29 junho 2008

swimring

ivelar

Simplificar por nivelamento é, na linguagem do desenho e a teoria da gestalt, cortar o acessório; é o que me apetece fazer ao biscoito em particular e à minha vida em geral. Bem vistas as coisas, vivemos rodeados de excessos. Simplifiquemos então, porque a leitura das coisas nada perde com isso. Vai um bisc8?

27 junho 2008

abrozolhos

testes

estes
Acho que esta é a primeira vez que começo um post com um tê. Testo a presença do t no início da palavra e concluo que o tê é das letras menos elegantes do alfabeto que uso.

Hoje alguém me enviou dois testes psicológicos. Um deles acertou em cheio, refere o meu habitual duelo entre a razão e a emoção; escuso-me a mais pormenores, não vá alguém apontar-me o dedo. O outro quase me ofendeu: além das coisas boas e nem por isso que me dizem que sou e de todas as outras que conscientemente sou, nunca me tinha passado pela ideia poder ter semelhanças com uma doninha fedorenta ainda por cima francesa. Salvei-me da ofensa ser Pepe Le Pew, a lover, not a fighter. Já que não aprendi a fazer quizes, sempre posso proporcionar dois testezinhos para o fim de semana.

25 junho 2008

rebuçado

ebuçado
Sentei-me à toa, ao lado de um senhor grande mas discreto. Subitamente, o senhor tirou do bolso um rebuçado, desembrulhou-o meticulosamente e meteu-o na boca. Trec trec trec, xuac, trec trec trec até ao próximo. E outro, trec trec trec, xuac, trec trec trec e mais outro. E mais um, trec trec trec, xuac, trec trec trec. E o senhor discreto passou a ter o tamanho do comboio.

23 junho 2008

gnomos

nomos

É nesta a época de verão que podemos conviver com alguns que habitam jardins. Falo dos gnomos do Phillipe Starck, objectos polémicos, puro kitsch. Devo dizer que, quando saíram, acho que em 2000, foi-me preciso confirmar a autoria; não pensei ser possível que um autor que nos habitou à simplificação das formas, à pureza da linha, à nobreza do material, nos impingia agora peças de plástico decalcadas do imaginário infantil, a raiar o mau gosto. Só que, isto tinha uma razão de ser: Starck tinha sido pai recentemente; aceitei a justificação embora ele não estivesse preocupado com isso. Esperto, adaptou então os gnomos a mobiliário de exterior, bancos e mesas, e vendeu que se fartou, claro.
Não era eu que comprava uma coisa destas nem que fosse para dizer que tinha em casa, no jardim, um Phillipe Starck.


Ao que parece, alguém que pensa como eu, produz muito mais do que eu que só opino, mas que também (!) tem sentido de humor..., criou uma série de esculturas/objectos de exterior de entre os quais saliento Gnome-Be-Gone, nome que lhe assenta na perfeição. O rapaz chama-se Fred Conclon e aqui há mais coisas dele; à venda, claro.

21 junho 2008

lepicortinolo

lepicortinolo

Ia para cinco dias e a minha companhia estaria a ser insuportável para os que me rodeiam. Eu assim pensava, porque eu me incomodava a mim mesma - não parava de fazer atxim atttxiiiim (também gostaste, Angel?) e regularmente a narina esquerda deixava-me em maus lençóis, precisamente em momentos em que tinhas as mãos ocupadas e que conversava frente a frente com alguém. As olheiras começaram a cavar profundos desníveis, a cor e a voz a esvaírem-se. Valeu-me hoje o Lepicortinolo, nome que me recorda um serpenteante gnomo que fosse capaz de consertar as minhas narinas. Ná! São uns comprimidozinhos milagrosos que me restituíram o bem estar.

cães a cores

ães a cores

Após este post, talvez haja quem ache que me começo a repetir, porém, eu arrisco (e a inspiração há-de voltar...).
Já por diversas vezes falei aqui da minha predilecção por animais, em particular pelos menos favorecidos. Essa circunstância nefasta deve-se apenas ao facto de lhes ter calhado em sorte um dono miserável e apenas isso; uma pessoa sem escrúpulos que não poder respeitar nenhum género de vida, muito menos a animal. Todos os dias conheço novas e deploráveis histórias com as quais a experiência permite começar a lidar com o "afastamento" qb para que não me perturbe demasiado o sono.
Nesta esfera de voluntariado empenhado em dar a mão a uma pata, dão-se cruzamentos curiosos. Porque decidi não fazer aqui referências directas a pessoas a quem não pedi autorização, limito-me a referi-las vagamente. Acreditem que existem.
Descobri neste caminho um americano filantropo - Ron Burns - cuja obra não reverte apenas a favor do seu bolso: parte das vendas vai para diversas instituições de apoio aos animais, embora o panorama americano não tenha paralelo com o nosso mísero estado.
São telas que têm nítidas influências pop, muito Warhol, com acentuados contrastes cromáticos. O modo de representar o cão com o focinho desproporcionado forçado para o primeiro plano é recorrente, mas resulta enquanto recurso plástico.
Burns desenvove ainda uma campanha para a presidência assaz curiosa. Mais depressa votaria nele do que em qualquer Clinton ou mesmo no Barraca Abana, como lhe chama com graça o Contra Informação.

vermelho

ermelho, vermelhaço
Vermelhusco, vermelhante
Vermelhão...

20 junho 2008

rafa was here

A necessidade que algumas pessoas têm de deixar marcas nos lugares por onde passam sempre me chamou a atenção. Gosto particularmente as que se escrevem com o cuidado de datar. Fulano não estiveve ali apenas, estive ali naquele dia. Isto recorda-me uma investigação (talvez para sociologia), que terei desenvolvido nos tempos da ESBAL (agora FBAUL); tratava-se de analisar inscrições em casas de banho públicas. Não vou contar como decorreu a investigação.
Mas concluímos que as inscrições mais debochadas e depravadas eram feitas por mulheres, que eram também as que se identificavam com mais frequência. Aquelas marotas.

14 junho 2008

distracções

istracções
Se acreditássemos que o estado do país se retrata nos factos salientados nas capas dos jornais, suporíamos que afinal vivemos no mesmo país da Alice. O Não irlandês, estratagemas com bolas, a fuga para o clube inglês; tudo serve para nos fazer crer que o país não esteve (ou está) à beira do caos, que não nos roubam indecentemente enquanto andamos distraídos a pensar nos feitos da Selecção (devo escrevê-la com maiúscula?).
No dia 13, parou-se para recordar os 120 anos do nascimento do Pessoa, mas não dei por que alguém tivesse parado para comemorar os 100 anos do nascimento de Vieira da Silva, a maior senhora da pintura portuguesa (a.p.r. - antes de Paula Rego). Talvez o esquecimento se deva ao facto de ter optado pela nacionalidade francesa, outra das coisas que partilhou com Arpad Szenes.
Vá lá, a Fundação esse dedica-lhe uma exposição. É o mínimo que se pode fazer na aridez que grassa neste junho atípico. Ainda por cima, dizem que amanhã vai chover.


Montagem, janota, 2008

13 junho 2008

as andorinhas

s andorinhas
fazem os ninhos com mil cuidadinhos, dizia um qualquer manual escolar com alguns anos. E assim foi: ensinaram-nos que as andorinhas trazem a primavera e com ela um punhado de coisas boas que associamos ao renascer, à bem-aventurança, que são prenúncio de alegrias e melhores dias. Ei-las instaladas nos beirais de junho, fazendo um chilrear estrepitoso mas agradável, pela aurora e no entardecer.
O que descobri há pouco tempo, foi que os mil cuidadinhos que empregam a construir os seus ninhos têm uma vertente perversa; as andorinhas são cleptómanas, elas constroem os seus ninhos à custa dos fios com que os pardalitos fizeram os seus. E estes assistem enroscados e medrosos aos violentos assaltos. Até parece que é mesmo verdade - o país está a saque, nem num beiral altaneiro se está protegido de predadores.

a metáfora da fonte

metáfora da fonte (em jeito de adenda)

Tenho saudades do tempo em que alguém pedia que lhe fizesse um desenho. Não mo pediram, mas fi-lo para explicar melhor. Terei conseguido?


mangerico

mangerico,
onde está?

12 junho 2008

Strengths, Weaknesses, Opportunities, Threats







Aprecio as situações em que fontes de diversas áreas se cruzam, pelas mais diversas razões, mas mais quando por casualidade. De uma área que não domino de todo (a da economia) chega-me o conceito swot - uma ferramenta dita simples, utilizada para fazer qualquer tipo de análise de cenário; pode ser utilizada na criação de um blog como na gestão de uma empresa. Dizem que a análise swot já era utilizada há mais de três mil anos: "concentre-se nos pontos fortes, reconheça as fraquezas, agarre as oportunidades e proteja-se contra as ameaças " (Sun Tzu, 500ac).
Esta análise de cenário divide-se em dois ambientes: interno (forças e fraquezas) e externo (oportunidades e ameaças).
As forças e fraquezas são determinadas pela situação presente, podendo, portanto, ser controlado por nós, que somos quem dirige a acção. Havendo pontos fortes, talvez eles devam ser ressaltados, ao contrário do que se deve fazer aos fracos: eliminá-los ou minimizar o seu efeito. Já as oportunidades e ameaças são antecipações do futuro e estão relacionadas com factores externos, estando, assim, fora do nosso controle. Mas, apesar de não poder controlá-lo, deve-se tentar conhecê-lo e monitorizá-lo com frequência, de forma a aproveitar as oportunidades e evitar as ameaças.

A ser verdade, também neste ramo, ninguém do nosso tempo descobriu a pólvora. Fazemos análise swot frequentemente, mesmo que empírica e inconscientemente. O segredo está, porém, em sabermos aplicar todos os conceitos inventados a novas situações e à nossa própria vida. Com isto quero, portanto, dizer que estou a fazer uma análise swot à empresa que é a minha própria existência.

"É melhor arrepender-se por ter feito alguma coisa do que por não ter feito nada"
Giovanni Boccaccio (1313-1375)



06 junho 2008

Population by pixels

opulation by pixels

Inúmeros foram os modos de mostrar o baixo nível populacional das raças em vias de extinção. Representar os números em pixels faz um produto visual curioso. Corre-se o risco de uma prendada dona de casa viciada em ponto de cruz tomar isto como modelo.




Acrescento a informação: há raposas em Monsanto. Ontem, à noitinha andava uma aqui bem próximo. E já foram avistadas a mãe com duas crias.

letras sem musica

etras sem música

Não sei se é pela vivência actual, se simplesmente porque ando falha de ideias, certo é que vou descobrindo antiguidades que pensava estarem inacessíveis e indiferentes. Vêm à superfície de vez em quando e fazem-me falar delas. Estas são de caracter gráfico - letreiros curiosos de lojas que subsistem heroicamente à modernidade. Letras por enquanto com música. Um simples passeio pelas ruas onde cresci obrigam-se a registar pormenores que me acompanharam durantes tantos anos. Gosto deles e temo que não sobrevivam à febre de reforma que ataca os autarcas e que contagia construtores. Lamento não ter imagens do que se foi destruindo no caminho de reedificação das novas cidades. Têm-se cometido atentados graves, destroi-se património sem critério. E pior do que isso, normaliza-se, formata-se, ignoram-se elementos caracterizadores das culturas e dos espaços. O programa Polis é disso um exemplo; não haverá em breve cidade de província que não tenha o seu repuxo, uma cascata de granito, um pavilhão multiusos de traça igual, rotundas despropositadas, autosilos e parques de estacionamento que servem para estacionar os veículos que não existem.

03 junho 2008

anita

nita
Há imagens que nos acompanham toda a vida e à quais sabe bem voltar. Na educação que me deram encaixou bem esta colecção, que teve um destaque especial na minha infância. Aposto que deixou marcas profundas. Não as vejo, mas pressinto-as.



01 junho 2008

prioridades

rioridades

Longe vai o tempo em que a limpeza, a organização da casa e a minha própria casa ocupavam uns dos lugares principais na minha lista de ralações. Percebi um dia, e em boa hora, que não era porque a casa era um brinco que eu era mais feliz. Ter dias marcados para determinadas tarefas torna-as insuportáveis. As coisas menos agradáveis devem consumir o tempo estritamente necessário à sua resolução, e acontecerem no momento propício, mesmo que seja importuno. Olho em redor e vejo coisas para fazer, mas que diabo, não têm que ser todas de uma vez. Passei a atribuir prioridades, aboli a rotina e vejo, portanto, que realizei ainda mais coisas do que antes.