31 julho 2009

ma história de terror

Se há pessoas que de um modo geral são azaradas, assim há cães predestinados a ter mais momentos trágicos que aprazíveis. É esse o caso da cadela Lolita. A sua vida, da qual só se conhece um ano sem sem saber quantos leva, já foi sumariamente relatada antes.
Hoje vivemos ambas mais um episódio que me vai roubar o sono. E ter pesadelos. E ter ataques pânico. E suores frios, gelados, arrepios...
Saímos para o elevador, para o passeio do fim da tarde, ela contente na sua trela cor de rosa. Porém, ao entrar no elevador, a trela ficara presa na porta e eu não dei por isso. Carreguei no botão do rés do chão... O elevador pôs-se em marcha e a Lolita presa à porta... O elevador descendo e ela subindo, suspensa, eu agarrada a ela a tentar soltá-la sem conseguir... Ela gania, eu gania e a trela não desatava.
Loooooooonga viagem de um piso... no 5º andar a trela deu de si. Devemos ter ficado uns vinte minutos sentadas no chão, a recuperar o ritmo cardíaco certo.
Lolita safou-se mais uma vez mas tenho muito medo por ela.

29 julho 2009

atinho no poleiro

Dia 1, 16h
- Ai!... Tou... tão aflita... Eu ia na rua e vi um gatinho. Lindo, cinzentinho, enroladinho, debaixo duma árvore... Baixei-me e fiz-lhe uma festinha... Era tão lindo! Mas olha... assustou-se, deu um salto e correu pela árvore acima... Ai, ainda estou até a tremer... A árvore é tão alta e ele não sai de lá. Chamei-o e ele ia cada vez mais para cima. E agora? O que é que eu hei-de fazer?... Mas porque é que isto me acontece a mim?!... Ai meu Deus...
- Vê se arranjas uma escada. Uma Magirus não é coisa que ninguém tenha em casa. Nos filmes americanos chamam-se os bombeiros. Tenta.
- Pois, mas achas que eles vêem?... Ai, eu vou lá fora ver. Pode ser que tenha descido. Vou esperar, achas que devo esperar? E ele ainda nem deve ter comido nada, terá fome?
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17h
- Ai, olha, tenho ido à rua de meia em meia hora e ele lá está, empoleirado, com um muito feliz, mas está lá no topo mesmo da árvore... Já fui comprar uma latinha de comida e deixei-a no chão. Ele há-de vir comer...
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17.45h
- Nem vais acreditar, mas ele ainda lá está. Estive a chamá-lo mas ele não me liga. Não sei o que fazer. Os bombeiros só vêm cá se o gatil municipal não conseguir actuar... Ai... juntou-se muita gente ali à volta, pois, é natural, eu estava a chamar e a olhar para cima. As pessoas começaram a perguntar e a ver o gatinho... E uma senhora, ao ver a minha aflição disse para vir para casa que ela trata do assunto. Pronto, já estou mais aliviada, ela disse para não me preocupar...
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18h
- Ai, afinal ela não tratou de nada... ele desceu para um galho mais abaixo e está outra vez a dormir... A comidinha desapareceu mas se calhar foram os pombos. Achas que foram os pombos? Ou até um outro gatinho com fome... A senhora deve ter ido tratar das coisas e ainda não deve ter tido tempo.
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Dia 2 - 9h
- Isto continua... ele ainda lá está em cima. Afinal a senhora não fez nada, aquilo foi só para me mandar embora. Vou ligar para a Liga. Coitadinho, deve estar cheio de fome...
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17h
- Ele já desceu! Mas só um dia depois, já viste? Eu não vi, estava a trabalhar, mas assim que cheguei aqui fui perguntar a uma logista. Parece que foi um grande aparato, vieram os bombeiros com uma escada e o bombeiro foi subindo devagarinho, com muito cuidado para o não assustar e foi-se juntando muita gente. Mas o gatinho quando viu o bombeiro perto, deu um pinote, desceu a árvore a correr e atravessou a estrada.
- Então e onde está ele agora?
- Não sei! Desapareceu, mais ninguém o viu, mas deve estar com outros da laia dele. Ai mas era tão lindo, cinzentinho, de olhos claros e até era coxinho. Já viste que até podia ter sido atropelado? E ela disse que ele não podia ser atropelado porque até tinham cortado o trânsito. E que para gato coxo corria muito depressa. Achas que estava a gozar comigo?
"xalá te veja"

Custou-me gostar e temo que em breve me canse mas para já estou a gostar de descobrir este projecto que é uma panóplia de ritmos, linguagens e línguas e instrumentos (acordeão, trompete, guitarra portuguesa). A música dos OqueStrada têm o popular, o fado, o pimba e misturam tudo num produto que tem tanto de original como de kitsch. Hesito ente estes dois rótulos e arrisco um kitsch de um certo bom gosto que se alastra ao grafismo da capa. Salientam-se os pormenores contrastantes: os letreiros em néon que escrevem "tasca", o ambiente de taverna portuguesa à qual foi aposto um logotipo simpático que traduz o conceito. No entanto, peca pelo conjunto pimba e fico na dúvida se o mau gosto do patente nas páginas interiores é propositado ou é mesmo mau sem querer...

"creo que te amo carinhoo
xuxo denguinho
creo que adoro tus pies
tus unhas, tus dientes
manhana não tengo pachorra prati
mas oi creo que te amo oi"

27 julho 2009

squecimento real em Madrid

Li um dia destes este notícia bárbara: os políticos espanhóis estão a perder a memória devido à devastadora Alzeimer. Adolfo Suàrez não reconheceu o rei de Espanha. Os políticos espanhóis são uma amostra do reino, mas é triste saber que em poucos anos já ninguém vai lembrar-se quem era o verdadeiro rei, o famoso número 9 naquele longínquo 2009.

24 julho 2009

elatina.come

Nestes derradeiros dias anteriores a férias, salienta-se esta estrondosa descoberta protagonizada por mim e pela supracitada Angel: gelatina com browser integrado.
Onde é que as há, onde é? Num aquárius perto de si.

23 julho 2009

ão-d'obra barata

Mestre Maco (hi!, Angel!) apresenta-se para mais um dia de labuta. Para o género de trabalho que qualquer um pode fazer mas que ninguém aparece quando é preciso: separar hardware, classificar, empacotar, acartar. Hardwork thanks to hardware. Até desatar a correr e aos gritos por causa duma sujeita que estava em todo lado. A malandra arruinou um dia perfeito...

22 julho 2009

xpresso-presente

Toda a gente que tem cão sabe que para ter um intestino saudável há que regular a alimentação. Devia reformular esta frase, porque na verdade, para saber isso basta ter intestino e não apenas cão. O meu animal de oito patas come apenas a comida que eu lhe dou e tento que seja sempre mais ou menos a mesma. Ontem decidi dar-lhes um miminho, sendo que, miminho, para um cão, quer dizer um pedacito de carne... Dona má.
O modo de me agradecerem tal oferenda dos deuses, foi meia dúzia de presentes à minha chegada. Não os culpei, coitados. Eles nunca tinham tido necessidade de se expressar desta maneira.
Pode o meu leitor achar que isto é conversa de cáca, mas já o habituei a isso, certo?

21 julho 2009

/’blu:tu:Θ/

É assim que se diz, ok? Irrita-me ouvir blutut, blutu, blutute, blutufe. Parece que muitos jovens (a quem isto não se pode admitir mas que são quem mais o diz) ficaram a meio da escolaridade obrigatória.
O meu telemóvel contraiu a "gripe é" via bluetooth. A título de curiosidade, este logotipo resulta da junção de duas letras H e B (na sua correspondência latina), não sendo portanto, dois dentinhos azuis.
ributo

Eles foram à lua mas eu estive lá perto.

20 julho 2009

olaroids de fim-de-semana e + 1 dia
  1. No sábado, alguém que queria apreciar o acoplamento dum tal space shuttle que anda por aí a voar, propôs-me montar um instrumento esquisito em minha casa. Palavra puxa palavra e lá me conseguiu convencer de que o sol nasce no meu escritório e apenas ao meio-dia menos um quarto. Isso não era muito importante para o assunto em questão, porque a observação só teria lugar por volta de cinco minutos no escurinho de por volta das onze horas da noite. Conclusão: o instrumento não apareceu para ver o outro instrumento acoplar.
  2. A Milu caíu. Ninguém sabe como porque ninguém viu. Apenas se sabe que levou sete pontos e que o meu fim de tarde passei-o a ver o rabo cosido duma gata.
  3. O Kiko vomitou no carro. Limpei com aquilo que tinha à mão, poluentes toalhetes húmidos. Quando lhe fui dar água, verti a água no tapete e a chave do carro caiu para debaixo do carro do lado.
  4. Mais um dia interinho de formação para me voltar esta verdade insofismável: é bom aprender e fiquei com vontade de voltar aos bancos...
  5. O meu telemóvel de estimação contraiu -GRIPE É- e está internado com diagnóstico reservado. Sintoma: todos os contactos se chamavam "é".
  6. Não me canso de dizer isto: Os Contemporâneos são o único motivo válido para ver televisão, o melhor humor que há. E que ninguém me venha dizer o contrário!
ra então explique-se lá

Uma pessoa já não pode ter ataques de pensamento adolescente que já vem logo alguém dar-lhe (letras com) música, com ar de quem tem sempre os pés assentes na terra*. Estava eu aqui sossegadinha no meu canto a meditar coisas profundas e vem ela abanar-me, explica-lá isso. Há coisas que não têm explicação simplesmente porque são dumas profundezas muito pouco compreensíveis ou simplesmente por tão parvas serem. Há, isso sim, que averiguar quem é o Fernando, que, não sendo Ribeirinho e dado a proximidade deste outro, e dado que este não poderia ser, só pode ser este.

*ver próximo/anterior post

19 julho 2009

óòhnóòs

Cresci a pensar que havia muitas pessoas corajosas, daquelas que são capazes de romper tradições, ignorar futuros que outros lhe traçaram e adoptar estilos de vida alternativos. Isso parecia-me óbvio no caso de figuras públicas com poses originais e corrosivas, tão mais óbvio quanto a sua capacidade de alterar e influenciar pessoas e multidões. Mas também pensava isso acerca de comuns mortais desiguais que pululavam à minha volta; julgava os outros de acordo com visões que criava deles e inventava-lhes vidas.
Essa visão sonhadora foi-se desboroando conforme cresci e todos os dias se desfaz mais um bocadinho.
Afinal todos vivemos no mesmo mundo e partilhamos igual condição humana. Os outros não têm mais do que vidas normais, com os mesmos grilhões e condionalismos. Têm carradas de filhos que também berram como os demais, têm dívidas ao banco, contas luz para pagar, caixotes com lixo que enchem para despejar. James Hetfield está a construir uma casa com energia solar porque se preocupa com o ambiente. Fernando Ribeiro emociona-se a cantar Amália. E até o preto/branco que devia pensar que era imortal, morreu.
o passar o navio
fica o mar sempre igual

16 julho 2009

todo, as partes e o assim assim

Estou numa acção de formação sobre o funcionamento dos quadros interactivos com que as escolas foram equipadas. Vocacionado para a Matemática mas de vasto uso, caber-me-á dar a formação que estou a receber...
Escrevo este post enquanto eles descobrem as funções das caixas de ferramentas. Há quem não veja o que está à sua frente. Porquê?
Este pensamento surge-me na sequência de uma conversa que tive há dias com um amigo. Terei eu mais apetência que os outros para a informática, embora ela não seja a minha formação de base? Eu digo outra coisa: devo à minha formação académica e à minha auto formação aquilo que vejo, percepciono, interiorizo e aplico; exercito a percepção. O meu campo visual não resulta apenas de ver em wide screen; sou atenta aos pormenores. Vejo não só letras, mas tipos, formatações, espaçamentos, alinhamentos, direcções; não só conteúdos, mas representações.

Mas nada disto seria possível sem um elemento: tenho uma dívida enorme ao CorelDraw. Aguçou-me a curiosidade, fez-me transpôr o que faço na prancheta para o ecrã. O design gráfico omnipotente. É principalmente a ele que devo o facto de estar a escrever isto enquanto os meus colegas de sala transparecem, agrupam e sobrepoem figuras geométricas. Order to front, send to back.
Order to listen.
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Fui ao quadro desenhar estrelas de cinco pontas e pentágonos coloridos e descobri da pior forma possível que estes quadros me provocam o mesmo dano do quadro de giz: o arrepio do risco de giz a arranhar o quadro (ghriiii). Que tipo de sensação é esta, que entra pelo ouvido mas que arrepia o corpo todo? O tacto? A audição apenas? Não quero sequer falar disto, porque já estou mal disposta.
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Intervalo para almoço. Não tendo programa melhor, fui a casa passear com os cães, que muito gratos ficaram; pelo menos, assim o espero, porque não almocei. Roubei um iogurte ao frigorífico e um pêssego à fruteira, que fui comendo pelo caminho e que me espirrou à primeira dentada. Estou, portanto, consporcada de pêssego, cansada e com fome.
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Riscos e riscos e riscos arrepiantes, capazes de me tirar o sono mais logo...
Tenho dois dias para estudar o programa (aqui há mais recursos), já que na segunda-feira tenho que construir materias. A certificação desta acção (precisarei destes créditos?!) só será possível depois de eu mesma dar formação os meus colegas, portanto, fui procurar sarna para me coçar.

15 julho 2009

hapéus há muitos

Um guarda-fatos a abarrotar de casacos com ombros levantados da década de oitenta, tão largos que impedem as portas de fechar. Tailleurs tipo channel com saias de racha atrás, blusas brancas de cabeção e rendinhas, camisolas de licra coloridas e justas - tudo amarfanhado em roupeiros soperlotados e gavetas mal fechadas. Sabrinas de verniz, ténis descorados das lavagens, com atacadores esfarripados, metidos a tralhão em caixas debaixo da cama.
Prateleiras com chapéus, muito chapéus, meticulosa e devidamente embalados, sem um beliscão nem um pózinho. É assim que deve ser o closet de Mariazinha.
Uns risonhos olhos azuis num rosto sardento de feições finas, Mariazinha tem um coração generoso, mas um péssimo gosto no trajar. As peças, por si só, não são feias, mas em conjunto, estragam-se; um casaco elegante e de bom tecido é arrasado por um sapato da pior espécie; o conjunto desportivo e informal é arruinado pela bolsa atada à cintura que disputa com as formas redondas do ventre, devidamente marcadas pela justeza das roupas muito garridas. O todo torna-se assustador e ignora a beleza das partes. Como se abaixo do ombros não bastasse a confusão, acima deles Mariazinha usa chapéus com abuso. Chapéus bonitos, de formatos diversos, de delicados materiais, com cores variadas ou uma só. Sabe colocá-los na cabeça consoante o género - de abas, caqui, capelline, scarllet, com faixa e sem, inclinado, a direito, mais enterrado ou não, mas não sabe quando deve usá-los. O chapéu tornou-se uma imagem de marca. Se fosse preciso criar-lhe um símbolo, estava o problema resolvido.

Mariazinha tem grandes preocupações e uma delas é social - não deita nada fora, pelo contrário, recolhe, amontoa. Recicla uma pequena parte porque da grande parte já lhe perdeu o tino. Não tem noção do que tem, porque se limita a guardar. Quem ouve o seu discurso, tem que concordar com ela -clama que todas as coisas podem servir para outros fins que não aqueles para os quais nasceram (eu própria ponho em prática esse princípio) e que portanto, o melhor é não deitar fora (quanto a isso, tenho algumas reticências). Como ia dizendo, Mariazinha recolhe. Recolhe tudo em todo o lado, mas há lugares preferênciais: o ecoponto ao pé de casa. Curiosamente, ao pé da mesma sua casa, existe uma gráfica que se tornou na sua maior fornecedora de desperdício. A dimensão não a atrapalha e se de difícil transporte, não o bastante que a demova de as arrastar.

Tenho um gosto exagerado pelo ridiculamente risível e Mariazinha dá-me belos motivos, mas recentemente colocou-me no meu lugar duas vezes:
Envergava um fato saia-casaco branco, impecável, e na cabeça, uma capeline beje. Elegante? Bonito? Não: trazia nos pés umas sapatilhas! Seguia calmamente o seu caminho até estancar em frente ao ecoponto fatal (eu seguia-a enquanto procurava lugar para o carro). Desapareceu do meu olhar para voltar a aparecer pendurada no enorme caixote de lixo. Peguei na máquina fotográfica... e voltei a arrumá-la. Uma mistura de dó e vergonha fez-me recuar.
Cansada de ver o estado miserável de desarrumação da arrecadação duma das salas onde trabalho, investi contra as pilhas de sacos e demais tralhas que se acumulam há anos. Caixas vazias com pincéis e tintas secas, cordas, vestidos de papel, troncos de madeira... Diversos sacos cheios de pequenos electrodomésticos avariados foram metidos na mala do meu carro para depositar no Electrão quando fosse para casa. A cinco minutos do alvo, recebo uma chamada duma colega, pedindo que os levasse de volta. Mariazinha exaltou-se, saiu de si e do chapéu, bem a ouvia lá ao fundo, aos berros. "Precisava daquilo" e eu "não tinha nada que mexer no que não era meu". Afinal, o que eu considerei lixo não era lixo e tinha dono.
Vi a satisfação estampada no seu rosto ao espreitar para dentro dos sacos. Estava tudo, incluindo a chaleira amarela rachada e cheia de pó, um passe-vite, duas lanternas, três rádios a pilhas, uma torradeira, três ferros de engomar, duas cafeteiras, vários secadores de cabelo.
Contou cinco destes, "todos diferentes" mas todos iguais num ponto: nenhum funciona. Três sacos de objectos de uso comum e baratos, aos quais a maior parte das pessoas não presta atenção. Que fazem eles numa escola?, pergunta-se.
Teriam razão para existir ali quando se estudava design; quando se analisavam formas e funções, usabilidades, custos e materiais - aquilo que justifica o objecto. Fazem sentido hoje, segundo Mariazinha, para os alunos desenharem quando não trazem outro material, o que é problema diário.
Alguém que lhe metesse debaixo do chapéu essa verdade insofismável: qualquer objecto que aparente ser lixo poderá deixar de o ser se se souber expô-lo numa estante, numa vitrine, num lugar decente. Assim, como aposto que faz com os seus chapéus.
Venha o que daqui vier, uni-me a ela: arranjámos maneira de os expôr, de os tornar apetecíveis ao estudo e à mão, de os tranformar de lixo a objecto de estudo. Deitamos fora os sacos e limpámos o pó.
Talvez em breve eu própria faça uso deles em breve (embora eu continue a achar que os alunos de desenho têm na própria figura da professora o melhor modelo de todos os tempos). Pelo menos, em termos de chapéus, todos os dias têm um novo para desenhar.

13 julho 2009

az de conta

Parar para não fazer nada e sentir que se fez muito é a imagem que tenho de um domingo a caminho de perfeito.
Acordar sem despertador é coisa que faço com a maior das facilidades, mas não ter que preparar nada para o dia de trabalho seguinte é muito bom e já me estava a esquecer do quanto!
O programa de CN era um pequeno almoço na Ribeiro, na condição o percurso ser de bicicleta, urbano, portanto. Não acautelamos a segurança das viaturas, no que, o solícito empregado de mesa se disponibilizou a achar solução. O cadeado acabou por aparecer. A zona que nos propunhamos explorar, sossegada nos restantes dias, está agora povoada de carros mal estacionados e pessoas que só têm como objectivo um lugar em cima da praia. Vimo-nos empurradas para um baptismo na marginal: berros, aflição, adrenalina nas pernas. E por fim um caminho plano, liso e vazio, parecido com uma ciclovia... e um muro branco, altamente perturbador da visão...
que é que lhe falta?


Foi este rapazinho que me mostrou um dos absurdos slogans da campanha do Isaltino. Hoje cruzei-me com um "eu voto na minha segurança"; li algures que Oeiras está cada vez mais aprecida com Sucupira. O senhor já tinha dado mostras da sua grande lata mas estes pregões zombam de nós!

08 julho 2009

05 julho 2009

stou lixada com isto!

As potentes mentes socratico-rodriguescas têm vindo a protagonizar a multiplicação do computadores nas escolas. Não são vinte nem trinta, são às centenas. Não há mesas capazes nem cadeiras decentes, as janelas não fecham, não há tomadas onde ligá-los nem uma rede que os conecte (talvez esteja a ser injusta - há escolas que tiveram o azar de ter muitos mais do que 176...).
Duas carrinhas despejaram na escola meia dúzia de maganos que pareciam vir de Guantánamo e pilhas de caixotes HP. Ligaram-os, prenderam-os às mesas. Foram embora.
E a activação das centenas de windows é para ser feita UMA A UMA!
Activar o windows não é coisa complicada e far-se-ia em três passos se, para além de ter internet, não fosse preciso de andar com fichas triplas e extensões... e se não tivesse de recorrer à instalação via telefone. UMA A UMA!







"Não foi registado nenhum algarismo, repita por favor" - à quarta tentativa sai o primeiro murro na mesa e o primeiro jacto de asneiras - AP teclava os números em vez de inseri-los no telefone... HM carregou no OFF do telemóvel e perdeu o PIN.
Há que recomeçar de novo amanhã.
A cada dia que passa mais me convenço de que comprei um t3 para dois minúsculos cães usufruírem de sossego e sol.

02 julho 2009

ão aos parquímetros

Fujo deles como o diabo da cruz, mas não exageremos.

ialecto do professor extenuado

O chorrilho de novas palavras nesta altura do ano lectivo é extenso, mas devido ao facto de estar extenuada, registo apenas três, garantindo que mais aparecerão em breve:

fiz + sim = fim
porra + parva = porva
franco + sucesso = fracasso

01 julho 2009

alto sem rede

O rapazinho do terceiro andar andaria deprimido ou deprimiu subitamente, já que sempre o vi muito bem disposto. Dizem que perdeu o emprego e que isso o fez beber em demasia. Bombeiros, polícia, ambulâncias, pessoas na rua, a cochichar, colchões insufláveis e tralhas paramédicas espalhadas pelo chão.
- Aquilo foi o seu vizinho que queria voar.
- Foi o brasileiro que se mandou da varanda.
A ligeireza com que se brincava com aquilo inquietava-me mas sosseguei quando vi que as minhas janelas estavam intactas; não tinha sido explosão de gás e nenhum dos meus cães se podia ter confundido com um brasileiro voador.
Caí em mim (e ele no chão), quando alguém disse:
- Tentou o suicídio.
O peso da palavra certa na hora certa.
Se era isso que o rapaz pretendia, podia ter pedido emprestada uma varanda de um andar superior; talvez assim obtivesse mais do que muitos ossos partidos e uma árvore esgalhada.