28 setembro 2010

onsumo ilimitado

Liguei para dar um contacto telefónico. Simples, rápido, sem dor.
Gabriela contou-me que estava para vir ao hospital que fica perto de mim mas não veio. Que o médico a mandou lá ir mas ela pediu para deixar para amanhã; mas quem a atendeu foi uma enfermeira, que há dias em que entra a uma certa hora mas hoje entrava a outra; que estava baralhada com a outra, ai, a, ai, a assistente social que é muito querida; que quando ia para telefonar o cão lhe mordeu no braço porque queria uma coisa que ela estava a comer; que lhe deu tantas com um chinelo que ele ficou todo o dia cabisbaixo; que a mãe precisa de ajuda para tomar banho e que, portanto, quando o médico ligou ela não pode atender; que o médico ligou de novo, foi muito simpático; que teve muita sorte porque naquele hospital são todos muito queridos; que a, a, ai, a assistente social, já baralho tudo, lhe disse que precisava que ela lá fosse buscar a cadeira de rodas; que a filha vai para a faculdade à tarde e não pode lá ir por ela; que acabou por ir à farmácia comprar os medicamentos, aquele, o, ai, ai, o argumentin, alumentin, ai, como é? Pois, augumentin; que o cão está triste porque levou tantas; que o contacto que precisava que eu lhe desse era para uma amiga com quem já não fala há dias porque quando lhe liga ela não pode atender.
Vou passar a fazer o mesmo; não posso atender.
Acabei por mandar o dito contacto por sms...

1 comentário:

josépacheco disse...

Olha que se passas a não atender, perderás pedaços de conversa verdadeiramente impagáveis, como este. Perdia-los tu, e perdíamo-los nós, teus leitores. Era justo? Há qualquer coisa de divino nessa dona Gabriela.