Confesso que nutri alguma curiosidade pelo filme que vi ontem (Eat, Pray, Love) mas aposto que os jornais estão apinhados de comentários pouco abonatórios em relação ao filme.
O filme irritava-me mais profundamente conforme se sucediam os lugares comuns:
Uma mulher quer reencontr
ar-se consigo própria (alguém me explica o que isso é? Tive toda a eternidade que dura o filme para perceber e hoje, um dia depois, ainda não sei).Essa pessoa parte em busca de si. Primeiro procura-se em Roma; depois procura-se em Nápoles. Em ambos os sítios come, come por prazer (devo passar a fazer o mesmo, eu que ando incomodada com três quilos a mais?). Grandes planos banais sobre pratos de esparguete e piza - a própria ementa banal. Retira-se para a Índia, obviamente; para orar, obviamente. Procura o conforto refugiando-se na meditação e de repente, surge a paixão na pessoa de Javier Bardem ao som de S'wonderful, de João Gilberto - isto sim, não previsível.
Penso se Julia Roberts, demasiado magra e loura, terá lido o guião. Se o próprio Bardem o leu com atenção. Aposto que foram convencidos pela banda sonora. É ouvir Got to Give it Up, de Marvin Gaye e, melhor ainda, Harvest Moon, de Neil Young, o melhor momento musical. E para a ficha técnica, Creep...
Recordo uma amiga que, há largos meses optou por revirar a sua vida; alguém lhe aconselhara a leitura atenta deste livro por ser um guia para quem precisava dar tal passo; ela deu-o mas tenho muitas reservas sobre o papel deste livro ou do filme na vida dela ou de alguém. Até sei: na minha teve um papel - escolher melhor os filmes e não se deixar vender por uma melhor banda sonora e uma carinha laroca no cardápio.

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