13 junho 2010

u, animal de quatro patas - V

A minha mãe, prestável, solícita, querendo fazer tudo ao mesmo tempo e ainda por cima libertar-me de acartar pesos, agarra-me nas canadianas e diz: "Vai andando que eu levo-te isto!"

O meu vizinho da cave é búlgaro e queira perguntar-me se eu estava melhor. Percebi-o pelo óbvio da situação, não que percebesse patavina do que dizia. A conversa prolongou-se, quase exclusivamente em linguagem gestual e qualquer coisa a que eu chamaria de grunhidos entremeados por uma ou outra palavra decifrável. Língua estranha, aquela. O senhor acabou por me perguntar se me tinham posto um prego. A avó dele caíra e puseram-lhe um prego na anca; quando morreu, tiraram-lho.
A grande dúvida que ele tinha, levou-a com ele: será que cá fazem a mesma coisa?

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