28 março 2011

rritações de estimação


A minha relação com os outros seria bem mais agradável se as pessoas abolissem o "basicamente" e o "é assim" dos seus diálogos na minha presença...

23 março 2011

anias

O café já não tem o sabor de antes e desde há um ano que cortei com alguns. Refinei no preconceito: não consigo tomar o café Delta em chávena lote diamante. Se calhar servem-me numa chávena Camelo e eu adoro mas não dou conta.
Tenho vindo a tornar-me selectiva: Tofa e Sical são os meus preferidos em versão abatanado e em pastelarias. Nunca consegui entrar num restaurante para tomar um café. E devia ser proibido almoçar em pastelarias.
Há coisas que não combinam por muito que as pessoas se esforcem.

20 março 2011

The Gift - RGB (HD)

briu a caça ao sol

Já não se pode transitar, os passeios e os jardins estão cheios de gente e a rua de carros. Há mais lixo no chão. O que parece bom deixa logo de o ser.
uando as máquinas não colaboram

Por qualquer razão que desconheço, os meus vizinhos deslocam-se sem problemas de e para suas casas a partir do rés-do-chão. Oiço o elevador subir e descer sem hesitações.
Já eu, quando entro na novíssima cabine da direita, não consigo parar no meu piso; fico entre andares a ver a parede acabada de pintar. Recorro ao botão de emergência e vou num pára-arranca irritadiço fazendo pontaria às diversas portas. Às vezes consigo acertar à primeira, outras vou subindo e descendo até perder o tino ao andar em que estou.
Dizem que estão em fase de afinação e que isto é normal. Acredito. No elevador da esquerda existe uma embirração com o terceiro andar, mas às vezes a porta do sétimo não fecha.
Nunca sei quando terei que ir pela escada, mas uma coisa é certa: subo ao oitavo sem o menor esforço - já lucrei alguma coisa com isto tudo. Não há rotina na minha vida, portanto.

18 março 2011

ma questão de nervos

Depois de um dia na escola no meio de jovens, fica-se tão habituada a ouvir palavrões, que já quase os ignoramos. Ou então, à mínima contrariedade, fazemos como eles, e sentimo-nos aliviados. É essa a função do palavrão: aliviar a tensão.
Há pessoas que nunca dizem asneiras. Nunca ouvi o meu dizer alguma, já a minha avó tinha acesos de riso quando dizia uma ou outra - eram ocasiões especiais.
A minha mãe é uma dessas pessoas que, aconteça o que acontecer, nunca diz uma palavra menos correcta.
Ontem, ao regressarmos a casa, íamos chocando de frente com um clio branco. Dois rastas entraram num cruzamento em alta velocidade, fora de mão. Valeu-me ir devagar, travar a tempo. Não reagi, ou melhor, reagi passivamente. A minha mãe reagiu impulsivamente, numa atitude surpreendente, saiu do carro vociferando, chamando-os estúpidos e parvos, o modo máximo como consegue insultar alguém. A minha calma acalmou-a e voltou para o carro surpreendida porque não tinha havido o estrondo previsto. Disse-me que não a devia ter segurado, que devia tê-la deixado soltar a raiva que guarda há meses. Para uma pessoa que não chora nem diz palavrões, aquele deve ter sido um momento irrepetível, uma oportunidade perdida.
Naquele momento vi o meu carro desfeito e encolhi as pernas... Não consegui reagir, não consegui sequer falar durante um bocado e no entanto fiquei com pena deles pelo susto que eles terão apanhado. Já há quase um ano senti o mesmo. Devo aprender o vocabulário dos jovens? Assentar uns sopapos nos meus agressores? Mandar mesas pelo ar?

17 março 2011

inda bem que estava a sonhar

Aproximou-se rapidamente o tempo de retirar o material de osteosíntese. Eu tinha medo. Estava na sala de operações, amarrada à mesa, adormecida. Começou a operação. Aconteceu um terramoto, o edifício abanou, coisas desabaram e os médicos saíram da sala. Deixaram-me sozinha e eu acordei. Acordei em pânico, aos berros.

15 março 2011

ada mais?


Discutia ontem com uma amiga as diferenças entre nós duas, que tantas semelhanças temos em termos de interesses, hábitos e métodos de trabalho, com os dos nossos alunos, que nos são diametralmente opostos. O meu vizinho, que queria experimentar a diferença entre diversos amarelos, ficou surpreendido com a minha panóplia de pincéis, desandadores, tintas e outro material de bricolage. Nunca fui grande aluna a Educação Tecnológica mas sou curiosa e cresci a meter o nariz em tudo o que é drogaria, loja de material de construção e de um modo geral, tudo o que fosse casa de venda a retalho. Distingo tecidos, madeiras, tintas. Construo com alguma facilidade, isto é, saio, com poucas hesitações, do plano do projecto. Não é vaidade, é uma constatação.
Deparo-me este ano com um problema: os meus alunos não percebem o que digo com o termo "fazer". Ficam-se pelas ideias que têm dificuldade em registar e mesmo assim, não conseguem expressá-las com clareza. Numa turma com 28 alunos, há dois que me percebem de imediato - os outros patinam num terreno que nada tem de escorregadio mas que para eles será pantanoso. São pessoas que saem para ver uma exposição às segundas-feiras, dia em que os museus encerram e o pior é que não voltam lá... Levei-os a visitar duas mostras de arte, convencida de que iriam surtir efeitos imediatos - nada aconteceu.
O seu actual de trabalho é escolher uma pintura, fazer um pequeno trabalho escrito de investigação sobre a obra e o autor e passá-la para a tridimensionalidade. Já contava com dificuldades ao nível dos materiais, mas nunca pensei que o caso revelasse lacunas mais graves: porque é que grande parte dos alunos optaram pelo surrealismo russo? Não sei.
Um deles trouxe-me uma folha impressa com quatro opções para eu o ajudar a escolher; dizia que gosta muito de Dali - fiquei boquiaberta.
Abaixo de uma pintura, ele escreveu "René", abaixo de outras, escreveu "Dali". René seria Margitte, tratado pelo primeiro nome; sobre os quadros de Dali, dizia ter preferência por este:
Não percebeu que se trata de uma fotografia e nem sequer que é apenas um "craziest gadget"!

Sentámo-nos em frente ao Google e pedi-lhe para proceder à pesquisa tal como tinha feito antes. No motor de busca escreveu: "pinturas famosas"...
É esta geração que já cresceu supervisionado pela internet, que chega ao 11º ano sem a mínima noção dos riscos que acarreta googlar indiscriminadamente. Não têm os filtros que a cultura proporciona, não têm história da arte, não vêm, não conhecem, não nada, em suma.
marelices


Ocre alentejano.
Amarelo camurça.
Castanho madeira.
Camel...

13 março 2011

ania

Eu, que não suporto a vaidade do Carlos do Carmo, dou por mim a gostar de ouvi-lo. Pela primeira e quem sabe última vez.

12 março 2011

isita guiada

Talvez porque no prédio ninguém se interesse pelo assunto ou talvez apenas porque, no que toca a máquinas e a obras tenho alguma curiosidade, o administrador tem vindo chamar-me para me dar conta de todos (quando digo todos é mesmo todos...) os desenvolvimentos da recente obra de montagem dos elevadores. Solicita a minha opinião para o ajudar a decidir sobre a cor das portas e o brilho da tinta; optou por um ocre alentejano sem perceber bem a força dessa cor. Acalmou quando usei a palavra-chave: luminosidade - e o senhor ficou descansado.
Hoje levou-me a visitar a casa das máquinas. Penso que não devia ter mostrado que gostei de ver as entranhas das máquinas que me têm aliviado enormemente o esforço, porque nunca se sabe o que me vai mostrar a seguir.

10 março 2011

dios

Contratei alguém que me libertasse de certas coisas que odeio e vejo-me atolada nelas.

09 março 2011

uances

As contas que estou a refazer para confrontar a companhia de seguros fazem-me conviver com um dos meus maiores temores: somar.
Acontece que quanto mais vezes somo, ansiando rectificar e arrumar o assunto, mais resultados diferentes obtenho. Eu sei que existe o excel e que o programa é muito melhor que eu nas contas, mas sou capaz de me ter enganado diversas vezes a introduzir os dados...
Hoje reuni com o meu orientador neste processo; chamo-lhe orientador com carinho, uma vez que tem sido uma ajuda preciosa e fundamental na clarificação deste rolo em que isto se tornou. Muni-me de todos os papeis que imprimira de véspera - as contas relatadas mês a mês, baseadas nas despesas que fiz na minha reabilitação. Um olhar mais atento alertou-me para a exorbitância de um valor... Tpc: refazer tudo uma e outra vez.
Isto porque, como diz uma amiga, em tudo o que faço existe sempre uma nuancezinha de erro... Seja nas contas, na hora do cinema, nas saídas das rotundas... A quem me conhece e me aceita nas minhas imprecisões, estou muito grata. São verdadeiros amigos, sem aproximações.

08 março 2011

aízes

A exposição "raízes", de José Xavier, que acabo de ver na Livraria Pretexto, mostra a obra de um autor que se dedicou a recolher raízes e a transpô-las para o plano artístico.
As formas descontextualizadas adquirem um novo sentido, questionável mas que me agrada. Porém, quando às raízes menos figurativas adiciona uma base de vela, temos o caldo entornado.
Porque é que as formas não podem ser formas apenas? Porquê forçar-lhes uma função para além da meramente estética? É aqui que eu começo a questionar a genuinidade das outras... Tenho mau feitio, é?

07 março 2011

odinhas

Os homens da luta estão na ordem do dia.
Os rapazes andam a fazer barulho há muito tempo mas foram descobertos agora por alguns.
Aprecio muito o seu tiriri e gosto do modo como contestam.
Estranhei a sua inclusão festivaleira; à primeira vista, pensei que se tinham bandeado para o lado do inimigo e não achei a menor graça. Depois fui percebendo o alcance da coisa: fomentar a luta a partir de dentro é de mestre.

05 março 2011


á não me lembrava
como é bom poder optar por subir pela escada... Um luxo.