25 fevereiro 2009

ma confusão dos diabos


A minha casa tem sido nos últimos dias, ponto de muitos encontros. Nada demais, parece. O estranho da coisa é que os muitos encontros sucedem todos ao mesmo tempo. Isto é, e como exemplo: marco para uma manhã a instalação do gás e para a tarde a entrega da máquina de lavar roupa. Estando o técnico de gás em cima do escadote a furar paredes, aproveito para sair por minutos para acartar meia duzia de caixotes; quando estou quinhentos metros afastada de casa, ligam-me os homens da entrega da máquina: estão à minha porta. Corro de volta. Sentada na escada, aguardando-me, a vendedora da casa que precisa de falar comigo. Subimos; a porta escancarada e eu a pensar que tinha perdido o meu animal de oito patas. Nada disso, tudo calmo na maior confusão. Todos os intervenientes deste encontro (ao qual se sucederam até ao momento e em quatro dias uns cinco ou seis iguaizinhos) estavam ali para falar comigo, exigir a minha atenção, pedir-me decisões, a mim, que sou perita nisso.
O brasileiro do gás, de sorriso rasgado, faz uma pausa antes que os homens o derrubem do escadote, mortinhos que estavam por encaixar a máquina no sítio. Não cabia, era preciso desatarraxar dois parafusos, o que deixaram para eu fazer, porque estavam cheios de pressa. Máquina instalada, brasileiro no escadote, Dona Tété circula pela casa dando-me sugestões acerca de como impedir que o vento entre pelas frestas das portas. Cansa-me e repete vezes sem fim para o rapaz: - Você é um anjo. Deus o abençõe.
Tocam a campaínha, a canzoada responde com latidos, duas caras muuuuito simpáticas encimadas por duas fartas carapinhas de cores berrantes, espreitam para dentro: CN e PV vêm dar uma mãozinha à confusão por uns instantes mas depressa se revelam uma ajuda preciosa.
(continua)

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