29 julho 2008
27 julho 2008
26 julho 2008
novas sensações
ovas sensaçõesPoderá um balde de lixo ter direito a um post? Pode, o meu tem todo o direito.
O balde do lixo que comprei hoje deu-me uma dupla satisfação - a função puramente operativa, exigida pelo multiplicar de sacos espalhados sem critério; e outra, muito mais importante: o reviver de memórias. Quando o detectei entre um sem número de objectos desinteressantes, quase senti em pleno o cheiro da bolacha americana da Figueira da Foz; o balde de zinco em forma de cone truncado que os vendedores carregavam pelo areal. Não hesitei, mesmo que o balde tivesse uma falha operativa, e tem, teria que trazê-lo. (Faço um parêntesis para falar da falha: o balde do lixo da cozinha, quando autónomo, deve poder ser aberto com o pé, uma vez que quase sempre é utilizado com as duas mãos ocupadas. Pois bem, este meu balde tem uma tampa que tem uma pega e que, portanto, tem que ser aberto à mão. Coisa de somenos importância, claro está).
Há pequenos acontecimentos aparentemente insignificantes que têm um peso brutal e no que toca a memórias, que fazem mais do que visitar qualquer Querido Diário. Tal como este sítio onde agora moro, que é um manancial de cheiros e sensações; pejada de madressilva e buganvílias que distribuem cores e cheiros únicos, faz-me andar de nariz alerta (e que bem que me sabem as manhãs!)
É este um lugar em que, curiosamente, todas as casas têm nome; nada de vivendas mariani, o nosso cantinho, nada de nomes foleiros. Uma casa de nome Outono já é lindo mas mais bonito se torna se escrito ferro branco e em Century Gothic. Estou até a pensar dar à minha casa um nome bem amorozinho... aceito sugestões.
São Francisco de Assis
São Francisco de Assis
23 julho 2008
22 julho 2008
Aqui do interior da nave
qui,do interior da nave TVV2-P, lançada no espaço há cerca de uma semana, vejo-me embrenhada em mil e uma tarefas de ordens distintas que tenho dificuldade em gerir. Releio os manuais de bordo que pouco me auxiliam - os erros de construção obrigam a mão de obra complexa e contínua. Tudo tem, no entanto, decorrido na maior paz. Directamente da nova galáxia, com saudades de outros semelhantes,
Laika
21 julho 2008
Alan Aldridge
antasiasa descobrir na obra de
Alan Aldridge, nome que acabo de associar a uma série de desenhos fantásticos cujo autor desconhecia. Alguns podem ser vistos neste site que peca por ser tão desajustado do referente; e aqui uma série de animais extraordinários. Vale a pena ver os caminhos da fantasia como ilustrador de livros e criador de capas de discos do homem que ficará sempre ligado à Lucy. In the Sky with diamonds, the girl with kaleidoscope eyes - quem não se lembra?



20 julho 2008
antiguidade
esign e livrosJá quase fora de prazo, vai sendo hora de falar, embora pouco, de dois assuntos que me aprazem: design e livros. Vem a talhe de foice a exposição de livros espanhóis, referencias de bom design ilustrada nas fotos juntas.
Assisti então a um seminário sobre Capas Portuguesas que decorreu paralelamente à exposição, que aguçou a minha curiosidade sobre o tema, vastíssimo mas tão menosprezado; grande parte das obras são de autor desconhecido e têm lugar nas nossas estantes de modo incógnito.Sendo a capa o primeiro comunicador do livro, é sobre ela que recaem as maiores responsabilidade na concepção da forma. Para outro plano ficam textura, papel, cor, forma, mancha gráfica, letra. Os critérios que determinam estes factores são cada vez mais apertados, ditados por tendências, modas, tectos financeiros - limites tramados para a liberdade criativa, imposições altamente castradoras. Não é por isso que se tem perdido a qualidade que muitos autores teimam em manter, mas poucos, cada vez menos. Lamento que o público tenha sido pouco e muito pouco variado; ouvir designers falar de livros seria fundamental não só para designers ou estudantes de design mas para todos os que se interessam por livros.
17 julho 2008
uma relíquia
13 julho 2008
maldição
maldição - II*Um dia tinha que acontecer e pelos vistos só faltava eu. Por lá passaram, entre milhares de comuns naves, uma dita ronceira e um maravilhoso bólide negro; faltava o meu elastimobile. Posso agora afirmar que passámos, sem vacilar, a intergaláctica rotunda de Rana, a tal zona do espaço sideral que dizem ter domínio sobre as direcções assistidas. Confesso que a expectativa era grande e talvez o meu veloz e dedicado veículo tenha tido isso em consideração, pelo que, mesmo em excesso de carga, contornou suavemente a estrada em círculo.
A dita rotunda não é porém, isenta de problemas: é dotada de uma força gravítica anormal que impele o pé direito para baixo ao mesmo tempo que uma outra força tolda a concentração. Por momentos, deixei de pensar e avancei decidida frente a um sinal vermelho accionado por um estranho nativo. De imediato, apareceu a correr um bizarro homenzinho de saco verde na mão a vociferar impropérios da pior espécie.
Conclusão: estai atentos! Este estranho ser deve ser capaz das maiores atrocidades verbais!
* Parte I :)
09 julho 2008
07 julho 2008
confesso-me
onfesso-me. Não que tenha cometido um qualquer pecado novo, mas apenas porque, num animado jantar de amigos, veio à baila confessar ambições. Cada um tinha a sua: comprar um "porsche", ter um determinado "rolex", não ter que ter emprego e criar cinco filhos, ter uma bruta moradia de vidro virada para o mar, montar um negócio com lucros chorudos... e eu caladinha a pensar na natureza das minhas ambições. Tenho-as, claro que sim, mas são de outro género, não concretizáveis pelo dinheiro, não dependentes dele. Terei levado demasiado tempo a pensar nisso ou melhor, a construir a formulação correcta, que não me fizesse passar por palerma, que fugisse de lugares comuns do género paz e amor e acabar com a miséria no mundo. Sim, é verdade, os objectivos de grande parte das pessoas passa por ter dinheiro, não para fazer obra grandiosa que não seja construir o seu próprio bem-estar; daí o sucesso do Segredo e das suas fórmulas milenares. Quando acordei, a conversa já ia nos croquetes estaladiços da entrada. Salva por um caldo-verde quentinho, que é quanto basta.
06 julho 2008
intervalo comercial
ntervalo comercialContam-se pelos dedos de uma mão os menus de restaurante visualmente capazes. Pelos dedos da outra mão contam-se os que são eficazes na transmissão efectiva da mensagem que se pretende. As capas são geralmente de plástico gravadas a dourado com anúncios a marcas de vinho. Por dentro, micas gordurosas quebradas, contendo a4 brancos sucessivamente copiadas e gastas; erros ortográficos à parte e letras escritas com esferográfica rasca, têm quase sempre uma cruz atrás do prato que mais apetece.
Mas há excepções a esta regra: a Cervejaria Trindade tem o menu mais bonito que conheço. Não me agradecem sequer o elogio, mas confesso que fiquei mais tempo a ler a ementa do que a escolher o jantar.
Fim do intervalo. Vou mas é trabalhar.

uma quase nova quase galáxia
ma quase nova quase galáxiaFaltava juntar aqui um qualquer episódio da saga extra terrestre que pulula em outras paragens. Histórias reais que extravasam o sistema solar e se estendem por galáxias e tempos por vir.
Tudo aconteceu à volta de um facto, de um tempo e de uma personagem: a recém-nascida galáxia TVV2-P habitada por um único ser de nome Laika, assim baptizada em homenagem à russa cadela mandada para o espaço e da qual nunca mais se ouviu um latido. A primeira empreitada foi contornar os relatórios da vistoria que não a deixaram partir quando previu; Laika recorreu então a peritos para resolver a falha de apetrechamento da sua nave. Vasiily Moldavus, um ser de proporções anormais e de uns redondos olhos azuis que manuseava vigorosamente porcas e parafusos. Com eles poria a funcionar o arcaico propulsor a gás de bilha verde; tratava por tu os berbequins e também Laika, tu cá, tu lá, embora não se conhecessem de lado algum.
A esta pequena galáxia em formação associavam-se os Manus Ysphregonas, adictos em limpezas, inseparáveis e imparáveis. Sempre seguidos pelo amestrado robot Nilfisk, não se detinham perante a empreitada desempoeirar a nave se bem que a sua maior dificuldade era contornar a presença do possante Vasiily, que sarcasticamente gozava com o que para ele era um espectáculo divertido; Laika observava a cena que lhe trazia à memória os espectáculos de cãezinhos amestrados a que assistia na infância. Vasiily parava de vez em quando para observar enquanto fingia um ligeiro trabalho de mãos; um dos Manus também parava porque não se livrara do terráqueo vício do tabaco. Fumava enquanto esfregava as janelas e discutia a subida dos juros, das prestações e a carestia da vida.
Quatro longas horas passadas, foi efectuada a segunda vistoria por uma equipa de dois peritos e a nave estava finalmente pronta para partir para o espaço.
Era o que tinha acontecido não fosse Laika ter sido chamada para uma emergência. É que, (esqueci contar este pormenor) para tudo o que é passível de precisar de uma mãozinha, Laika é convocada. Mudanças, meu Deus, mudanças, acartar sacos, malas, caixotes escada abaixo, escada acima, coisa que já nem se usa. Nesta outra galáxia também em mutação existe um ser com quem Laika tem uma estranha relação - trata-se de Canídeo Hybridus uma mistura de um branco puro num corpo abrutalhado, que noutra encarnação se chamou Canídeo Falsus; este quadrúpede nunca se livrou do seu karma e não se detém perante as mãos de Laika, nas quais espetou os seus potentes dentes pela segunda vez. Graças a isso, têm mantido uma relação cordial mas distante, como convém mas que de nada valeu. Graças a isso também, voaram objectos, um almoço foi pelos ares, o frango para cinco, um pic-nic em cima de caixotes. Laika fará uma segunda tentativa para arrancar para o espaço. Mas é fundamental que não se reacendam os vícios que o sol costuma trazer.
03 julho 2008
01 julho 2008
Os Contemporâneos - Vai mas é trabalhar pt1
petece-me indicar aqui um caminho para um dos senhores que me tem feito rir recentemente. Para poupar trabalho a quem sintonize no meu sentido de humor, aqui ficam mais (um e outro) sketches dos Contemporâneos, ou melhor, do Nuno Lopes, num papel que aprecio em particular. Estará porventura também lançada mais uma frase que correrá o país em breve.












