31 agosto 2008

vindimas

indimas que já lá vão
























Se há coisas das quais tenho saudades, é do cheiro, das cores, os sabores e o trabalho duro das vindimas que estariam quase à porta noutros anos muito passados. Restam imagens como esta para me recordar o ritual, mas não tenho imagens que me tragam as pataniscas de bacalhau e as fatias douradas bem frias, da minha avó, com que tomávamos o café debaixo da parreira, antes de partirmos de navalha na mão e cesto no braço à caça da uva.

o julinho

Julinho mais feio do mundo

Os bonecos das crianças são (quase) sempre bonitos, fofinhos, simpáticos, macios, coloridos, transpiram bondade, conforto e alegria. Este desgraçadinho, agora em versão reduzida, foi um dos meus bonecos de infância. Contraria muitas regras: tinha corda mas só andava à roda e não há boneco mais imbecil e feiinho.

30 agosto 2008

descoberta surpreendente

escoberta surpreendente

"Afinal, ao contrário do que pensavam os teóricos, as galáxias jovens têm campos magnéticos surpreendentemente fortes, revela um estudo recente(...) que veio tornar ainda mais enigmática a criação dos campos magnéticos nas galáxias, um dos mistérios da astronomia ainda mal explicados." - dizia o DN um dia destes.
Ora está assim explicado o mistério que envolvia o duvidoso correr das águas na minha jovem galáxia. Talvez seja preciso mandar uma equipa da desentop falar com os astrónomos, porque por aqui, resolveram o problema.

28 agosto 2008

o barba azeda

u também!





O Barba Azeda nas Quatro Esquinas e com a mesma energia de sempre (a fazer fá nas suas costas).

o mau caozinho

meu mau cãozinho...



É este pelo de cordeiro que descansa na minha cama que tenho há nove anos e que tenho como mansinho. Depois de um arrojado pontapé que levou por se ter atirado a uma perna varicosa, este lindo cãozinho tem sorte em estar vivo e não se ter despenhado no mar. Agora, que me afastei dele de novo, desejo a toda a hora que esteja feliz.

27 agosto 2008

cama roxa



















Excerto de uma caminha roxa rafada a branco - é pouco comum mas existe e é um produto das férias.

fecho de férias

im de
érias (mesmo)


Três pilhas de papéis olham para mim há dias, esperando que lhes dê destino. Não vejo nos papéis coragem para saírem dali sozinhos e, por mim, podem esperar mais alguns dias até me refazer deste final de férias. Diz-se que fazer férias é fazer coisas diferentes das que fazemos habitualmente; pois então, sim, fiz férias; (ajudei a apagar muitos fogos, por assim dizer, fazendo jus à qualidade de bombeira, que muitas vezes me foi atribuída). Facilitei a vida a alguém e isso satisfaz-me e justifica o tempo como bem empregue.
Regressando a casa, depois dos fogos extintos, aguardava-me, no quintalito, o cadáver dum azarado pombo preto. Os pormenores não são agradáveis de contar mas muito menos o foram preparar o pombo para as exéquias (principalmente os pormenores que estavam por baixo do defunto). Verifico que nos dias seguintes, um pombo (talvez viúvo) vem poisar no muro com ar de quem quer saber que destino levou o outro.
Acresce a este incidente uma queda e um joelho lesionado, num calmo fim de tarde passado à beira mar, em que o vermelho se sobrepôs às páginas do livro.
Seguiu-se uma dor de dentes e respectivo tratamento que exaspera o dentista mais do que a mim própria.
Aguardo, portanto, ansiosamente (?), o regresso da vidinha normal a que me fui habituando enquanto trabalho.

24 agosto 2008

fechaduras

guiza de fecho (de férias)

As fechaduras do senhor Manuel Francisco dos Santos, meu falecido avô, eram (e alguns são) objectos fascinantes. Simplicidade era coisa rara, mesmo nas trancas básicas, que se metamorfoseavam na sua mão. Todas tinham um cunho pessoal, ainda que não fossem objectos de rebuscados mecanismos.
Visitei uma sua antiga casa, quase arruinada e cheia de marcas suas. Portas, portões, portinholas e cancelas mantêm o seu cunho, como se pode conferir nas imagens juntas.























































































Esta visita não ficaria completa sem que me trouxesse os cheiros que não sentia há anos e que ansiava rever – a adega, onde há tanto tempo desejava entrar, conservava o cheiro quente do vinho, mais forte dentro da dorna que jazia a um canto, enredada em enormes cortinas de onde se balanceava uma decrépita aranha.


13 agosto 2008

flor

insólitos do ócio - III


nsólitos do ócio - III

As férias têm sempre uns dias dedicados à família. Desta vez, durante a estadia em casa da minha mãe, apareceu uma antiga empregada, pedindo trabalho. A minha mãe aproveitou e a menina Ilda, com o mesmo carrapito de outrora e o mesmo aspecto irreprensível, voltou para limpar a casa por um mês. Ao ver-me e ao meu irmão, a menina Ilda espantou-se, exprimindo vulgares admirações. Espantoso foi ela ter dito à minha mãe: - "A senhora até ainda guarda as caminhas os meninos".
Caminhas? Dos meninos? Era tão-somente a cama do meu cão, coisa que a senhora deve ter levado tempo a realizar, porque aquela cabecinha não dá para muito (como já não dava noutros tempos).

12 agosto 2008

Insólitos do ócio - II


nsólitos do ócio - II

Quem era frequentador da minha casa sabe quanto o som fazia parte integrante daquele espaço. Por amor à música, mas principalmente à qualidade do som, a sala e grande parte da casa, foram reformuladas em função da localização dos aparelhos (para ser mais precisa, direi apenas que a lareira, considerada por grande parte das pessoas elemento prioritário e de destaque, foi preterida por um amplificador de grande dimensão e potência que vivia com oito colunas de dimensões variadas, estrategicamente colocadas por ali fora). Tudo isto para dizer que, durante anos, convivi de boa vontade e muito gosto, com música, televisão e cinema em permanência, com elevado mas irrepreensível volume; os momentos de silêncio eram raros ou impossíveis.
Desde que me mudei, optei por algum silêncio. Não por imposição, mas por alguma (estranha) necessidade, com a qual tenho convivido muito bem mas que previa em fase terminal, até porque, pela primeira vez, senti necessidade de transportar música comigo e finalmente, aderi ao mp3.
As férias trouxeram-me entretanto, outro banzé: os meus três sobrinhos adolescentes em permanente conversa (permanente, eu disse muito bem)! Acrescento um pormenor, sem o qual nada disto faz sentido: o diálogo ocorre essencialmente em italiano, em particular quando há guerra. Com isto quero dizer que produzem muito, mas muito mais cagaçal do que se falassem em outra qualquer língua. Como se isto não bastasse, os monólogos também são audíveis - verifico que eles produzem som mesmo quando estão sozinhos. Falam, cantam, brincam com as palavras e atitudes, revelam heranças em pequenos gestos.
Para ajudar à festa e em intervalos regulares, um booo booo booo booo booo – código transnacional para namorados que se vingam em sinais de telemóvel.

Pensava que deixei de precisar de silêncio? Retiro o que disse.


insólitos do ócio - III


nsólitos do ócio - I


Notável no círculo familiar por oportunos axiomas, a minha cunhada ilustrou deste modo a saída de praia deste senhor: “mais tarde ou mais cedo, todos os homens ganham um pneuzinho”.

03 agosto 2008

vencedor rasgado

encedor rasgado
























Toca a rasgar o vencedor e fazer novas composições.
Enquanto isso, tiram-se uns dias para ir mais longe, mesmo que possa não se sair do mesmo sítio.

01 agosto 2008

lenta rotação


enta rotação

companhia acidental

ompanhia acidental,
a Becky está de partida para uma nova vida



action

ction

Fazia alguns anos que não usava o perfume que mais me delicia. Guardei o frasco e um restinho que uso apenas em dias especiais. Dias especiais não são dias de casamento, de festas de anos ou de encontros românticos. Estes dias especiais são aqueles em que estou bem. Eu e este aroma delicioso. Poder-se-á perguntar porque guardei o restinho, porque não comprei mais, ao que respondo com duas razões: o produto seria retirado do mercado - houve que preservar o pouco que me sobrava. A outra razão é do foro ético; depois que soube que o almíscar - musk - usado como nota sensual, é um componente de origem animal, das fêmeas do veado, e que a sua obtenção implica sofrimento, comecei a ter pruridos em usá-lo. E no entanto isso hoje não me deteve.