28 maio 2010

eviravolta

Agora eu estava muito contente!!!
Fiz 5 minutos de bicicleta! Não saí do ginásio mas isto teve o efeito de ir de Cascais ao Guincho e à beira mar.
5 minutos chegam para mudar a vida. Abrem caminhos, perspectivam novos horizontes.
Agora vou descansar, que mereço.

27 maio 2010

onge demais

Estou aqui e os jacarandás enchem as ruas de lilás. Longe demais.
Todos os anos os venero e delicio-me nas avenidas.
Este ano não.

25 maio 2010

e - reflectindo

As pessoas tendem a ler mensagens nas coisas que lhes acontecem. Desde o meu atropelamento, muitas têm sido as justificações para o sucedido. As hipóteses chegam-me das mais diversas proveniências. Há uma porém, que se mantém no top-dos-motivos-para-acontecerem-acidentes-às-pessoas; ainda hoje a recebi vinda de fonte imparcial:
Há um tempo para parar e pensar em nós próprios. Os outros e as coisas alheias não são tudo.

A reflexão continua nos próximos meses.

21 maio 2010

olecção maio/2010...























Ao fim de dias em casa, uma saída de taxi para ver o mar. Pela primeira vez, a saída não passou pelo hospital. Valeu a pena.
itações fundamentais à vida

"Como uma cadela aprendeu as regras de comportamento e convivência e, em troca, ensinou à dona que a felicidade reside em gestos tão pequenos como a alegria genuína de um cão ao ver o dono chegar a casa. Todos os dias."

in Expresso online, O Cantinho do Smith, http://aeiou.expresso.pt/as-licoes-de-bobina=f584056

20 maio 2010

y sweet lord

Atente-se aos músicos (se se conseguir): Eric Clapton, Phill Collins, Tom Petty, Paul McCartney, Ringo Star e a voz fantástica de Billy Preston.

18 maio 2010


inda?

Neste universo reduzido em que actualmente me movo continuo desagradavelmente surpreendida - estou atenta aos objectos e espaços com os quais nunca tinha privado nesta óptica, de utilizadora com limitações físicas. As dificuldades nas acessibilidades estão mais presentes do que se julga e eu pensava que se andava no bom caminho. Vejamos apenas dois exemplos.

Grande parte das ambulâncias dos bombeiros destinam-se ao transporte de doentes: em macas , em cadeiras e rodas e a pé. Andar de cadeira de rodas foi uma experiência penosa e é-o em canadianas. A maior parte (já) não têm degrau amovível e no seu lugar existe um banquinho artesanal, feito por um qualquer bombeiro (pouco) habilidoso onde assenta com dificuldade um pé saudável.
As descidas da ambulância são um salto para o abismo.

Mesa de café num bar do hospital de Cascais, que ainda nem um ano fez: mesa retro, de plástico azul. Superfície: rugosa, altamente texturada. Porquê? Porventura o edifício abana? Superfícies onde poisam alimentos exigem-se lisas, facilitadoras da limpeza e desinfecção. Líquidos derramados ali ficam a secar, a entranhar-se naquelas bolinhas que já devem estar carregadinhas de bactérias...

13 maio 2010

eneralidades

De um modo geral, os carros que pisam pernas, partem-lhes vários ossos - a mim partiu um.
De um modo geral, estas pancadas provocam nódoas negras - a mim, nem uma.
De um modo geral, isto trata-se com a ajuda da hidroterapia - a mim, a hidroterapia faz-me mal.
De um modo geral, dar entrada na urgência leva a radiografar tudo - a mim, esqueceram o pé.
De um modo geral, recuperar de uma fractura do fémur leva dois meses - a mim, levará seis.
De um modo geral, uma pessoa fica chateada quando isto lhe acontece - eu também.

05 maio 2010

parafuso ameaçador

Sentença do dia: ou estou com o pé quieto, ou aparafusam os ossinhos estalados do meu tornozelo.
Tenho, apesar disso, motivos para estar aliviada:
  1. conheço a origem das dores: sangue pisado acumulado abaixo da camada de gordura. O médico falou em "franca laminação" e eu percebi "limalhas", nome assustador; por momentos, pensei que eram partículas de ferro do carro que se tivessem introduzido na perna por algum buraquinho invisível (o que o nosso cérebro faz em stress!). Habitualmente, o sangue pisado sobe à superfície da pele, formando "nódoas negras", mas este caso é raro... Solução: fisioterapia, tempo, paciência e dor...
  2. Hoje subi e desci escadas pela primeira vez, ao pé quase coxinho. Isto abre-me novas portas, embora meias desaparafusadas.
ois selos e um carimbo


04 maio 2010

úvidas


Tenho uma dúvida: como pode, um perna que ficou debaixo dum carro, não ter uma única nódoa negra e no entanto, doer tanto? Doem todos os ossinhos, embora se tenha partido apenas um e rachado outro.


Nesta época de recolhimento forçado, assolam-me afinal outras dúvidas: onde estão as pessoas com quem me cruzava diariamente na minha escola? Muitas (tantas!) têm sido muito, incansavelmente, solidárias. Vêem, telefonam, escrevem sms e emails, interessam-se.
Poucas, no entanto, são verdadeiramente preocupadas. Trazem-me coisas, fazem-me compras, vão à farmácia. Pensam por mim, antecipam-se. Preocupam-se até porque era dia da mãe e eu não teria presente para a minha.
Outras, satisfazem-se porque perguntam aos outros por mim, presumo. Mesmo assim, irritam-me. Não estão presentes mas incomodam-me.
Este é, literalmente, um tempo de reflexão.

03 maio 2010

ix you, fixe


When you try your best, but you don't succeed,

When you get what you want, but not what you need,

When you feel so tired, but you can't sleep

Stuck in reverse

And the tears come streaming down your face

When you lose something you can't replace

When you love someone, but it goes to waste

Could it be worse?

Lights will guide you home

And ignite your bones

And I will try, to fix you

And high up above or down below

When you're too in love to let it go

But if you never try, you'll never know

Just what you're worth.

Lights will guide you home

And ignite your bones

And I will try, to fix you.

Tears stream down your face,

When you lose something you cannot replace

Tears stream down your face

And I...

Tears stream down your face

I promise you I will learn from my mistakes

Tears stream down your face

And I...

Lights will guide to home

And ignite your bones

And I will try to fix you






e eu pudesse andar na rua,

este é um sítio onde gostaria de ir - à Casa da Achada, reconstruída com a ajuda voluntária de amigos que não pouparam na qualidade nem nas boas ideias.


02 maio 2010

u, animal de quatro patas - IV

Tenho passado o último mês mergulhada numa cor cuja constância é alterada por guinadas ritmadas, localizadas na zona da tíbia. A dor recorda-me as caneladas que o meu primo, em criança, me dava com as suas duríssimas botas ortopédicas. Esta dor, que os fortes analgésicos não tiram, ainda está por explicar e espero que os próximos exames me dêem resposta. No entanto, desde ontem, tornou-se mais suportável e isso tem consequências.
A passividade com que tenho aguentado isto tem um motivo: espero uma melhoria no minuto seguinte, na posição seguinte, no remédio seguinte; mas essa passividade está a dar lugar a uma revolta crescente. Não (ainda?) contra quem me provocou os danos; contra os médicos que não viram o que deviam ter detectado no primeiro dia, que não mandaram fazer os exames certos, que não acreditam na minha dor; cujo chefe de equipa e operador foi de férias no dia em que me deu alta e ainda não voltou; contra o médico a quem fiquei entregue, mas que não consegue, talvez, digo eu a desculpá-lo, atender aos doentes dele e do outro. Creio isso para não crer na sua incompetência.

Estou aliviada porque tenho um advogado e tenho duas tarefas para ele: resolver o problema com a seguradora e mover um processo contra o hospital se entretanto não obtiver as resposta que procuro.
Estou muito aliviada por tenho um pet-sitter que me resolveu um problema de consciência e um problema prático: passeia-me os cães à tarde e à noite, rápidos demais para o meu gosto e o dos cães... Os relatos das passeatas revelam-me uma Lolita traumatizada. Se a sua anterior vida fora difícil, está neste momento mais medrosa, com temos aos carros que tocam música alto, aos motores mais potentes, às acelerações ruidosas. E continua o seu pânico de ambulâncias. Se já tinha, aumentou.