31 março 2010

ilent noise II, III ou IV, já não sei

Faz um ano que mudei para esta casa e ainda me parece apenas um pouco melhor que um estaleiro. Esta semana o estaleiro será um túnel de vento - o tempo não melhora e vão substituir-me as portas das varandas. Se não escrever em breve, será porque voei. Procurem-me no oceano.
No espaço de este ano, quem cá morou e me vendeu a casa, já passou por outras três e está à procura de uma quarta para comprar. Imagine-se o que é ser impelido ao nomadismo. Viver com a família e a casa numa roda-viva porque um barulho ensurdecedor não lhe sai da cabeça. E quão difícil será não ter a certeza de que existe um médico que creia na existência desse barulho e a ajude a tratar-se.
Mais uma vez fui convidada a passar quinze minutos numa casa de banho no mais absoluto silêncio. Fiquei lá sozinha, passei pelas brasas e renovei o diagnóstico. De nada me serviu, de nada lhe valeu. Aposto que isto continua em mais episódios.

28 março 2010

ara o que me havia de dar

Um qualquer centro de investigação espacial que não se chamava StarTreck, tinha posto ao serviço da aviação comercial a Enterprise, para pequenos voos. A sua primeira viagem com a TAP seria a ligação Lisboa-Milão, na qual iria viajar a minha mãe, feliz por ir visitar o filho, a nora e os netos.
Mas ao levantar vôo sobre Lisboa, uma explosão no interior da nave fê-la projectar-se a pique nas águas do Tejo.
Digo eu que estava a observar a descolagem de um ponto privilegiado sobranceiro ao rio, algures no alto da Ajuda, mas com uma estranha visão de 270º. É claro que a nave desapareceu em chamas nas águas e o resto da minha noite, passei-o acordada.

26 março 2010

Ena tantas tontas!, tentas que oiçam.
Tentar, tento, mas estão-se nas tintas.

22 março 2010

complicado III

vezes ou mais, o horizonte musical português.
Querendo saber quem são os Orelha Negra, verifico que os seus elementos apenas exibem o nome e não a cara; não tenho nada contra isso, mas baralham-me. Os rapazes tocam em diversas bandas e projectos. Gomes Prodigy, Ferrano, Mira Professional, Rebelo Jazz Bass... Nomes bizarros. Antigamente, a Banda do Casaco era a Banda do Casaco e pronto; entrava um, saia outro mas o projecto mantinha-se, achava eu, até morrer. Os Beatles foram os mesmos até ao fim e provavelmente o conjunto João Paulo ainda tem os mesmos elementos. Terão apenasm talvez mudado de concertina.
Os Rio Grande, para além de Rui Veloso e Jorge Palma, eram Trovantes, Xutos e Pontapés e João Gil, que, por sua vez, passou a ser Ala dos Namorados e uma dezena de outras coisas. Os Amália Hoje são tudo, The Gift, Moonspel, menos Amália. Talvez não faça grande sentido falar de grupos. É complicado viver nesta promiscuidade. Ah, engano-me. Ainda temos o Benfica.
complicado I

Por muito trabalho que me surja e eu realize, não consigo ver-me livre dele. A lista de tarefas tornou-se indispensável. Não é para me lembrar das coisas que não esqueço, mas somente para estabelecer prioridades e ter o prazer de ir riscando as cumpridas. Há, no entanto, duas tarefas neste momento difíceis de realizar. Penso cá com os meus botões se não precisarei dum médico...

21 março 2010

complicado

Hoje fui ao cinema sem ter consultado os jornais; a única referência ao filme que ia ver tinha-me sido transmitida pela PV, que me garantiu ser uma boa ideia para quem não se quer maçar muito. "Amar... É complicado" seria um filme descontraído e divertido. Um filme com um nome de um não-estado trazido à praça pública por uma rede social, só podia ser isso.
Ao contrário de mim, o público presente na sala devia estar bem informado, porque estava preparado para rir ao menor diálogo. Confesso que não sou impermeável a certos enquadramentos e que não saí incólume desta sessão.
A desdramatização do divórcio, a leveza retratada na vivência dos filhos, a cumplicidade de 20 anos de casamento.
As covinhas gordas do Alec Baldwin, com muitos impressionantes quilos a mais; a vivacidade e a graça da sempre virtuosa Meryl Streep, com quem embirrei anos a fio sem deixar de ver os seus filmes; o Steve Martin com o nariz curto; os grandes planos a ampliar os rostos, as cores claras e douradas. Uns charros e umas danças bizarras, ambientes a lembrar que envelheço com eles... e como eles. Um filme que vive do gesto, da expressão corporal, sem deixar escapar um pormenor.
Esta sessão fez-me reencontrar com uma sala que não frequentava há anos - o Atlântida Cine; uma sala à moda antiga, que dá gosto ver resguardada das febres comerciais. O simpático espaço, o simpático público e a simpática distância até casa fazem-me crer que lá vou voltar mais vezes.

15 março 2010

heirar em estéreo

Aprendi esta semana que o olfacto das nossas narinas tem valores diferentes. Abri bem as duas sem me preocupar com isso e cheirei o cheiro bom, da primavera que está a chegar, nas flores que brotam em cada canteiro e na folhagem de uma casa vizinha...hummmmm........

13 março 2010

ma modinha

Está na moda brincar aos vampiros e sou avessa a modas, mas estes rapazinhos são muito inspirados. Gostaria de por aqui meia dúzia de musicas deles mas fico-me por uma bela amostra.


ão sei

Embora ninguém me esteja a perguntar, eu respondo: não sei porque é que deixei de escrever.
Não foi porque aderi à rede social do momento (blagh) ; também não foi por falta de assunto. A verdade é que não sei bem. Desconfio que não sei escrever.
Também não sei quando voltarei a dar apenas aulas, não sei quando terei terminado a entediante tarefa que tenho em mãos. Não sei quando é que sairei do trabalho a horas que não me façam chegar a casa de noite. Não sei que secretária hei-de comprar. Não sei como hei-de dispor os móveis da sala.
Não sei que a máquina já acabou de lavar a roupa. Vou lá ver.

10 março 2010

"É detestável estar a contar coisas novas a alguém para aí com cem anos de idade. Não gostam de ouvir estas coisas"

in À Espera no Centeio, J.D.Salinger