29 novembro 2008

ma perversidadezinha

Inicio esta meia dúzia de palavras com uma afirmação: sou fã dos Gato Fedorento.
Um dia destes, fazendo uma chamada para um telemóvel, fui atendida por eles. A primeira e ridícula reacção foi a mesma que possivelmente muitos terão em igual situação. Disse: Tou? e percebi que estava a falar sozinha. Claro que, imediatamente, soltei uma sonora gargalhada que fez algumas pessoas na rua virarem a cabeça. Não querendo menosprezar o gozo que dá ouvir e a quem o detém saber a diversão que este waiting ring provoca, fico a pensar em como isto é preverso. As pessoas pagam para ter o dito toque (uma ninharia) de valor justíssimo, mas pagam para fazer publicidade a uma marca. A marca vende que se farta e faz as pessoas pagar para a ouvir; não haveriam, estes serviços, ser gratuitos? É preciso muito descaramento, não é?

24 novembro 2008

força nisso

orça nisso!

O problema actual dos actuais professores devia ser uma das minhas preocupações. Lamento (ou talvez não) dizê-lo: não é. Não encarno o papel do contestatário mas muito menos do conformado; fico-me pelo indiferente e espero que alguém vá fazendo o trabalho por mim.
Dou graças por ter amigos inteligentes e muito bem informados; que têm opiniões acerca dos assuntos sobre os quais recuso pensar. Fico muito satisfeita e orgulhosa quando leio textos como este e este, que nivelo pelo que de melhor nível tenho lido.
Porque é que me hei-de dar ao trabalho se há quem opine desta maneira?

ma questão de fé

Era uma vez uma cadelinha que vivia debaixo dum carro que fora, tal como ela, abandonado numa zona fina dos subúrbios da cidade. Sem nome e apenas com um tecto carregadinho de óleo, tinha filhos em catadupa, que desapareciam sempre a breve trecho. Tinha medo de tudo o que mexia e que emitia som; enroscava-se, escondia-se, desatava a correr se pudesse. Procurava companhia, pedia uma festinha pelo lombo, que fosse, e tornou-se presença indesejável - passou a ser corrida à vassourada.
Um dia, alguém lhe quis pôr fim à dor e à sucessiva procriação, levando-a para lugar seguro - a começar, por uma clínica veterinária com internamento e tudo. Chamaram-lhe Meia-Leca por ser pequena e franzina; mas a enfermeira brasileira da clínica não conseguia dizer-lhe o nome (na sua boca passou a ser meleca - a cadelinha deve ter piorado ao ouvi-lo).
Como não era bafejada pela sorte, num golpe duro de azar, agravou-se o seu estado de saúde. Complicações umas atrás das outras, sofrimento, dor, recuperação difícil e dolorosa, exames, punções, análises.
Meia-Leca fazia-se forte, disfarçava a dor num olhar meigo que inspirava piedade e conseguiu recuperar após três intervenções cirúrgicas que lhe mantiveram, no entanto, uma espécie de novelo no lugar do intestino delgado. Recusava a comida, enfraquecia, tinha a vida a prazo e precisava recuperar num lugar sossegado.
É aqui que eu entro - dei-lhe abrigo e chamei-a Lolita. Tapou os ossos à flor do pêlo, mas não se dissiparam os seus medos; um barulho inusitado, um gesto brusco e ei-la a desatar a correr, ignorando as próprias dificuldades. Um dia fugiu, escondeu-se por uma tarde, reaparecendo ao fim da tarde, quando já se pensava que se tinha posto bem longe dali.
A sua saúde piorou – o intestino não funcionava, portanto, deixou de comer. Foi internada de novo durante três semanas. Um dia, fui visitá-la e trouxe-a para passar um fim-de-semana que dura até hoje. Nova recuperação, receios aumentados de novos barulhos. Mas agora recomeça a comer e a encontrar silenciosamente soluções para o seu próprio problema. Muitas vezes fugia para debaixo da cama, onde se aninhava para esconder o medo ou talvez a dor.
Até ao dia em que, já fortalecida e num passeio bem longe de casa, se assustou de tal modo que correu, correu, correu até talvez ficar sem força. Foi um momento de desatenção, e arrastou a trela até desaparecer.
Passaram dois dias - foi dada como perdida, como morta, como escondida do frio que apertava e da chuva que caía, como tendo sido adoptada por uma alma caridosa. Espalhou-se a palavra pela cidade – anúncios no jornal, na rádio, nos postes, nos cafés, nos eco-pontos; abordaram-se pessoas na rua, os bombeiros a colaborar nas suas rondas de bicicleta; alerta (que se verificou falso) por parte da PSP, que avisara todos os carros-patrulha. Correu-se aos acampamentos ciganos, referenciados como frequentes ladrões de cães. Nada.
A cidade passada a pente fino, a parte possível de passar, a parte previsível para encontrá-la. Noites sem dormir, um cansaço extremo, quilómetros a pé para recuperar a cadelinha que já era a cadelinha da rádio, que já era quase vedeta mas que ninguém via em canto nenhum.
Não se podia parar, não se podia desistir, ainda só passara uma semana, ainda havia esperança de voltar a tê-la, não se podia deixá-la ter uma morte que era certa mas que queríamos em paz. Com o fim-de-semana à porta e sem notícias do seu paradeiro, havia que partir para novas buscas, a pé, de carro, não desistir dela. À sétima noite, um telefonema alertou para a sua localização: sete quilómetros a este do centro da cidade. Algumas pessoas juntam-se nas buscas, passam palavra, a povoação fica alerta.
Noite mal dormida porque era preciso ver o sol nascer na rua, debaixo de gorros, cachecóis e luvas. Espalhámo-nos pelos caminhos e às oito e meia detectamo-la a atravessar a rua arrastando a trela vermelha enlameada. Corremos silenciosas. Esgueirara-se pelas grades de um portão. Havia que esperar... e têmo-la de volta!
Lágrimas e sorrisos. Ela tremia e ganiu durante uma hora seguida, até que sentiu as patinhas aquecidas por um banhinho quente e se viu em lugar seguro. Era de novo pêlo e osso, mas estava connosco.
Corremos a avisar E., que era quem nos tinha alertado do seu paradeiro e que estava a rezar por ela desde que se levantara (ela tinha perdido um cão quando tinha doze anos e nunca o esqueceu). Verteu profundas lágrimas e beijou-a enquanto nos contava que Lolita lhe tinha sido posta no seu caminho para que ela a achasse. Sucederam-se telefonemas de pessoas que se interessaram pela causa e que disponibilizaram ajuda. Era o dia em que a minha mãe fazia anos e podíamos almoçar em paz.


Lolita recuperou a alegria e aparenta uma saúde de ferro. Uma heroína que voltou a casa para ter não se sabe quantos anos de vida.
Seja quanto for o tempo que dure, terá sempre um sofá para dormir. Os mimos estão garantidos.

23 novembro 2008

o pai natal já chegou

pai natal já chegou

Chegámos à época em que todo o recanto por insignificante que seja, merece uma boa decoraçãozinha de natal. Raramente assisti à montagem desses fios multiculores e bolas brilhantes que engalanam as lojas; menos vezes ainda pensei sobre o que pensa quem o faz ao fazê-lo.
Um dias destes, num restaurante cujo menu tinha a coluna direita muito pouco apetitosa, deparei-me com um objecto horrendo e insultuoso: uma caixa de cartão toscamente forrada com um papel rasca de pais-natal e com uma ranhura no topo, estava estrategicamente colocada ao lado da caixa registadora (ainda se chama assim?). Podem os empregados de um restaurante desses pedir uma esmolinha? Devem? Precisam? É quase natal e no natal tudo se pode.
Hoje jantava num outro restaurante a inadvertidamente segui com o olhar um empregado que trazia uma coisinha na mão; não percebi o que era, mas ela parava, olhava para a coisinha e avançava para um lado e para outro. Minutos depois, escolheu o sítio certo, em cima duma prateleira de vinhos caros. Era um minúsculo pai-natal que agitava uma bengala no ar!
Aposto que, para além de mim, do pai natal e do empregado que o lá colocou, mais ninguém perceberá a sua existência.

20 novembro 2008

pausa

não é por acaso que este blogue tem estado em modo de pausa. De todas as tarefas realizáveis que me perseguem que nem lobos a morder-me os calcanhares, esta tem sido a mais sacrificada. Minto: há em meu redor diversas outras em standby e que me provocam acessos de calor quando as olho. Evito, portanto.

É porém verdade que se não fosse o trabalho que me faz manter a custo os olhos ainda abertos, não estaria a esta hora a tentar actualizar este blogue, que já teve melhores dias. Venho portanto apenas ver se ainda sei publicar.

07 novembro 2008




pantominices

antominices

Anteontem foi BPN, ontem Obama, hoje Quantum of Solace: dia a dia, Deus melhora, prova-se que assim é, felizmente. A esta hora, aposto já há quem esteja na primeira fila mas enquanto não houver tempo, mantenho a antena ligada nessa música fabulosa (Another way to die). A propósito do novo James Bond, gostarei de ver a discreta participação lusa no filme: Daniel Craig é vestido pela Tom Ford, da qual Américo Amorim possui 25%. Parece que a marca da marca são os fatos com camisa de colarinho desabotoado, sem gravata.

Voltando ao que aqui me trouxe: ando avessa a televisão - cansa-me que me queiram meter coisas pela casa dentro, quer queira quer não. Já que não posso impedir outras intromissões, pelo menos dessa praga vou-me protegendo. Querem convencer à força meio mundo de que a vida está má, de que a crise é real e que a vida vai piorar. Está? Vai? De verdade? Há poucos dias impingiram-me o Vista e a verdade é que não posso ver-me livre dele. Em breve há-de voltar a gripe das aves e quando não é das aves é a do inverno; os cereais iam escassear e assistimos às corridas ao arroz; escolas ameaçaram suspenderam as avaliações e vimos colegas gladiarem-se inutilmente.
No mais pequeno recanto as pessoas exasperam por coisas que efectivamente não se verificam.
Quem é que lucra com o estado de histeria que alastra por aí? Quem nos acode? Daniel Craig?

Erase and Rewind

Erase and Rewind


Hey,
What did you hear me say?
You know the difference it makes
What did you hear me say?
Yes,
I said it's fine before
But I don't think so no more
I said it's fine before
I've changed my mind
I take it back
Erase and rewind
'Cause I've been changing my mind
Erase and rewind
'Cause I've been changing my mind
I've changed my mind
So
Where did you see me go?
It's not the right way, you know
Where did you see me go?
No
It's not the light, oh no
I just don't want it to grow
It's not the light, oh no
I've changed my mindI take it back
Erase and rewind
'Cause I've been changing my mind
Erase and rewind
'Cause I've been changing my mind
I've changed my mind
Erase and rewind
'Cause I've been changing my mind
Erase and rewind
I've changed my mind...
I've changed my mind...
I've changed my mind...
I've changed my mind...

06 novembro 2008

nova arte nova

ova arte nova
Aveiro está na rota das minhas cidades favoritas - penso que as imagens juntas falam por mim. Abriu recentemente o Museu da Arte Nova, na Casa Major Pessoa e parece que tem sido um sucesso de visitas, mesmo ainda antes da abertura oficial. Já não era sem tempo: a cidade mais rica do país em marcas de Arte Nova tem vindo a recuperar os seus edifícios e finalmente mostra-o. Mas nem só de arabescos é feita a minha atracção por este lugar: as raivas, os ovos moles, a ria, a luz e... o cheiro.

05 novembro 2008

Oh no, its raining again

h no, its raining again

TIC pra que vos quero

ic, para que vos quero
Nos dias em que se fala de avaliação até à exaustão, ouvi falar dela de outro ponto de vista. Foi de raspão, assim, como eu quando escrevo aqui agora, mas fez-me pensar no que passo a expôr de raspão.
Há anos, investiguei o tema porque precisava de conhecer o conceito de avaliação aplicada à concepção de software educativo. Aí, como na maior parte das áreas, a avaliação é feita com base na observação do outro na utilização que faz dos produtos que aquele cria. Depois inventa esquemas de avaliação, testagem, check lists, grelhas e o diabo a quatro. Contabiliza, mede, faz gráficos para provar que o produto tem este defeito e não sei quantas virtudes. Reformula, corrige, baralha e volta a dar.
Acredito que o Magalhães tenha passado por um sem número de testes de usabilidade em termos de hard e sofware, tal como acredito que a versão final seja "perfeita", azulinha e tudo. Dizem que está a ser um sucesso e eu tenho pena de ainda não ter privado com nenhum (principalmente de não ter visto uma criança a usá-lo pela primeira vez). Ainda não se sabe que efeito terá aquilo nas mãos dos miúdos mas é natural que venha a ter muitas consequências no modo como se realiza a aprendizagem. Também não se sabe de que modo os alunos tirarão partido dele, tal como ninguém prevê de que modo passarão a usar a internet.
Poder-se-ia acreditar que os computadores seriam meio caminho andado para motivar os alunos para a aprendizagem. Para aprender o que quer que fosse. Mentira. Eles não querem saber de powerpoints bonitos que levam hooooooras a fazer. E criá-los? Nem isso lhes interessa muito. É preciso fazer o pino para os motivar e de preferência dar-lhes muitas referências, porque não têm paciência para pesquisar. Google? O resultado vem na primeira página? Assunto resolvido. Wikipedia? Email? Dá jeito, mas só isso. E basta. Tem é que ser rápido.
Já não faz grande sentido ensinar o bite e o byte, a memória ram e rom; não há aula de tic que não comece pelo Hi5 ou pelo YouTube e o messenger já não é fundamental à vida. Em quatro anos, as coisas mudaram.
Somos dum tempo em que a tecnologia cresce conosco. Fizeram-na para nós e nós ajudamos a fazê-la; mas os critérios de uso que temos não têm que ser os mesmos dos nossos alunos. Ajudar a tirar partido dos novos recursos poderá fazer a diferença mas isso obriga-nos a correr...