uas ou mais confusões dos diabosOs livros ensacados e acartados numa tarde pelas laboriosas mãos de CN e PV que ainda se afadigaram a preparar o jantar de inauguração para despachar sobre uma mesa preclitante. E a hora agá chegou - era preciso esvaziar aquela que foi a minha casa por alguns meses. Personagem reeincidente nas minhas peças, entra em cena Senhor Basílio, homem grande com pose de cóboi, entra por ali dentro balançando a cabeça enquanto olha em redor, scanando o espaço (parece que lhe vislumbro uma luz verde no olhar), braços ligeiramente flectidos como quem vai deitar a mão ao coldre a qualquer momento. Ponho tudo nessas mesmas mãos, que fizesse como entendesse e ele entendeu que se faria tudo numa noite só. Dito e feito, ele e os seus ajudantes, tão amestrados quanto mudos, transportaram tudo em três viagens. Querendo ser tão prestáveis, aconchegavam-se na carrinha para que eu coubesse entre eles; escusei-me e com duas ou três desculpas consegui safar-me.
Mas a cena não estava completa, porque faltavam outros personagens que, embora tendo sido convidados, não deveriam ter entrado em cena naquele momento. Um deles era o electricista com ar de entendido, mas que, na verdade, de entendido só tinha o ar - atendi-o quase às escuras, no meio de móveis arrastados, ladrar de cães, toques de telefone... E a HM carregada de víveres providenciais, para dois dias. E o técnico do gás, aliás, o segundo técnico, perito em fugas de gás e de informação: o homem tentava convencer-me de que nos conhecíamos de algum lado. Irritou-me a conversa e o seu estalar de dedos, mas mais ainda com o que me fez correr atrás de um papel que devia ter assinado e não assinou. Foi o gás, aliás, que me fez correr mais do que todas as escadas que o prédio tem. Num contínuo vaivém de papeis que só apareciam se tivesse outro para dar, consegui final e aparentemente, resolver esta questão que me angustiava. Descobri que as redes mafiosas nesta área são prolíferas e bem organizadas.


Mas confusa confusa foi a última manhã desta saga: viver numa casa sem água quente e tomar banho noutra onde mandei cortar a água num horário muito bem definido. Preparava-me para o fazer mas oiço um carro estranho: iam cortar a água. Pedinchei dez minutos de clemência, que me foram concedidos. Fechei definitivamente aquela porta e almocei calmamente; no meu regresso, tinha uma espécie de reclamação no vidro do carro e pensei: "decididamente, não voltará a acontecer". Prevenindo um jantar ligeiro, dirigi-me ao pronto-a-comer e comprei sopa. Tinha meia hora, dirigi-me à pastelaria e sentei-me a tomar café... poisei a sopa na cadeira, discretamente. Porém, ao levantar, tombei o saco... a sopa espalhou-se pelo chão..., tentei impedir que escorresse, mas queimava.
Com o derrame da sopa aproximo-me do fim desta saga. Os próximos dias prometem ainda muito trabalho, mas pelo menos, tudo acontece num lugar só.
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