profundidade. Todos representam ambientes enigmáticos, áridos, fantásticos, ilusórios. Até o ambiente desolador em que Will Smith aparece renascido duma intensa tragédia tem pouco de concreto, não fosse o elemento identificador, também em ruínas.


Esta estrutura não se aplica a este campo visual, mas como referi, não consegui o cartaz da campanha da coca-cola-:).


Estes ajudam a reforçar a ideia:

12 janeiro 2008

Numbers and Leters

ascínios - II
Uma caixinha que guardo religiosamente e à qual volto de vez em quando, este jogo da Majora (marca felizmente renascida e que tem um sítio excelente). Números e letras finamente recortados em madeira, coloridos com papel colado que se mantém intacto, isto é, um pouco amarelecido, com um leve cheirinho a mofo, coisa ligeira mas quanto baste para denotar os anos que lhe passaram. Uma das muitas coisas que contam a minha história, ainda que essa história possa interessar senão a mim mesma. Esta caixinha terá sido responsável por este fascínio pelos alfabetos; nos tempos que correm, os jogos com letras são de plástico, e os que conheço e que proliferam por aí têm umas cores berrantes e íman para colocar no frigorífico.

Love & Numbers

ascínios - I
Por estes dias, encontro nas ruas de Lisboa um bom motivo para me deliciar: Love & Numbers, esculturas de Robert Indiana (um dos nomes máximos da arte pop), disseminadas entre o Rossio e o Marquês. No Rossio, Love. Quem sobe a Avenida da Liberdade, uma contagem decrescente (One Through Zero). Para ir vendo até 29 de Fevereiro.
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08 janeiro 2008



















Colagem
15cmx21cm
2007
by
Janota

cabeça de carapau


abeça de carapau






recriação digital a partir de fotografia
368x309 px
2007
by Janota

Há coisas insubstituíveis


á coisas insubstituíveis
e acerca das quais andamos anos sem nos lembrar. Até um dia, em que encontramos alguém que também disso já se tinha esquecido mas resolve dizê-lo. Aí, percebemos quanto aquilo era bom e a falta que nos faz.
A modernice do escritório em casa trouxe lindas mas inóspitas secretárias, que nos fazem estar virados para uma parede com um monitor pelo meio e destruiu a magia da velhinha mesa redonda com camilha (que, ao que parece, só existia na casa dos nossos pais e avós). Sim, pensando bem, não conheço ninguém da minha geração que tenha em casa, por opção, essa peça de mobiliário, se é que isso lhe posso chamar.
A mesinha redonda, com a braseira por baixo e saia até ao chão (não, não era obrigatório ter uma toalhinha de croché), permitia não só ter os pés quentinhos, como tinha ainda o poder de nos agarrar a um livro, aos papéis, aos desenhos, aos rabiscos, a qualquer coisa que seja feita com os cotovelos em cima da mesa. Mais, convidava a longas conversas, a um cházinho, a longas conversas noite a dentro.
Coisas boas e confortáveis, que estas secretárias não sabem do que se trata, coitadas.

05 janeiro 2008

não creio

ão creio
nas formatações impostas pelos signos, nem nos do zodíaco nem nos outros; isso tornaria a nossa vida muito fácil na lida com quem convivemos. Haveria doze tipos de pessoas, que chatice. Porém, não resistindo à curiosidade, dou comigo a descobrir o que a data de nascimento diz de mim: um rol de animais que nada têm em comum, muito menos comigo.
Touro com ascendente leão, dragão, castor e como se não bastasse, fizeram-me descobrir que o meu deamon é leão. Basta, é felino a mais para um ruminante...


Nazaré, 2006

especiarias



Esqueci-me de avisar: não tenho nada a ver com este janota. Pode haver diversas especiarias no condado.

01 janeiro 2008

ódios

dios de estimação

Foguetes e mais foguetes. A eles não se pode fugir por muito que se odeiem. Magotes de gente reunida a olhar para o céu para ver um espectáculo que tem tanto de luz quanto de estupidez. O que tem de belo um espectáculo que produz trró-tó-tó-tó ininterruptamente, monocordicamente, que faz as crianças tapar os ouvidos, que faz os cães correrem desvairadamente e os gatos perderem o tino, uns perderem as mãos, outros a vida e nós todos milhares de euros?

lolita