30 outubro 2009

m sinal positivo, ou

quando a minha opinião é alterada por obra da publicidade feita à volta de uma boa acção: sempre os achei uns chatos, mas agora que vão plantar uma árvore por cada bilhete vendido, confesso que comecei a simpatizar com os Blasted Mechanism.

24 outubro 2009

Sair para ouvir um barulho que não existe. Levantar cedo para ir a um notário que está fechado. Vacinar um cão que não pode ser vacinado. Administrar uma plataforma resistente... Eu resisto.
ilent noise

Era quase meia noite; preparava-me para me deitar com o meu livro quando soou o alarme. Dona Teresa precisava de mim e chamava-me via sms. Uma vez, aguardei, duas vezes. Dizia que só eu a podia ajudar, que precisava que eu lhe dispensasse meia hora no silêncio da noite; que tinha problemas de energia.
Muita coisa que passou pela cabeça naqueles minutos que antecederam a minha resposta; estava com insónias e queria que eu a distraísse? Estava com energia a mais e precisava de sair para a rua? Estava às escuras na casa nova? Que energia era aquela? Devia levar lanterna? Pilhas? Velas? Não me sentido totalmente à vontade, anui. Apressei-me a vestir para sair e em breves minutos, tocava a minha campainha. Trajava um enorme casaco abotoado que deixava a descoberto umas longas pernas que terminavam numas havaianas amarelas.
- Amiga, tem de vir comigo a minha casa. Preciso de saber se o barulho que eu oiço é energia ou é da minha cabeça.
Percebi - decididamente, era realmente energia em excesso... Faltava saber a origem.
A casa estava às escuras e tudo dormia. As luzes do tecto falso desataram num zzzzzzzz suave que para ela era um barulho enorme. Entrámos, desviando-nos dos móveis que eu já conhecera na casa onde moro. Levou-me para o quarto e pediu para me deitar, apagando a luz. Deixou-me sozinha para ouvir, como se fosse ela: um silêncio absoluto interrompido por um motor de mota e um leve arrastar de cadeira no andar de cima. Não, o problema era na cabeça dela.
Ficou alíviada, disse. Afinal já não tinha de mudar de casa de novo, como vem fazendo sucessivamente há seis anos. Compreendi finalmente porque me vendera a casa.
Dona Teresa tinha ainda outro problema: uma conta de correio electrónico que caducara e outra cuja palavra-chave não era aceite. Aproveitei o portátil à mão e reactivei-lhe as contas.
Não me custou, como poderá parecer. E acredito que fiz qualquer coisa por ela nessa meia hora que se transformou em hora e meia.

19 outubro 2009

hora da horta

Atravesso diversas fases de cultivo - cultivo arduamente o interesse dos nossos alunos pelos meus interesses, cultivo o gosto pela leitura, pelas artes, pela tecnologia, cultivo bons gosto (seja lá o que isso possa ser), cultivo-me também o prazer de fazer coisas de que gosto. Cultivo terreno para obter boas colheitas; fico-me pelas virtuais mas há quem se esteja a dedicar à verdadeira agricultura e eu aplaudo isso. Como se diz no outro sítio, eu gosto disto.
Nessa tal horta virtual, gosto dos gráficos, que, apesar de um certo cariz pueril, representam a vida na quinta com bastante fidelidade. A hortaliça com mais rigor que os animais. As abóboras melhor que os ananases. Lamento que os gráficos não possam ser apreciados com mais pormenor. Lamento não poder usá-los para mostrar aos meus alunos modos de representar aquilo que casualmente os levei a desenhar - precisamente hortaliças.
Nesta encruzilhada de coincidências hortísticas, há uma falta fatal! Nem Farmville, nem aula de desenho, têm nada que substitua o cheiro. O cheiro da terra, o cheiro do estrume da vaca, o cheiro das couves e das frutas.
Mas já agora, que atravesso uma fase em que me é permitido o uso da total capacidade do nariz, descobri o aroma da Lantana, planta abusadora que cresce em todo o lado mas que só se deixa cheirar eficazmente quando é podada. Descobri esse cheiro enquanto os meus cães produziam um outro a dois passos...
Lamento não poder partilhá-lo.

18 outubro 2009

èja vu

Mais estranho que ter um, é ter um déjà vu de um outro déjà vu. Ou meto isto nos relatos de uma velhice precoce?

12 outubro 2009

irem-me daqui!



Era já tarde quando acordei para o problema - à custa de o adiar, tenho agora que fazer de conta que não pedi alteração de morada no cartão de cidadão. Recuso o número 50 do talão que me calhou quando ainda vai no 10. Um dia de espera pela frente, desisto.
Bato a outra porta - na junta de freguesia têm um leitor de cartões mas não sabem que podem facilitar a vida das pessoas pondo-o a uso. Discuto, argumento, sem sucesso. Eu sei que não sou persuasiva, paciência. Tenho um dia para registar a nova morada ou terei de repetir o processo.

Para quem um dia precisar, aqui fica a mais preciosa dica: não vão para filas, façam o agendamento e preparem-se para ouvir os mais injustos insultos de quem ali passa o dia e vê um cidadão chegar e passar-lhe à fente. Mas não há disto para uma simples alteração de morada...


Adenda: Não foi preciso mais do que tentar uma outra junta de uma outra freguesia. Gente mais solícita e simpática que me franqueou a porta do gabinete para instalar uma drive preguiçosa. Que até me agradeceu por ter ajudado a resolver um problema. Além do mais, já estou como manda a lei.