01 abril 2010

bismo

Pinhões andava chateado. Começou por ficar triste mas tamanha repetida tristeza converteu-se em raiva. Enervavam-no a juventude e a graciosidade das colegas jovens, muito mais novas que ele. Mais novas que ele!, como se isso algum dia tivesse sido previsto por aquele seu orgulhoso cérebro.
Sofria daquele mal de que sofrem muitos jovens, que crêem que esse estado próprio da sua idade é eterno. Agora, a beirar os cinquenta, Pinhões, queira enganar-se e iludia-se na presunção de que podia praticar os mesmos desportos de havia anos: beber o seu copito ao almoço e depois dele; chegar atrasado a todo e qualquer compromisso e dá-lo por concluído antes de ter terminado; pegar na sachola para cavar 10 m2 de terreno sem dó nem piedade, de um trago. Pior. Pinhões adorava fazer-se de esquecido e usava essa façanha como arma de intervenção junto do mulherio, que se desfazia em amabilidades com peninha dele.
Coitado, está passado.
No entanto, Pinhões ia nutrindo um ódiozinho por aquelas que o bajulavam. Não suportava que os colegas de longos anos transformados em amigos do peito profundo fossem substituídos por meia dúzia crescente de galdérias apressadas e histéricas. Que nervos.
Sentia-se a alguma distância um certo cheiro a álcool. Talvez aquele em que marinava o ódio... Os olhos saltavam-lhe das órbitas e esborrachavam-se nas grossas lentes quando explicava a sua mais importante actividade para esse ano. Saltar de pára-quedas. Podiam levar-se um ou outro aluno, mas era fundamental que fossem todas...

2 comentários:

colaroyde disse...

Pinhões tinha 1 relógio mágico que marcava 1 tempo diferente só para ele...por isso andavam todos sempre a correr para chegar 1º e era essa a causa do ódio q brilhava por detrás das lentes!

janota disse...

Melhor é impossível!