30 outubro 2010

ecadilhos

Já matei saudades dos madrilenos e dos caramujos. Devo voltar a ter juízo.



29 outubro 2010

ãos à obra - parte III

Boa, paçarinho, boa.


ngano


Não, este blogue não se chama Portas e Aldrabas embora às vezes pareça.
Esta porta podia ser a minha. Mas não é.


28 outubro 2010

ermelho

Recorrente neste blogue, mas não consigo deixar passar sem olhar para elas e adorá-las.


25 outubro 2010

cão e o rato*

*esta escrita não deve ser lida por pessoas facilmente impressionáveis

Com isto vou fazer alguém dizer: esses teus cães só te dão problemas. Ao que eu respondo invariavelmente: valem tudo o que tenho.
Saí de manhã com eles fruindo o silêncio, escutando uma música levezinha nos fones. Passámos uma zona de folhagem mesclada de castanho e amarelo. Ele adora patear e agitar as folhas mas alguma coisa se remexia dentro delas e o cão ladrava e saltava. Travou-se uma luta com um ser que eu não via.
Quando se escapou do meu de destroços, gritei histericamente como fica bem a qualquer mulher: era um rato. Não era um rato, era uma ratazana asquerosa.
O cão venceu. Olhava para mim num misto de medo e contentamento. Eu estaquei talvez branca como a cal e a tremer por todo o lado.
O cão foi para dentro da banheira, ser desinfectado. A ratazana ficou lá. Não estava derrotada mas mal se mexia. Era nojenta mas estou com pena dela.

23 outubro 2010

ãos à obra - parte I







econciliação


Fiz as pazes com o local, agora ocupado com escavadoras e caterpillars. Agradeci à caixa da electricidade por me ter salvo a vida ou pelo menos uma parte dela. Ela não me respondeu.

19 outubro 2010

y the window


ezinhas

o enxofre afugenta ratos; o fogo afugenta cobras; o baygon afugenta mosquitos; os meus cães afugentam certo tipo de melgas.
Tenho que saber como afugentar todo o tipo de melga.

16 outubro 2010


eituras alcoólicas




ã? como?

Entro no prédio e acelero o passo desejando ter passado despercebida. Não consegui. Fujo dela há meses. Colou-se-me até ao meu piso; colou-se-me até à porta; colou-se-me porta adentro. Contou-me sumariamente (nas suas palavras) a sua vida. Os problemas com um filho enooorme mas pequenino e dependente; que passa mal, que não tem com quem falar; que precisa de companhia, de ajuda, de alguém que a oiça; que passeie com ela; que a ajude a organizar a casa.
A cada frase, dizia: - hã? como? E eu, pensando que ouvia mal, repetia as minhas curtas interjeições. E ela: blá bla blá... hã? como? É duro, não acha? Foi aí que percebi o que era aquilo...
- Domingo está livre?! Podíamos ir passear, conversar as duas...
- Hã? como?!
ecado























Podia ser, mas não, fazer pecados destes não é o meu forte.

15 outubro 2010

esconforto

Concluir um dia bom, ver o sol muito dourado a acabar com ele e sentir o desconforto de não ver trabalho realizado. Um dilema dos meus dias, de todos os meus dias e não destes em particular. Interrogo-me: é isto um problema de educação? Um hábito? Uma marca de hiperactividade? Um perfeito disparate, exacto.

10 outubro 2010

oisas que nos fazem pensar

e pensar mais ainda quando são trazidas por amigas:

"A amizade tanto se faz de muitos encontros, como de poucos; de muitas palavras ou de um silêncio espaçado e confidente; de um telefonema por dia ou por ano;
de uma ou incontáveis atenções... o importante é que tudo isso se torne, dada altura, uma história que nos acompanha e por onde o essencial da vida passa." José Tolentino Mendonça

09 outubro 2010

inga, amor

Aparecida franqueou-me as portas de sua casa para que eu investigasse a origem duma entrada de água que me deu banho à televisão e ao telefone e a dois cãezinhos de ferro forjado; deu-me o seu número de telefone prá ligá sempri qui precisá. Tinha moxe, eu também; tem outro número mas ainda não mudou o tarifário porqui eles na vodafone falam pórtugueis cérrado mêmo e quendo chegá hora di mudá, fico à toa, não intendo nada do qui eles dizem.
Esperei o especialista que me deixou à espera uma tarde inteira mas não em vão. O diagnóstico foi feito num instante: os meus tectos são forrados de papel emplastificado de um dos lados e que por isso mesmo a parede não respira. Como já têm 30 anos, não aguentaram e deixaram passar a água. Percebi tudinho.
riangulações


1.
O polémico livro do Manuel Maria foi apresentado no El Corte Inglés. E o que é que me fez acorrer ao google hoje? A sua capa. Repare-se no cuidado gráfico da composição. Na letra, na cor, no desenho, na estrutura simples.
No entanto, a forma verde da bandeira terá sido inocentemente desenhada ou as óbvias alusões à famosa marca comercial terão sido obra do acaso? E agora? Marketing disfarçado ou sou eu que tenho mau feitio?












2. Tendo como pano de fundo a república, foi lançado este semana Entrevista com a República, de António Simões do Paço.
Não me interessa senão, igualmente, abordar a capa.
Sobre um fundo liso verde claro destaca-se a altaneira figura feminina da república estrategicamente encostada à esquerda, de modo a garantir o equilíbrio visual do conjunto que aqui tem sua âncora.
A mancha gráfica à direita não tem alinhamento particular mas ajusta-se ao contorno da dita senhora de perfil angular que poderia ter sido acentuado...
Se estes dois elementos (figura e texto) têm presença justificada e incontornável, digo eu, já em relação ao elemento à direita sobejam-me motivos de crítica. E se quem desenhou a capa não tivesse lido o livro? Nem sequer suspeitasse de que não se trata de uma tradicional entrevista? É isso possível? Foi.
A repetição do significante (palavra e imagem) conduz a um redundância perfeitamente evitável. Em termos de composição formal, em nada veio beneficiar sendo que a forma usada no desenho não é sequer esteticamente agradável. Recordam-me as composições imberbes que procuram ocupar todos os espaço disponíveis na folha de papel. Os microfones, que não tiveram culpa nenhuma, eu, eliminava-os.
A prova? está aqui:














06 outubro 2010

bservatório


Deste meu lugar cimeiro, observo coisas estranhas.
A senhora do quarto andar pendura no estendal a Dica da Semana todas as semanas; o jornal aberto como se para pardais leitores fosse.
A senhora do sexto andar tem afixados na porta três papelinhos brancos: as contagens do gás, luz e água. Muda os papeis frequentemente, presumo que actualizados.
O senhor do segundo andar estende a roupa com tiques obsessivos, demasiado oedrnado, por cores e peças.
O senhor do quinto andar não precisa de muletas mas não sai sem elas. Diz que lhe dão confiança. Cá para mim, amparam-no em caso de ver o chão andar à roda...
Estava eu nestas maquinações quando fui acordada pelo besouro da porta. Uma voz masculina dizia: - É a polícia. É favor vir cá abaixo.
Desci com o coração aos pulos. Que crime teria eu inocentemente cometido? Estava quase a ter uma apoplexia no elevador. Por momentos, pensei que o meu post anterior me metera a braços com o terrorismo organizado.
- É capaz de tirar o carro daqui? É que este senhor quer sair e a sua viatura está a impedir a passagem.
- !?. !

05 outubro 2010

inhas cruzadas

A voz de Manuela Azevedo deu-lhe sainete e fez mais bonita a melodia.

ombas na minha rua






















Faz a minha rua parte dos planos de ataque do alcaide à europa?
ronto da situação

Há pessoas verdadeiramente surpreendentes e uma das que incluo nesse grupo é o médico que me acompanha no meu processo ortopédico. Há cinco meses que me habituou a falhar a consulta e hoje, dia de ponte, não o fez!
Mais: não estava distraído, explicou-me tudo e fez-me um relatório de quatro linhas justificando o meu eventual regresso ao trabalho. Surpreendente!
Devo dizer que saí de lá bem mais leve, com um problema resolvido na forma de uma folha A4.
Manda agora a razão esperar apenas esperar - o tempo que faça o resto.
Inicio agora, portanto, um curto período de férias.

03 outubro 2010

e alguém

se desse ao reparo e contasse as coisas que eu escrevo veria que há muitos dias silenciosos. Parece até que entre uma chamada da dona Gabriela e uma ida ao cinema nada aconteceu. Pura mentira, mentira refinada. Não me chega o tempo para nada fazer; para colaborar com os meus protegidos, seja qual for a raça e o género mas ainda não para trabalhar se pensarmos em trabalho com cariz oficial.
Amanhã espero ser atendida pelo médico cuja consulta está marcada há um mês e meio, ou seja, desde o dia em que ele meteu férias. Será absurdo pôr a hipótese de ele não dar consulta em virtude de fazer ponte em virtude de ser feriado na terça-feira? Será isso possível? Pergunto no exacto dia e hora em que faz seis meses sobre a trágica aula de particular de condução que me arrumou.
omer, ouvir e basta!


Confesso que nutri alguma curiosidade pelo filme que vi ontem (Eat, Pray, Love) mas aposto que os jornais estão apinhados de comentários pouco abonatórios em relação ao filme.
O filme irritava-me mais profundamente conforme se sucediam os lugares comuns:
Uma mulher quer reencontrar-se consigo própria (alguém me explica o que isso é? Tive toda a eternidade que dura o filme para perceber e hoje, um dia depois, ainda não sei).
Essa pessoa parte em busca de si. Primeiro procura-se em Roma; depois procura-se em Nápoles. Em ambos os sítios come, come por prazer (devo passar a fazer o mesmo, eu que ando incomodada com três quilos a mais?). Grandes planos banais sobre pratos de esparguete e piza - a própria ementa banal. Retira-se para a Índia, obviamente; para orar, obviamente. Procura o conforto refugiando-se na meditação e de repente, surge a paixão na pessoa de Javier Bardem ao som de S'wonderful, de João Gilberto - isto sim, não previsível.
Penso se Julia Roberts, demasiado magra e loura, terá lido o guião. Se o próprio Bardem o leu com atenção. Aposto que foram convencidos pela banda sonora. É ouvir Got to Give it Up, de Marvin Gaye e, melhor ainda, Harvest Moon, de Neil Young, o melhor momento musical. E para a ficha técnica, Creep...
Recordo uma amiga que, há largos meses optou por revirar a sua vida; alguém lhe aconselhara a leitura atenta deste livro por ser um guia para quem precisava dar tal passo; ela deu-o mas tenho muitas reservas sobre o papel deste livro ou do filme na vida dela ou de alguém. Até sei: na minha teve um papel - escolher melhor os filmes e não se deixar vender por uma melhor banda sonora e uma carinha laroca no cardápio.