27 fevereiro 2012

VELCLO

enas que se colam

Estão se volta os dias em que me sinto feita de velcro dos pés à cabeça. Não é velclo blanco nem velclo pleto. É uma matéria à qual se agarra tudo o que se move e que nem por isso tem muita cor.
Enquanto ainda sonhava, pareceu-me uma ótima ideia ir para a escola partilhando automóvel e adiantar cinco horas ao horário oficial de entrada. Nessas cinco horas teria tempo para digitalizar meia dúzia de A3, discutir atualizações a fazer no site e arrumar materiais numa arrecadação.
Enganei-me tão redondamente quanto uma bola de velcro. Ainda à porta foi abalroada por:

  • um cartaz que teria que fazer, mas discutindo conteúdos,
  • uma exposição para ajudar a por em pé, 
  • um anúncio a fazer,
  • uma informação urgente a publicar, 
  • um stand na FIL para ajudar a conceber.
Consegui parar para uma sandes e acudir a um colega que não sabia tirar fotos para fora de um telemóvel. Tudo isto numa escola que viveu sem mim dez meses e que um dia destes me apetece que volte a viver.
Ah! A seguir ainda dei uma aula de 90 minutos. E custou-me muito.
dio

Há músicas que apetece gostar mas esta tem o particular dom de me exasperar. Não lhe dou direito de miniatura.

26 fevereiro 2012


imo


Hoje fui mimada com esta foto. 
Uma foto que ....  retrata uma vida!


Obrigada.

25 fevereiro 2012

uando os extremos se tocam num banco de cimento
como chamar os bois pelos nomes. Ou os boys pelos nomes ou isso

Quando somos crianças e queremos contar um episódio que envolve alguém do nosso tamanho, referimo-nos aos outros como "aquele menino" ou "uma menina". Os mais velhos são rapazes e raparigas e os outros são senhores e senhoras, velhotes e velhotas. Para nos referirmos aos imensos amigos que arranjamos na adolescência, não hesitamos em chamar-lhes "aquele amigo", "aquela rapariga".
Durante anos existem colega, fulano, pessoa; ainda se mantêm o senhor e a senhora, velhote e velhota. Senhoras são as amigas da mãe, senhores têm a idade do pai e velhotes as pessoas da idade dos avós.
Atingimos de repente, quase de um dia para o outro, aquele estado em que não somos velhas nem novas, nem senhoras nem muito menos raparigas. Torna-se num profundo problema referir os outros que não nos são nada  e o problema agrava-se se são mais velhos (ainda há alguns...).
Como chamo a uma pessoa da minha idade e cujo nome não é relevante? Rapariga - alguém MUITO mais novo que eu. Senhora? Alguém muito mais selecto que eu. Mulher? Alguém muito mais rasca que eu. Colega? Algumas. Amiga? Poucas.
Dicionário de português, precisa-se.

18 fevereiro 2012


emórias
Faz quatro anos que enveredei por um caminho aberto na encruzilhada a que chegara. Nada de balanços e muito menos de remorsos - encaixo-me perfeitamente o modelo que escolhi e não voltaria atrás para a encruzilhada de novo uma vez que optei definitivamente pelo caminho certo. Parece até, de um modo geral, que sempre vivi assim. Há porém os domingos de manhã. É quando parece que acabei de sair daquela casa que ajudei a reconstruir, da sala espaçosa, do terraço solarengo e dos almoços no quintal. Olho para o cão que me acompanha há treze anos e que comigo fez tal vereda. Pensará ele o mesmo? Far-lhe-á confusão tamanha reviravolta? Na minha memória está tudo de tal modo intacto que quando penso em certos conceitos ainda me vejo lá mesmo não me querendo ali jamais. 

16 fevereiro 2012


menino joãozinho
está muito cansado, sonolento, porque "anda a tomar anti-histamínicos". Tem ataques de tosse e saca constantemente do lenço de papel com modos educados. "Vamos lá a ver se é desta vez que eu melhoro".
Chamou-me para lhe ver o desenho, torto à nascença, com poucas hipóteses de emenda.
Apresentei-lhe algumas alternativas mas ele disse que o meu "raciocínio é muito complexo"...

13 fevereiro 2012

ota-se muito?

A quantidade de trabalho prazeiteiro que faço mede-se pelo pó em cima do estirador.

Para usar uma linguagem bombástica, atuei em diversas frentes no palco de operações. Em quatro dias montou-se e inaugurou-se uma exposição de Desenho e Materiais na Biblioteca da Escola.
Dançou-se num centro comercial com enquadramento meu durante dois dias. Estou exausta.

08 fevereiro 2012


como vencer a crise

omo vencer a crise

Anda meio mundo deprimido por causa dos efeitos de uma crise mais anunciada do que efectiva. O audi vermelho novo estacionado ali à porta comprova que há excepções.
Insere-se nesta categoria excepcional o já por mim anteriormente enaltecido, senhor Silva.
Enfrentando a crise pelos chifres, recusa entregar-se-lhe; defende os seus princípios com unhas e dentes. Não deixa que o arrastem para o mundo competitivo do trabalho. Querem mas não conseguem levá-lo. Mantém-se firme no seu posto de observador.
Prudente, faz uma vida regrada e confessa que o seu maior gasto é a conta da luz porque nunca soube viver sem o conforto de uma casa aquecida e um cigarro na mão. Acorda tarde, desloca-se de assento, conduz a sua mota pela cidade sempre com um determinado objectivo e nunca em vão. Fuma enquanto saboreia a paisagem, repetidamente, na mesma janela. Apressa-se nas tarefas domésticas.
Abdica de outros prazeres: ao contrário de qualquer outro mortal consciente, não tem emprego nem muito menos trabalho.  Queria eu fazer como ele e viver a vida sem desgaste. Aplicar o seu lema e acreditar que um dia a vida vai mudar. O senhor Silva tem a teoria mais original que ouvi nos últimos tempos - dizem que a crise vai piorar. Portanto o melhor é ficar quieto à espera que passe. Hã?!


07 fevereiro 2012


para quê?

ara quê?

Ando há 13 anos numa luta que hoje me parece perdida. Ou pelo menos eu, hoje, estou cansada de lutar.
Sempre encarei as escolas como entidades às quais se aplicam os mesmos princípios de identidade que qualquer empresa ou instituição. Existem, têm uma forte presença na comunidade, comunicam a diversos níveis com o exterior e mais: são estabelecimentos de ensino. Este último aspecto devia ser o mais importante quando se pensa na imagem visual da escola - contribuir desde cedo para o desenvolvimento do sentido estético nas crianças.
As direcções das escolas são constituídas por pessoas pouco sensíveis a estes aspectos. Assiste-se a uma mudança, pontual, absurdamente lenta. Com a proliferação de meios informáticos e tecnológicos, todas as pessoas têm acesso a meios de distribuição e construção de documentos numa escala nunca antes vista; todos constroem sem saber construir, com os menores conhecimentos de comunicação visual. Ainda assim, fazem e porque não têm consciência das suas inaptidões, não aceitam sugestões.

Há alguns anos eu e duas colegas (num conjunto de 150...) propusemos uma nova imagem para a escola. Desenvolvemos para a escola os critérios de imagem corporativa. Não fomos compreendidas senão nos pontos básicos, essenciais, demasiados óbvios. Tudo o que propusemos foi ignorado. Manteve-se alguma coisa: o símbolo, a cor, os cartões.
O símbolo, também aqui é muito maltratado. Altera-se, estica-se, encolhe-se sem pudor.
Com a reformulação da direcção e a minha entrada enquanto "conselheira para os assuntos da imagem" consegui algumas mudanças, nunca tantas quanto pretendi.
Sob a minha alçada criou-se um sistema de sinalética para todas as salas, fez-se uma planta da escola, atribuíram-se cores aos pavilhões - tudo isto ignorado tanto na pintura de paredes quanto num simples plano de emergência.
A maior parte das pessoas não fazem as ligações necessárias para que percebam que a imagem da escola está presente sempre e em tudo o que se constrói dentro da escola. Fazia parte da ideia a venda de marchandising com o logo. Seria uma fonte de receitas, os alunos iriam aderir e perceber o conceito, distribuí-lo...
Foi preciso alguns elementos da direcção participarem numa apresentação sobre imagem coorporativa aplicada à escola para perceberem o que eu ando há 13 anos a dizer... Pensei que podíamos avançar para um livro de estilo, pensei que finalmente a porta se abriria.

Há alguns dias surgiu a ideia, dentro da direcção, de fazer para vender uma agenda com o logo da escola. Aderi, é claro. Os dias passaram e ninguém me pediu o logotipo. Os livrinhos chegaram e perdi a cabeça de vez. Nada do que eu apregoei tinha vingado: o nome da escola escrito em Arial, com abreviaturas...
Hoje apetece-me desistir.

06 fevereiro 2012

Fracas memórias

abando

Tenho uma memória pouco agradável em relação aos velhotes que antigamente me mandavam piropos. Lembro-me do quão desagradável era ouvir qualquer manifestação de carácter erótico-porco de idosos ou entradotes com quem me cruzava. Não, não é isto um auto elogio, é uma constatação de factos. Eram frequente e sempre desagradável.
Não tinha que ver com a minha idade nem com a minha aparência física mas sim com o facto de ser uma rapariga e caminhar sozinha, de preferência.
Isto ficou de tal modo gravado no meu álbum de registos que ainda hoje sinto a viscosidade desses anónimos transeuntes. Rchamava-os de javardos, badalhocos, nojentos. Enojava-me de verdade. Enoja-me ainda.
Porque é que me lembro disto?
Porque hoje mesmo senti esse mesmo desprezo por um inofensivo ser de quatro patas e muitos anos: Picachu, do alto da sua proveta idade, (do alto é uma ironia porque a sua curta pata nem sequer lhe permite sonhar com cadelas vedetas), babando enquanto sorve o cheiro de um chichi de cadela com cio...