ara quê?
Ando há 13 anos numa luta que hoje me parece perdida. Ou pelo menos eu, hoje, estou cansada de lutar.
Sempre encarei as escolas como entidades às quais se aplicam os mesmos princípios de identidade que qualquer empresa ou instituição. Existem, têm uma forte presença na comunidade, comunicam a diversos níveis com o exterior e mais: são estabelecimentos de ensino. Este último aspecto devia ser o mais importante quando se pensa na imagem visual da escola - contribuir desde cedo para o desenvolvimento do sentido estético nas crianças.
As direcções das escolas são constituídas por pessoas pouco sensíveis a estes aspectos. Assiste-se a uma mudança, pontual, absurdamente lenta. Com a proliferação de meios informáticos e tecnológicos, todas as pessoas têm acesso a meios de distribuição e construção de documentos numa escala nunca antes vista; todos constroem sem saber construir, com os menores conhecimentos de comunicação visual. Ainda assim, fazem e porque não têm consciência das suas inaptidões, não aceitam sugestões.

Há alguns anos eu e duas colegas (num conjunto de 150...) propusemos uma nova imagem para a escola. Desenvolvemos para a escola os critérios de imagem corporativa. Não fomos compreendidas senão nos pontos básicos, essenciais, demasiados óbvios. Tudo o que propusemos foi ignorado. Manteve-se alguma coisa: o símbolo, a cor, os cartões.
O símbolo, também aqui é muito maltratado. Altera-se, estica-se, encolhe-se sem pudor.
Com a reformulação da direcção e a minha entrada enquanto "conselheira para os assuntos da imagem" consegui algumas mudanças, nunca tantas quanto pretendi.
Sob a minha alçada criou-se um sistema de sinalética para todas as salas, fez-se uma planta da escola, atribuíram-se cores aos pavilhões - tudo isto ignorado tanto na pintura de paredes quanto num simples plano de emergência.
A maior parte das pessoas não fazem as ligações necessárias para que percebam que a imagem da escola está presente sempre e em tudo o que se constrói dentro da escola. Fazia parte da ideia a venda de marchandising com o logo. Seria uma fonte de receitas, os alunos iriam aderir e perceber o conceito, distribuí-lo...
Foi preciso alguns elementos da direcção participarem numa apresentação sobre imagem coorporativa aplicada à escola para perceberem o que eu ando há 13 anos a dizer... Pensei que podíamos avançar para um livro de estilo, pensei que finalmente a porta se abriria.
Há alguns dias surgiu a ideia, dentro da direcção, de fazer para vender uma agenda com o logo da escola. Aderi, é claro. Os dias passaram e ninguém me pediu o logotipo. Os livrinhos chegaram e perdi a cabeça de vez. Nada do que eu apregoei tinha vingado: o nome da escola escrito em Arial, com abreviaturas...
Hoje apetece-me desistir.