22 julho 2010
21 julho 2010
enho uma lágrima no canto do olhoChegou depressa mas muito lentamente o último dia oficial de fisioterapia - a única secção em que posso garantir que tudo correu bem. Durante três meses cumpri um horário severo, rigorosa e pontualmente. Parece-me justo fazer um agradecimento às terapeutas na forma de postal. Redigi-o há pouco e confesso: vieram-me as lágrimas aos olhos. Coisa que sucede pela segunda vez desde que tudo isto começou, a 3 de Abril.
20 julho 2010
oisas que agridem muitoNas minha idas frequentes à praia sofro dois tipos de agressão estética:
Os palavrões do alarido mal educado dos jovens que se juntam em grupos e dizem uma asneira em cada duas palavras.
Os fios dentais das mulheres de rabos gordos e celulíticos.
Qual dos dois me incomoda mais?
O segundo! Alguém consegue dizer àquelas senhoras que aquilo não é para elas?
19 julho 2010
oisas que irritam muitoA caixa dos comprimidos é habitualmente rectangular, de cartão, e contém dois, três ou poucos mais blisters. A caixa abre sempre pelo lado errado, aquele em que repousa, dobradinha, a bula. A bula, de letras ilegíveis, nunca se consegue dobrar pelo modo correcto. Jaz, amarfanhada num dos lados da caixa - aquele pelo qual, enganadoramente, tentamos sempre! abrir a caixa.
Por muita irritação que tal acto, diversas vezes repetido ao
No casos em que isso não acontece, dá até gosto tomar medicamentos. Por ser caso raro, detive-me sobre esta embalagem ao lado, de uma farmacêutica que se preocupa não só com os nervos das pessoas mas também (dizem) com o ambiente. O design resolveu bem, porém, paga-se caro tal luxo. É uma pena.
oisas que moem muitoUm cãozito velhinho caminha com dificuldade à beira do passeio e eu passo de táxi. Muitas perguntas me faço acerca do motivo que o faz andar, se lhe custa tanto. Perdeu-se e procura o caminho de casa? Deixaram-no à sua sorte por ser velho? Decidiu ausentar-se "para morrer longe", de acordo com a esperta sabedoria popular?
Esta uma visão que me arruína o dia.
13 julho 2010
09 julho 2010
08 julho 2010
nimalicesA mim acontecem-me muitas coincidências. Algumas são dolorosas, como esta.
Faz mais ao menos quatro meses (como é fácil para mim agora medir o tempo!), guiando eu pela marginal, vi um cão acidentado. Hesitei, como é meu hábito, mas fui inverter a marcha muitos metros à frente para, quem sabe, poder ajudá-lo. O animal estava prostrado no chão, morto. Não podia fazer nada mais por ele senão tentar encontrar-lhe os donos, que imaginei aflitos à sua procura.
Pedi ajuda à única pessoa que circulava a pé - recusou dar-me a mão. Avisou-me que tivesse cuidado, porque ainda poderiam acusar-me de ser eu a causadora de tal destino do animal. Disse-me que tinha os contactos da entidade responsável a avisar e que iria tratar disso de imediato.
Retive-me a olhar para o cão, memorizando os sinais: jovem, pelo curto castanho com malhas brancas no peito, porte grande, coleira verde. Lindo!
Durante dias evitei aquela estrada e optei pela auto-estrada. A imagem do cão deitado à beira da estrada acompanhava-me e incomodava-me demais...
Ontem, como um relâmpago, vi o cão quando vagueava na internet, sem conseguir precisar onde. Um arrepio deixou-me gelada. Onde tinha visto aquilo? O mais provável era ser no facebook - percorri o mural disponível e encontrei-o muito abaixo, remetendo para demasiadas horas atrás; não interessa, estava lá. Não, não era possível. Tanto tempo após, não poderia ser ele. Reli o apelo muitas vez. Confirmei ser o mesmo cão pela indicação do local do desaparecimento.
Que devia eu fazer? Telefonar a dizer que não valia a pena procurarem-no? Ignorar? Nenhuma das hipóteses me parecia adequada e muito menos confortável.
O anunciante tinha 14 anos. Procurava o seu cão, multiplicava os apelos, pedia ajuda em diversos sítios a isso destinados. Tentei encontrar um adulto entre os amigos dele, pais, tios, irmãos mais velhos. Tínhamos um amigo comum. Recorri a ele. Avisei-o e pedi para reencaminhar a mensagem em que descrevi a situação. Eu sei porque sei que, nestes casos, mais vale saber logo o desfecho do que acalentar esperanças.
A mensagem chegou ao destino, mas até agora o miúdo é o único que não aceitou a morte do cão.
07 julho 2010
áxi da linha, bom diaAndar de táxi é surpreendente não só pelo que se paga mas pela variedade de histórias que se partilham. Não há condutor que não me pergunte que acidente foi o meu e que não tenha em troco uma episódio com rebuscados pontos em comum.
Como o que apanhei hoje, não tenho comparação com o papelinho onde apontava os recados a fazer:
gasol
multibanco
pao pequenino
quejo encarnado
dito "prego"Longe vai o tempo das radiografias tamanho XL, que cabiam à rasquinha nos sacos do Expresso. Hoje obtive os meus exames em suporte digital.
Mais uma vez, esqueceram-se de incluir a radiografia do pé quando compilaram o cd. Começo a desconfiar de alguma má vontade em relação ao meu pé direito.
05 julho 2010
iclicamente,Dona T. aparece. Ultimamente vem telefonando a saber de mim - foi esse o objectivo da última chamada. Aparentemente...
-Ainda tem a sua mãe consigo?
-Sim, felizmente...
-É o que lhe vale, uma mãe como deve ser, uma mãe a sério.
-Mas também tem uma mãe a sério...
-Não tenho não. A minha mãe é uma porcaria.
-Não, olhe que não. A sua também está sempre consigo.
-Estar está, mas você nem imagina. Ela não presta, é uma merda. Não fala, nunca fala comigo. Às vezes tenho-lhe raiva... mas trato-a bem, como posso. Ando à procura de uma casa que fique perto de um jardim onde ela possa passear, coitadinha. Ela e o meu irmão Paulinho, que não pode andar sozinho...
-Pois, tem muita responsabilidade à suas costas...
-Mas ela não presta; para ela, ser mãe é parir e pronto. O meu pai, que Deus tem, só sabia fazer filhos. Nós, quando ele chegava à noite e ouvíamos barulhos e gritos já sabíamos que era ela a atirar-lhe sapatos para correr com ele. Ela não queria nada e ele só queria aquilo, coitadinha... Mas ele respeitava-a, ia-se embora, dormia na sala. Mas, pronto, ela tinha-nos e não queria saber. Pariu-nos aos seis e esqueceu-se de nós.
-E toca a si tratar dela na velhice.
-Eu faço tudo o que posso por ela mas, às vezes, perco as estribeiras. Acreditas que ela quando vai à casa de banho, faz cocó em todo o sítio?! Não é só na sanita, faz em todo o lado, fica tudo sujo. Não sei como é que ela faz aquilo. Até parece de propósito. Depois eu chamo-a e berro com ela e até já lhe bati. Obrigo-a a limpar mas ainda fica pior. A seguir vou eu limpar e desinfectar tudo. E isto é todos os dias...
-Não é fácil.
-É muito difícil. O Paulinho diz que ouve barulhos às vezes, assim, daqueles que eu oiço. E a minha mãe também diz que os ouve. E depois ri-se, eu acho que é para gozar comigo. Mas agora ando outra vez à procura de casa, uma que não tenha escadas nem elevadores. Mas, ó filha, o pior é os assaltos e as cheias. Quando há cheias pode alagar tudo. Mas ainda bem que tens a tua mãe contigo. É o melhor que podes ter.
-Pois isso é...
-Tás a ver aquelas velhas que andam na baixa... cheias de sacos... muito sujas... a cheirar mal...? Se não fosse eu, a minha mãe era uma dessas, uma porca. Ando com problemas na minha internet; um dia vou aí para me tirares umas dúvidas mas agora não, que tenho hemodiálise...
04 julho 2010
agora?!Habitualmente gostamos de regressar aos locais que nos são aprazíveis, onde fomos felizes, que nos fazem sentir bem. As idas ao dentista devem ser as que piores recordações trazem e as que são usadas como exemplo de local onde menos gostamos de voltar - um regresso associado a uma dor de dentes, a um tratamento doloroso, a uma posição incómoda, a um dentista pouco importado com o sofrimento alheio...
Se me perguntassem em que local senti mais dores durante um tratamento (quão longínquos vão as horas de sofrimento na cadeira de dentista!) eu afirmaria, sem hesitar, que foi na mesa da fisioterapeuta.
Aquela sala de tratamentos era o espelho da minha recuperação. Acordar muito cedo, viajar com os bombeiros, equipar-me demoradamente - nada disso me custava. Era um espaço aonde eu regressava para ter dores, sempre dores, mas de onde saía com a convicção de que teria melhorado um bocadinho mais. E assim era.
A alta não se confirma em pleno; aos hematomas quase desaparecidos segue-se o tratamento de uma tendinite da pata de ganso que é tratada com laser - coisa que não ocupa por muito tempo a terapeuta nem a cama em que trabalha! É óbvio que esta minha alta é forçada pelas férias que se aproximam e pela redução de doentes a que obriga a gestão hospitalar. O profissionalismo das pessoas que tive a sorte de conhecer permite-me fazer bicicleta e passadeira; corrigem-me a marcha enquanto não saio de vez. se assim não fosse, ainda não tinha percebido porque é que caminho como um sino...
Seguem-se consultas, relatórios, exames; a necessidade de passar em três crivos: o meu ortopedista, o ortopedista da seguradora que me deve querer ver pelas costas e uma possível junta médica (que espero não seja uma junta das verdadeiras).
Quanto à recuperação da mobilidade... dizem que a terapia do calendário é meio caminho andado.
02 julho 2010
erdigoto dtºDe todas as vizinhas que me poderiam sair em sorte, calhou-me uma que simpatiza comigo. Isso seria bom se ela não espumasse pelos cantos da boca e não soltasse perdigotos, não tenha tido uma depressão e não tivesse um filho adulto que é antipático como o raio que o parta. Os dois andam a mudar-se desde o tempo em que eu corria que me fartava; as mobílias, escalavradas, eram poucas - agora apenas acartam sacos pretos, enormes, sabe-se lá com que tralha.
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