01 abril 2010

ara quê um título nisto?

Olho os que têm filhos pequenos e dou graças a Deus por não os ter. Por não ter por diante um dia de dedicação exclusiva; por não ter que passar por correrias, berreiros, angústias de birras. Olho os que têm filhos crescidos, digamos adultos ou quase. Percebo que tantos são mimados, pouco esforçados e muitos, pouco amigos dos pais. Constrangem, manipulam os pais e os demais. Dão-lhes dores de cabeça e arrelias. Dão-lhes netos para cuidar quando se preparam para descansar na reforma.
Claro que existe o outro lado. O positivo, o da felicidade de os ver crescer, dizem. O que dá sentido à vida, dizem. Um rol de alegrias sem fim, dizem. Que é tão lindo, dizem.
Passei ao lado da maternidade, dei um pontapé na possibilidade de fazer carreira no papel de mãe e dona de casa para o quais me talharam. Sofri anos a fio com isso. O peso foi tamanho que moldou a minha vida durante anos.
Não me arrependo; fazendo as contas, viveria agora angustiada por saber onde iam e com quem foram, que altura teriam os namorados; negociaria a compra de relógios de marca, de carros e de motas. Alegrar-me-ia na eperança de ser avó, de ter a casa cheia de corridas e berros de novo, dizem. E isto, se entretanto não me tivessem chutado para um canto qualquer.
Não vivo nessa incerteza. Tive sorte. Não tenho que escolher por ninguém nem ter pesadelos por ter nas mãos o futuro de alguém. Poderia ter uma casa cheia? Poder podia, mas não era a mesma coisa.

4 comentários:

colaroyde disse...

Puseste por escrito exactamente o que eu penso...

janota disse...

É a prova de que estamos tanta vez em sintonia...

Gil Duarte disse...

Compreendo-te muito bem. Muito, muito bem. E a quem tem razão, não se pode tirar razão...

janota disse...

Porém, não é minha intenção ter razão.