31 março 2009

iva o Bispo

Já referido em outro blogue, a audácia do bispo de Viseu (cujo vídeo se pode ver aqui) é digna do meu registo. Não é por ser meu conterrâneo que o admiro. É porque, nos tempos que correm, em que tanta gente se acagaça, sabe bem saber que há quem não tenha medo daquele senhor de saias compridas que tem cara de mau. Não satisfeito por defender o uso do preservativo, D.Ilídio Leandro defendeu o divórcio, afirmando que já anulou três casamentos. Tempos houve em que se ia casar a Fátima. Tempos virão em que se vai divorciar a Viseu.

29 março 2009

o be or not to be a V*
*volunteer
Sempre que sou chamada a vestir o papel de voluntária, travo uma certa luta com a minha consciência, porque, se é verdade que tenho trabalho e algumas responsabilidades, é mais verdade ainda que o problema dos animais abandonados me incomoda tanto ou mais. A minha ajuda é uma gotita num mar que não pára de crescer, mas é o que posso dar. Obviamente, nesta luta, divido-me até à última casa e acabo por prestar ajuda nem que seja por uma ou duas horas. Pensando bem, que diferença me faz duas horas num sofá (onde já pouco me sento e que aos poucos vai sendo tomado por outros... vale a pena dizer quem?).
Pois bem, fico satisfeita por colaborar no banco alimentar e não dou o tempo por desperdiçado; enchem-se meia dúzia de carros com ração, o que dará para uma semana, no máximo... É claro que a maioria das pessoas não quer saber. Quantos dos que passaram ali terão até na sua consciência o peso de ter maltratado um cão...
Caras feias, tão feias, indiferentes, sorrisos simpáticos, palavras afectuosas, há de tudo. Confirmo aí que somos um povo feio e desdentado, tudo isso agravado porque é domingo: predominam mulheres de cabelos desguedelhados e olhos remelosos; multiplicam-se famílias de gordos, porque um gordo nunca o é só, passa-o para os filhos, para que nenhum se fique a rir. Há igualmente famílias de antipáticos, de mal educados, de caras de pau. Mas há também os simpáticos e faladores, os que contam vidas, a deles, a do cão ou a do gato, as doenças e as alegrias.
Foram duas as investidas duma velhota contra mim, mortinha por meter conversa e que deve ter achado que eu não estava ali a fazer nada: decidiu contar-me a vida da jovem que a acompanhava. Contou-me entre dentes, literalmente, entre os seus únicos três dentes, não fosse a rapariga aparecer: nascera num dia 8, do mês 8, de mil novencentos e qualquer coisa terminada em 8 e depositaram-lha à porta num dia 8. Criou-a como filha e hoje foi a única pessoa que lhe deu os parabéns pelos seus 74 anos.
Depois passam maltrapilhos da pior espécie, carregando paletes de minis; devia ser dia de promoção. Espreito para um carro de compras, carregado de bolachas. Faria muita diferença ter trocado uma mini por um saquito de comida de cão? Um pacote de bolachas por uma latita para gato?
n the heat of the night

há certas e determinadas coisas que pensamos que as pessoas mais velhas sabem melhor de que nós. Nas raras vezes em que (des)organizo encontros com mais de duas pessoas, tento pensar sempre o modo como se vão deslocar e se há lugar fácil para pôr o carro (reconheço que grande parte das vezes se há é fruto do acaso, mas pelo menos preocupei-me...). Há porém, quem não pense nisso.
Na sexta feira recebi um convite que me lisonjeou por ter sido feito por um dos amigos mais antigos do meu falecido pai; era a primeira vez que ia jantar sozinha com eles. Explicado o percurso e marcada a hora, fiz-me à estrada rumo ao Rossio, tendo já planeado que o melhor sítio para estacionar seria num parque público para facilitar o evacuação em hora tardia. Não estava no meu plano ter que contornar o acesso proibido pelo Terreiro do Paço, pelo que me vi obrigada a subir pelas traseiras do Marim Moniz já de noite. Portas trancadas contra o meu hábito mas recordando a sensatez da CN, acelarei sem ver os dentes brancos que luziam no beco... Estacionei perto da guarita do guarda nocturno e fiz-me anunciar ao amigo do meu pai, que aguardava a minha chegada; segundo ele, o restaurante era mesmo ali ao lado..., que esperasse um bocadinho. E eis-me numa qualquer esquina da Praça da Figueira, às nove da noite, aperaltada, de ramo de flores em riste, sozinha, aguardando um homem que tardava a chegar. Senti-me tentada a perguntar às mulheres encostadas às paredes, de perna dobrada, onde era o Poço do Borratém mas o nome soava-me mais ridículo do que a figura que eu estava a fazer. Por fim, ele chegou e subimos as cerca de cem escadas que nos levavam colina acima a um restaurante que conheciam havia anos, que tinha uma cozinha de estalo... Um jantar de anos rodeada de pessoas que, naturalmente, me conhecem muito mal e eu a elas mas com quem consegui manter uma conversa que pelo menos a mim me pareceu normal. (...)
Era quase meia-noite, dali a pouco tempo haveria de voltar àquele sítio e tinha saudades do meu animal de oito patas. Ainda tinha que levá-lo à rua, mas antes teria de inverter o assustador percurso; despedi-me, agradecendo, com muita pena de ir, mortinha por me pôr a andar.
Inverti o percurso, descendo as íngremes escadinhas calmamente nervosa; as mulheres tinham desaparecido quase todas e viam-se magotes de gente estranha e mal cheirosa. As entradas do parque estavam fechadas embora se pudesse ler "aberto 24 horas"; um polícia refastelado no banco do carro indicou-me um elevador envidraçado mas que me depositou na entrada do metro. Dirigi-me ao guarda da estação que me respondeu "Ainda agora esse polícia mandou quatro pessoas ao engano". Volto à superfície para queixar-me ao polícia - pediu muita desculpa e aponta-me como solução a rampa de acesso ao parque. Três euros e dez depois, estou a caminho de casa. Mais contente que eu? 8 patitas aos pulos.

24 março 2009

evelações surpreendentes

fez-me ontem a tradicional senhora que trabalha no bufete da minha escola enquanto me vendia demoradamente um pacote de Malteseres. O processo foi longo porque ela discutia com uma colega a dificuldade que certos homens, a seu ver a maioria, têm em regenerar-se; um fulano que nunca fez pela vida e já ia na casa dos trinta, que vivia à custa do que a mulher ganhava; outro que andava de emprego em emprego e não parava em lado nenhum. Ambas juravam que lhes davam um pontapé no rabo. A não que fosse um George Clooney... mas a senhora não aprecia o género, que gostava é que lhe aparecesse um David Nimem, esse sim, "era o homem dos meus sonhos; por mim até podia nem fazer nada, ficava no sofá o dia inteiro... 60 cêntimos, não tem saldo no cartão. Digo-lhe mais, só aturo o meu homem porque AINDA não me apareceu nenhum melhor".
Não sei se ela sabe que esse tal de Nimem já esta a fazer tijolo e que portanto, pode ir-se habituando à ideia de que tem que ir trabalhando para manter o mesmo.

21 março 2009

s filmes que não vejo

Parece que o Benito del Toro faz um grande papel no papel de Che. Parece que o filme tem duas partes, a primeira e a segunda. Não me apetece ver este filme, apesar do peso que o Toro poderia ter nessa decisão. Não vi o Watchmen, shame on me. Não vi o Grand Torino, nem o badalado Slumdog Millionaire. É porque me falta tempo e disponibilidade mental. Mas o pior é que não me apetece. Chamaram-me insensível por resistir ao Benito e por não querer saber da vida do grande Che. Insensível, eu? Que chorei ao ler o Marley & Me?! :)

17 março 2009

oincidência curiosa


Comprei este medicamento na Parede.
Confirma-se: o mundo é pequeno.

14 março 2009

s vigilantes da parede
Poder-lhes-ia chamar os watchmen da parede mas eles não têm armas para além da poderosa fala, mentes ginasticadas e olhares aguçados; além do mais, eu não vi o filme (devo ser uma das duas pessoas que ainda o não viram, mas a verdade é que o meu tempo, ao contrário de mim, não se tem esticado o suficiente).
O mesmo não posso dizer dos empregados da pastelaria que, colocados em pontos estratégicos atrás do balcão e na mira da televisão, sabem sempre tudo o que acontece dentro da loja e fora do país. Foram esses vigilantes que ontem me retiveram para me falar da sua revolta pelos factos reais: um rapazinho contava-me, indignado, com vontade de fazer justiça pelas próprias mãos de que, na Inglaterra, um jovem terá entrado na escola onde andara e disparara tiros indiscriminadamente sobre quem estava vivo; depois, chegava junto da vítima, via que mexia, e dava-lhe mais tiros até a matar. Isto tudo porque pertencia a uma família das mais ricas lá de França e o pai tinha armas em casa. Lá, em Espanha, todos podem usar armas. Fiquei seriamente confusa, até porque cria que aquilo tinha acontecido na Alemanha. O rapaz atreveu-se a concluir que isso é tudo consequência da falta de educação. Alertada pelo tema, a vizinha de balcão introduziu a sua própria revolta contra os velhos gananciosos, que quando entram no autocarro dão encontrões a toda a gente para conseguirem lugar sentado. A sua revolta era tanta que chamara muitos nomes feios a uma velhinha que deu com a mala na cabeça da sua filha de cinco anos para a impedir de entrar antes dela.
Fora da pastelaria, aliviada por me safar daqueles dois, passeava o meu animal de oito patas e cruzei-me com uma "daquelas velhinhas" atrelada a um cãozinho. É um dado adquirido que os cães são elementos importantes na socialização das pessoas - graças a isso, já conheço mais vizinhos que de outro modo nunca chegaria sequer a cumprimentar. Pois essa senhora chegou-se-me, dizendo que eu devia comprar no Ikea um rolo com saquinhos pretos de plástico para os cocós de cão; que são maiores do que os que a câmara coloca nos dispensadores. Agradeci o conselho que ão tinha pedido e ela afastou-se. Enquanto isso, o Kiko fazia um grande cocó na relva do jardim. Subitamente, a velhinha está de novo ao pé de mim e diz: "Então? Não apanha isso?".
Ai se eu trabalhasse na Lua-de-Mel...

10 março 2009

aturidade? Sensibilidade?

Em alguns casos, talvez seja preciso chegar a uma certa idade para ver as coisas assim, isto é, não ensaiar a cegueira colectiva:

Susi e Penas Chinesas, por Saramago.

05 março 2009

elho e bom hábito
foi o que retomei hoje: ler a Visão enquanto saboreio um prolongado e reconfortante pequeno almoço. Havia meses que o não fazia. Fez-me muito bem.
Assim como me fez bem ao fim do dia seguir um determinado aroma cuja origem provei ser desta planta. Tenho andado em busca do seu nome, sem sucesso. Descobri que há diversos tipos, uns mais cheirosos que outros, mas igualmente agradáveis.
Andei nesta vida apesar dos avisos que me chamam a atenção em cada esquina:
arrinha deprimente


03 março 2009

cautelar-se

Pode ser vista aqui ao lado, em lugares mais interessantes que este, mas para quem anda distraído, registe-se aqui esta irónica invenção: The Amazing Shit Box